Uma visão pessimista de quem planta, mas não consegue colher, na poesia parnasiana de Raul de Leoni

Ingratidão | Poema de Raul de Leoni com narração de Mundo Dos Poemas -  YouTubePaulo Peres
Poemas & Canções
O advogado e poeta Raul de Leôni (1895-1926), nascido em Petrópolis (RJ), tornou-se diplomata em 1917. Com “Ode a um poeta morto”, 1919, conquistou fama nos meios literários. Pouco depois de eleito deputado fluminense, retirou-se para Itaipava, onde pretendia curar-se da tuberculose que sofria, mas morreu aos 31 anos.
 
INGRATIDÃO

Raul Leôni

Nunca mais me esqueci! … Eu era criança
E em meu velho quintal, ao sol-nascente,
Plantei, com a minha mão ingênua e mansa,
Uma linda amendoeira adolescente.

Era a mais rútila e íntima esperança…
Cresceu… cresceu… e aos poucos, suavemente,
Pendeu os ramos sobre um muro em frente
E foi frutificar na vizinhança…

Daí por diante, pela vida inteira,
Todas as grandes árvores que em minhas
Terras, num sonho esplêndido semeio,

Como aquela magnífica amendoeira,
E florescem nas chácaras vizinhas
E vão dar frutos no pomar alheio…  

2 thoughts on “Uma visão pessimista de quem planta, mas não consegue colher, na poesia parnasiana de Raul de Leoni

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *