Uma serenata da SIlvio Caldas e Orestes Barbosa

O jornalista, escritor, compositor e poeta carioca Orestes Dias Barbosa (1893-1966), em parceria com Silvio Caldas, fez uma “Serenata” para o seu amor.  Silvio Caldas gravou esta canção, em 1957, pela Columbia.

SERENATA
Silvio Caldas e Orestes Barbosa

Dorme, fecha esse olhar entardecente
Não me escute, nostálgico, a cantar
Pois não sei se feliz ou infelizmente
Não me é dado, beijando, te acordar

Dorme, deixa os meus cantos delirantes
Dorme, que eu olho o céu a contemplar
A lua que procura diamantes
Para o seu lindo sonho ornamentar

Na serpente de seda dos teus braços
Alguém dorme ditoso sem saber
Que eu vivo a padecer
E o meu coração feito em pedaços
Vai sorrindo ao teu amor
Mascarado desta dor

No teu quarto de sonho e de perfume
Onde vive, a sorrir, teu coração
Que é teatro da ilusão
Dorme, junto aos teus pés, o meu ciúme
Enjeitado e faminto como um cão     

           (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

6 thoughts on “Uma serenata da SIlvio Caldas e Orestes Barbosa

  1. Orestes Barbosa foi sem dúvida um dos maiores poetas e compositores brasileiros. Seu maior interprete foi Silvio Caldas que teve destaque maior a meu juizo com a canção “Chão de Estrelas”. É verdade podemos dizer sem errar que Silvio Caldas foi o nosso grande seresteiro como lembra Jacob. Seresta eram músicas cantadas pelas ruas, principalmente à noite, ao clarão da lua. Daí dizer-se que eram seresteiros. Com o passar dos anos consagou-se como um estilo. Páreo durissímo para Orestes Barbosa foi Cândido das Neves o popular “Índio” que teve em Orlando Silva seu maior e melhor interprete.Pena que a juventude brasileira não conheça a história de nossa música, que riquissíma.

  2. Vasco, sobre Silvio Caldas tenho duas lembranças: 1) Conheci Silvio Caldas no famoso Café Nice que ficava na Av. Rio Branco, Distrito Federal, onde se reuniam compositores e cantores uns famosos outros nem tanto em 1952. Silvio tinha 30 minutos de participação na Rádio Mundial que funcionava em frente do Nice na galeria Trianon às 13,30h duas vezes por semana. Silvio ainda não tinha os cabelos brancos. Nós entravamos para assistir. Silvio era um exímio cantor de samba. Não este samba “trangênico” que cantam hoje. Sempre muito elegante, era um craque.
    Segunda lembrança: 1) Silvio casou anos depois com uma moça bem mais nova que ele, creio lá por volta dos anos 60/70. Tiveram um filho e o levaram a noite para um passeio. Na volta ao encostarem o carro na calçada em Copacabana ou Ipanema o garota salta pela outra porta. Fatalidade do destino, vem um carro passando atropela e mata o garoto. Isso acabou com o Silvio. Depois disso ele se recolheu em um sítio em São Paulo e vez por vez aparecia. A tragédia foi tamanha que deixou o povo comovido. Eu fique triste e com pena do Silvio.

  3. Vasco acho que você poderia descobrir de quem é a música que homenageou Noel Rosa nos 30 anos de sua morte. Creio que tenha o título de : “Vila Isabel veste luto”. Começaria assim: Vila Isabel veste luto! Pelas esquinas escuto! Violões em funeral! Antecipadamente agradeço.

  4. Certo dia ouvi uma pessoa, não me lembro quem, contar a história dessa música – serenata. O entrevistado disse que Orestes Barbosa, tinha uma única filha. No dia do casamento dessa filha, ele, feliz, mas, já com saudades e uma pequena dose de ciúme, chegou no quarto onde a filha costumava dormir, olhou para a cama, onde ele costumava beija-la antes de dormir e escreveu esta canção. Gostaria de saber mais sobre isso, se é verdade, ou não.

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