Uma pista para a Polícia Federal no caso de Pizzolato

Leonardo de Souza
Folha

Para fugir para a Itália, o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato forjou uma série de documentos. Henrique tirou RG, CPF, passaporte e até mesmo inscrição eleitoral falsos. Sem o menor pudor, fez tudo em nome de Celso, seu irmão morto, em 1978, num acidente de carro.

Condenado a 12 anos e 7 meses de prisão por corrupção, peculato e lavagem de dinheiro no processo do mensalão, Henrique pôs seu plano em prática em novembro de 2007, quando deu entrada, em Santa Catarina, para tirar uma carteira de identidade em nome de Celso. Daí foi um passo para o restante da papelada.

Para obter um passaporte, o falecido Celso precisava estar em dia com a Justiça Eleitoral. Em 2008, pronto, Celso votou (que partido terá recebido o voto do morto?). Celso prestou até declaração de Imposto de Renda à Receita Federal.

FALSIDADE IDEOLÓGICA

A Polícia Federal vai indiciar Henrique sob suspeita dos crimes de falsidade ideológica e uso de documentos falsos.

De acordo com a PF, uma fragilidade no sistema permite a qualquer um retirar documentos em nome de outra pessoa. O RG original de Celso era de São Paulo. Henrique tirou segunda via do documento de identidade do irmão no Rio e em Santa Catarina. Não há no Brasil um sistema de informações interligado entre os Estados que permita identificar, em tempo real, esse tipo de fraude.

Se tirou todos esses documentos, que dificuldade o falecido Celso teria para abrir uma conta-corrente? Nenhuma. Segundo a coluna apurou, Celso abriu uma conta num dos maiores bancos privados do país em 2008.

Quanto Celso recebeu em depósitos nessa conta? Quem depositou dinheiro para ele? Quanto ele movimentou? Fez saques no exterior? É a velha máxima de qualquer investigação, “follow the money”.

Que a polícia vá atrás e não permita que Henrique, solto pela Justiça italiana na semana passada, coma pizza com o rico dinheirinho do irmão morto.

One thought on “Uma pista para a Polícia Federal no caso de Pizzolato

  1. Aqui tem um detalhe que passou despercebido ou o articulista é um primário em matéria de dinheiro. Quem deseja passar despercebido NÃO FAZ SAQUE COM CARTÃO PRÓPRIO ou, nesse caso, com o do irmão MORTO no exterior. Quer dois exemplos? Cansei de ver executivos de multinacionais com cheques de 9900 dólares (quantia abaixo de 10 mil que dispensa informação nos EUA) nos anos 70, quando a onça de ouro custava 70 dólares, descontando-os na boca do caixa num certo banco novaiorquino ou, através de código, num escritório do WTC que operava para o paralelo do Jorge Piano. Pode-se facilmente transferir eletronicamente dinheiro hoje de um paraíso fiscal para a praça de Luxemburgo. E isso é moleza para qualquer diretor de banco, quanto mais para um bem conectado do BB. E introduzir essa grana na Comunidade Européia não é problema. Gente. PROBLEMA É NÃO TER GRANA OU SAIR COMO UM OTÁRIO COM OS BOLSOS CHEIOS de notas de 100d ou 500 euros NOS AEROPORTOS BRASILEIROS PARA CORRER RISCO DE SER FLAGRADO E PRESO PELA PF, QUE SÓ PEGA E SACANEIA DESINFORMADOS, como aquele chinês que anos atrás vendeu seu pequeno comércio, saiu com 30 e poucos mil dólares nos bolsos para emigrar com a família para a California e acabou assassinado numa prisão carioca 48 horas depois. E a família do chinês declarou que os dólares tinham sido comprados numa dessas casas de câmbio ABERTAS AO PÚBLICO, que vendem livremente e que todo mundo conhece, até mesmo a PF e a RECEITA. Resumo. Esse cara só será agarrado e extraditado se sair do território italiano, marcando bobeira, como o Cacciola marcou em Mônaco. A propósito, onde está o Cacciola desfrutando com aquela falcatrua do Banco Marka?

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