Uma rosa imortal, cultivada na genialidade de Pixinguinha e Otávio de Sousa

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Pixinguinha, um grande mestre da Música Popular Brasileira

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O compositor e mecânico Otávio de Sousa, na letra de “Rosa”, em parceria com Pixinguinha, expressa o mais alto refinamento do romantismo do início do século XX. Esta valsa foi gravada por Orlando Silva, em 1937, pela RCA Victor.

ROSA
Pixinguinha e Otávio de Sousa

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

3 thoughts on “Uma rosa imortal, cultivada na genialidade de Pixinguinha e Otávio de Sousa

  1. Pérola rara. Deve se revirar a cada “proibidão” que se tornou a cultura do morro no Brasil da escola de baixa qualidade, da aprovação automática e do culto ao anti professor.

  2. Rosa, a rainha da flores, é uma das mais belas canções da MPB.
    Extraido do Museu da canção:
    “A letra de “Rosa” é um capítulo à parte. Rebuscada, parnasiana e lindíssima foi composta pelo improvável Otávio de Souza, um mecânico de profissão que morreu jovem e nunca compôs nada parecido com “Rosa”. Um compositor de uma única música, uma obra prima.

    Conta a lenda que Otávio de Souza se aproximou de Pixinguinha enquanto o mestre bebia em um bar do subúrbio carioca para falar que havia uma letra que não saía de sua cabeça toda vez que ouvia a valsa. Pixinguinha ouviu e ficou maravilhado.

    A gravação feita por Orlando Silva foi a responsável pela popularização de “Rosa”, com erro de concordância e tudo no trecho “sândalos dolente”. Francisco Alves e Carlos Galhardo deixaram de gravar “Rosa” por terem se recusado a gravar “Carinhoso” destinado ao Lado A do mesmo disco. Sobrou, então, a valsa para Orlando Silva, que lhe deu interpretação magistral.

    “Rosa” é uma linda valsa de breque, mas de difícil interpretação vocal, especialmente para o uso de legatos, já que as pausas naturais são preenchidas por segmentos que restringem os espaços para o cantor tomar fôlego. Quanto à letra, é também um exemplo do estilo poético rebuscado em moda na época. O desafio de regravar “Rosa” foi tentado por alguns intérpretes, sendo talvez o melhor resultado obtido por Marisa Monte, em 1990, com pequenas alterações melódicas (confira em ‘O tempo não apagou’).

    Outra curiosidade é que “Rosa” era a canção preferida da mãe de Orlando Silva, Dona Balbina. Após sua morte, em 1968, Orlando Silva jamais voltou a cantar a canção pois sempre chorava.

    Extraído de http://www.eternasmusicas.com

  3. Pixininguinha realmente era bom, mas esse sua canção Rosa é de matar qualquer um de cansaço. A beleza que ele pretende exprimir se perde em hipérbolas repetitivas e enjoativas. Além disso, não consta que as rosas são as preferidas do beija-flor, pois rosas não têm nectar!
    Essa pretendida poesia parece muito com musicas de escola de samba feitas por compositores locais – só dá esplendor, colossal e etc e tal. Não, definitivamente não, isso não representa o que há de melhor, embora seja considerada assim por questão de saudosismo.

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