Uma página em branco e um grito mudo

Carlos Chagas

Raras vezes uma Sessão Legislativa começa como a de hoje: desimportante, dispensável e deplorável pela falta de conteúdo. Salvo inusitado, o ano legislativo de 2013 destina-se a passar em branco. Menos pelas contestações da mídia aos candidatos a novos presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros, mais pela falta de interesse da opinião pública pelas atividades parlamentares. Também, trabalho não haverá. Inexistem programas de ação para o ano em curso. Nem projetos de importância nem expectativa de votação de leis capazes de alterar a vida do cidadão comum. Numa palavra, pasmaceira, sob o risco de as mesmas práticas fisiológicas continuarem acontecendo.

Dizia o saudoso dr. Ulysses, com humor cáustico, que “pior do que o atual Congresso, só o próximo”. Vale a previsão também para as Sessões Legislativas de cada ano em sequência, caracterizando uma Legislatura que, tudo indica, só será melhor do que aquela a se iniciar em 2015.

Parte do ônus desse vazio deve-se aos partidos. Deles nada se espera, deles nada sairá, confirmando a observação do Barão de Itararé. O PT preocupa-se em não ser atingido mais do que já foi pelo barro jogado no ventilador por seus mensaleiros. Não há sugestões a fazer ao governo Dilma, sequer roteiros para enfrentar questões políticas, econômicas ou administrativas. Nenhuma proposta para ampliar direitos do trabalhador ou tirar a reforma agrária do marasmo.

O PMDB preocupa-se em ocupar espaços no governo, sem outros cuidados senão agradar a presidente Dilma e demonstrar subserviência às suas diretrizes. Nenhum projeto de amplitude nacional, como seria a reforma política ou a recuperação da economia posta em perigoso retrocesso e invulgar sossego.

Transformado em terceira bancada na Câmara, o novo PSD do ex-prefeito Kassab interessa-se em levar antigos oposicionistas para debaixo do guarda-chuva do palácio do Planalto, sem programa nem estatuto digno de registro.

As demais legendas de apoio ao governo empenham-se apenas em sobreviver. Nem PSB, nem PTB, nem PR, nem PDT, muito menos o PC do B animam-se a apresentar simples palpites para aprimorar as instituições, a legislação ou as agruras sociais à vista de todos. Formam clubinhos envolvidos nos próprios interesses.

Quanto às oposições, o gato comeu. Que alternativas propõem o PSDB, o DEM e o que restou do antigo Partido Comunista Brasileiro? Nem ao menos parecem organizados para contestar a situação, desesperançados com antecedência da hipótese de substituí-la nas próximas eleições gerais.

Sendo assim, tanto faz como tanto fez se o Legislativo volta a funcionar hoje. Uma página em branco, e um grito mudo.

RÁPIDO, A POLÍCIA!

Quantas empresas distribuidoras de energia deveriam ser fiscalizadas por conta de aumentos nas contas de luz praticados pouco antes que a presidente Dilma anunciasse a redução das tarifas? Muitas, nos estados onde atuam sob a benevolência dos governos locais e da Agência Nacional de Energia. Deram o golpe, informadas de que a presidente da República não demoraria a anunciar a iniciativa. Seria o caso da mobilização da Polícia Federal para investigar o abuso. Se o governo reduziu a conta em 18%, quem tinha aumentado em 6% ou mais, nos dois meses anteriores, evitou parte do prejuízo.

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