Uma manhã de esperança, na visão poética de Guimarães Rosa

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O médico, diplomata, romancista, contista e poeta João Guimarães Rosa (1908-1967), nascido em Cordisburgo (MG), é um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos, sendo o romance “Grande Sertão: Veredas”, que ele qualifica como uma “autobiografia irracional”, a sua obra mais conhecida. Entretanto, Guimarães Rosa também enveredou pelos veios poéticos, tanto que registrou em versos a “Tentativa” de uma manhã em busca da esperança.

TENTATIVA
Guimarães Rosa

Manhã básica, alcalina,
neutralizando a gota ácida do sol.
O tornassol do céu, no fundo
do grande tubo de ensaio,
vai se espessando, cada vez mais azul.

Dos poços da marna alagada,
cheios, como frascos chatos sem gargalos,
sobem vapores alvacentos.
A pressão calca cinco atmosferas,
e o calor cresce,
nas alavancas de pirômetros negros,
dilatando as sombras.

Rápida,
uma revoada triangular de periquitos
estraleja e crepita,
flambada em alça enorme de platina,
como o fio de chama, fugidio e verde,
de um sal de boro…

Quanto esforço da manhã,
para riscar tão alto,
um corisco de esperança…

4 thoughts on “Uma manhã de esperança, na visão poética de Guimarães Rosa

  1. Com a permissão de Paulo Peres e Carlos Newton, como Pernambucano e em Homenagem aos Pernambucanos que moram hoje em outros locais do Brasil, rendo minha Homenagem ao Frevo nesse Dia 09 de Fevereiro, onde comemoramos aqui no Recife o DIA DO FREVO !

    A palavra Frevo vem de ferver, por corruptela, “frever”, que passou a designar efervescência, agitação, confusão, rebuliço conforme o Vocabulário Pernambucano de Pereira da Costa.

    No dia 09 de Fevereiro de 1907, o Jornalista Oswaldo Oliveira do Jornal Pequeno do Recife fez a primeira referência ao Frevo na reportagem do Clube Carnavalesco Empalhadores do Feitos, do Bairro do Hipódromo no Recife . Em homenagem ao Frevo em seu dia destaco a Música do saudoso Jornalista Antonio Maria, que com seu FREVO No. 1 fala de sua Saudade do Recife, do seu Amado Pernambuco, e que essa alegria seja também de todos os Pernambucanos em todo o Brasil ! VIVA O FREVO, VIVA PERNAMBUCO !

    Frevo Nº 1 do Recife
    Antônio Maria

    Ô ô ô saudade
    Saudade tão grande
    Saudade que eu sinto
    Do Clube das Pás, do Vassouras
    Passistas traçando tesouras
    Nas ruas repletas de lá
    Batidas de bombos
    São Maracatus retardados
    Chegando à cidade, cansados,
    Com seus Estandartes no ar.
    Que adianta se o Recife está longe
    E a saudade é tão grande
    Que eu até me embaraço
    Parece que eu vejo
    Valfrido Cebola no passo
    Haroldo Fatia, Colaço
    Recife está dentro de mim.

  2. “Quanto esforço da manhã,
    para riscar tão alto,
    um corisco de esperança…”
    E Guimarães Rosa vai registrando a chama da Esperança em versos .
    A vida é curta mas é bela, é uma poesia.

  3. SAUDADE

    Saudade de tudo!…
    Saudade, essencial e orgânica,
    de horas passadas
    que eu podia viver e não vivi!…
    Saudade de gente que não conheço,
    de amigos nascidos noutras terras,
    de almas órfas e irmãs,
    de minha gente dispersa,
    que talvez ainha hoje espere por mim…

    Saudade triste do passado,
    saudade gloriosa do futuro,
    saudade de todos os presentes
    vividos fora de mim!…

    Pressa!…
    Ânsia voraz de me fazer em muitos,
    fome angustiosa da fusão de tudo,
    sede da volta final
    da grande experiência:
    uma só alma em um só corpo,
    uma só alma-corpo,
    um só,
    um!…
    Como quem fecha numa gota
    o Oceano,
    afogado no fundo de si mesmo…

    © JOÃO GUIMARÃES ROSA
    In Magma, 1936
    (publicado em 1997)

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