Uma morena inesquecível que enfeitiçou Alceu Valença

O pernambucano Alceu Paiva Valença é formado em Direito e pós-graduado em Sociologia, mas por causa da música desistiu dessas carreiras, para ser cantor e compositor. A letra de “Tropicana” guarda o desejo de posse da totalidade: daquilo que define o outro. Neste sentido, a canção se relaciona, intertextualmente, com o (Côco de festa – aguardente de cana) usado pelo escritor João Guimarães Rosa como epígrafe do livro Corpo de Baile.

A cana está dentro da Tropicana: embriagando o sujeito que canta sob o efeito do caldo. O desejo do sujeito é sempre conseguir o incomensurável: a massa, o gosto, o beiju, o sumo. Na impossibilidade disso, tudo se embala dionisiacamente na dança das sensações de uma linda morena fruta temporana.  A música“Tropicana” foi gravada por Alceu Valença, em 1982, no LP Cavalo de Pau, pela Ariola.

TROPICANA

Vicente Barreto e Alceu Valença

Da manga rosa quero o gosto e o sumo
Melão maduro sapoti juá
Jabuticaba teu olhar noturno
Beijo travoso de umbu-cajá
Pela macia ai carne de caju
Saliva doce doce mel mel de uruçu
Linda morena fruta de vez temporana
Caldo de cana-caiana
Vem me desfrutar

Linda morena fruta de vez temporana
Caldo de cana-caiana
Vou te desfrutar

Morena tropicana
Eu quero teu sabor

                (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

3 thoughts on “Uma morena inesquecível que enfeitiçou Alceu Valença

  1. Se o prezado concordar, sugiro a letra de Gilberto Gil que fala “o grande Deus Mu.. dança”. “Mu” é um koan (enigma, ensinamento) do Zen-Budismo. Dança lembra o Deus Shiva, o segundo na Trindade Hindu, que reconstrói a vida… dançando…

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