Uma senhora tarefa aguarda Joaquim Levy, o czar da economia

Flávio José Bortolotto

A expansão do crédito para os consumidores está no limite superior. O crédito para as empresas pode ainda se expandir muito, desde que se tomem medidas para aumentar sua lucratividade, que está muito baixa, ao redor de 8% ao ano, quando o normal seria de 15% a 20% ao ano.

Vejam, 8% ao ano, quando a inflação está a 6,5% ao ano, deixam as empresas sem margem para investimentos. Estando então as políticas de demanda praticamente esgotadas, tem o novo czar da economia Joaquim Levy de atuar mais nas políticas de oferta. Mas as políticas de oferta são lentas em dar resposta (no mínimo, em dois 2 anos) e no início, por reduzirem ainda mais a demanda, a curto prazo tendem a contrair a economia.

Não tem mistério, no plano fiscal, reduzir as despesas de custeio do governo. Mas esse objetivo é limitado pela política, porque não se pode ir reduzindo ministérios sem perder a base aliada tão necessária, não se pode ir demitindo cabos eleitorais, para não perder votos etc., assim funciona a democracia, fazer sempre o maior número de votos possíveis, por isso é um regime caro, mas Levy pode de cada dois funcionários que se aposentam, só contratar um e remanejar o resto, e aumentar “um pouco” a carga tributária, que apesar de alta para países subdesenvolvido, com renda per capita de US$ 14 mil/ano, sempre se pode aumentar um pouco.

JUROS MAIS ALTOS

No plano monetário, Levy tem que seguir uma política um pouco mais apertada, com juros médios ainda mais altos (Selic e o resto). No plano cambial, tem que desvalorizar um pouco mais o real, talvez até 2,90/3,00 reais por dólar, para ajudar em nossa estratégica balança comercial (exportações líquidas).

Sobretudo, é preciso restaurar a confiança dos agentes econômicos e despertar ao máximo as forças produtivas da nação, que estão desanimadas. Tudo isso, mantendo a inflação convergente para o centro da meta de 4,5% ao ano e sem entrar em recessão, o que aumentaria muito o desemprego, o que não se admite num governo PT-base aliada e no que eu concordo. O desemprego é o pior dos males. Retomar o crescimento é uma senhora tarefa, digna dos maiores elogios a Joaquim Levy, por se propor a enfrentá-la.

O ministro da Fazenda que sai, após quase nove anos, Guido Mantega, fez um bom trabalho e está sendo injustiçado no momento, porque apesar de algumas “derrapagens econômicas” (represamento de combustíveis/tarifas públicas, interferência grande nos mercados de energia elétrica etc., câmbio sobrevalorizado em no mínimo 20%, excesso de desonerações de impostos pontuais etc.), manteve o desemprego menor que antes e a inflação abaixo do teto da meta de 6,5% ao ano, o que deu a vitória à presidenta Dilma nas últimas eleições.

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