Uma visão poética de viver, sofrer e amar

O desenhista, cinéfilo, jornalista, advogado, tradutor, cronista e poeta paulista Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), conhecido como o Príncipe dos Poetas Brasileiros, em um simples soneto conta toda uma trajetória de uma vida de luas e de amores.

VIVI, SOFRI, AMEI

Guilherme de Almeida

Vivi. Quando cheguei, trazia os olhos cheios
da saudade de um céu que foi meu mundo antigo.
A vida me fez mau. E os homens por castigo,
odiaram-se. E eu também, porque eram maus, odiei-os.

Sofri. Tudo o que tive – ideais, sonhos, anseios –
naufragou numa pobre lágrima… E, comigo,
mais de um homem chorou, mais de um me disse: “Amigo!”
A dor tornou-nos bons: perdoaram-me, perdoei-os.

Amei: vivi, sofri contigo. Em um segundo
resumimos a vida e, em nosso ninho, o mundo…
No entanto, a ti que amei, que o amor fez incapaz

de ódio – esse mal que é um bem, porque ele só perdoa -,
por mais que eu seja bom, por mais que sejas boa,
nunca te perdoarei, nunca me perdoarás!

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

One thought on “Uma visão poética de viver, sofrer e amar

  1. Grande Guilherme de Almeida, foi um dos idealizadores da famosa “Semana de Arte de 1922”. Foi o primeiro modernista a entrar, em 1930, para a Academia Brasileira de Letras. Ele traduziu em 1947 uma preciosidade que está entre os meus preferidos, com frequência releio: “As Palavras de Buddha”, publicado pela Livraria José Olympio Editora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *