Uma oportuna reprise da entrevista de Maluf a Geneton na GloboNews

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Em 2015, Maluf nem imaginava ser preso

Pedro do Coutto

Uma reprise interessante. Entrevistado pelo saudoso repórter Geneton Moraes Neto, Globonews, em 2015, o deputado Paulo Maluf, entre revelações verdadeiras, versões pessoais e os escapismos de sempre, afirmou uma verdade incontestável: quando os telespectadores sentem que entrevistas foram pré-combinadas, simplesmente mudam de canal ou desligam a televisão. A entrevista de Paulo Maluf foi excelente e, logo no início, sentado numa das salas de sua mansão em São Paulo, Maluf disse a Geneton: pergunte o que quiser que eu responderei. Esta é uma entrevista autêntica que estou concedendo a você. Ao contrário de muitas outras entrevistas por aí nas quais os entrevistadores não apertam os entrevistados.

Maluf, penso eu, tinha razão. Tem razão, aliás porque o fenômeno apontado se repete de forma frequente. Não que os repórteres tenham combinado vantagens recíprocas, embora isso possa acontecer em certos casos. Mas sobretudo porque o entrevistador tem medo de perder o entrevistado em ocasiões futuras. O temor nasce da imaginação de que o repórter pode deixar de contar com uma fonte de informação permanente.

DIFERENÇA – As fontes de informação são a base do jornalismo em grande parte dos casos. Porque uma coisa é transportar a informação para as telas da TV e páginas dos jornais. Outra coisa é analisar o conteúdo e os reflexos das informações divulgadas.

Essa diferença é fundamental para nossa profissão de contadores de fatos, alguns deles destinados à história brasileira. Neste caso, por exemplo, um leve comentário de Tancredo Neves, ao responder uma pergunta minha no Clube dos Repórteres Políticos, em almoço na Casa da Suiça.  Coloquei as mortes em série de Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda. Corriam notícias da operação Condor na América do Sul. Tancredo Neves me disse apenas:” Mortes em série nunca são coincidência”. Tempos depois percebi, revisitando a memória, porque motivo ele não se operou no momento necessário. Adiou a operação da qual terminaria viajando para a eternidade.

Maluf tocou nesse ponto. Que assim fica como mais um capítulo à disposição dos historiadores. Entrevista de Maluf estendeu-se a outros caminhos.

UM EXEMPLO – Mas falei em perguntas gerando respostas favoráveis aos entrevistados. Cito o caso recente da entrevista do Presidente da Petrobrás Pedro Parente cuja administração, sem dúvida, é marcada tanto pelo êxito quanto pela honestidade de propósito. A Petrobrás deixou de ser um covil de ladrões, o petrolão está ao alcance de todos para confirmar. O juiz Sérgio Moro pode se transformar numa testemunha da história. Falei em entrevistas e também em respostas.

Pedro Parente anunciou investimentos na escala de 74,5 bilhões de dólares nos próximos cinco anos. Em matéria de André Ramalho, Rafael Rosas e Daniel Ritner, ele focalizou o projeto de redução das dívidas internacionais da empresa. O total do endividamento atinge 88 bilhões de dólares. Pedro Parente espera reduzi-lo, em semelhante prazo de tempo, para 77 bilhões de dólares. Isso significa que o montante das dívidas é maior do que o dos investimentos.

O processo de redução do endividamento é muito positivo. Negativa é a situação da estatal produzida pelos assaltos em série em seu patrimônio. Um dos exemplos de assaltos é o exemplo da sucateada refinaria de Pasadena.

Eis aí uma observação que faltou na entrevista do presidente da Petrobrás.

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