União de Bolsonaro e Guedes não existe, é só um “casamento de fachada”

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Vera Magalhães
Estadão

Quando um casamento é de fachada, as juras de amor podem até parecer sinceras, mas o caráter fake da união não demora a se apresentar. O que era esperado para os primeiros meses de governo, caso Jair Bolsonaro fosse eleito, já começou a se mostrar antes mesmo do primeiro turno na relação entre ele e seu “posto Ipiranga”, Paulo Guedes.

Envaidecido e “empoderado” pela alcunha que lhe foi dada pelo candidato, Guedes se pôs a falar sobre propostas ainda não consignadas no plano de governo de Bolsonaro e bastante controversas sob os aspectos econômico e político.

VOLTA DA CPMF – No caso do estudo de reforma tributária, o esforço dos aliados do candidato de dizer que se tratava de “fake news” sua intenção de recriar a CPMF não dá conta de todos os aspectos duvidosos da proposta. Guedes defendeu, sim, a criação de um tributo que, em substituição a outros, teoricamente traria um efeito “neutro” sobre a carga tributária, mas incidiria sobre movimentações financeiras. Inclusive sobre transações em dinheiro. No crédito e no débito.

Justificou sua razoabilidade dizendo que seria um “imposto único”. Mas o tributo não incluiria a CSLL nem o Imposto de Renda, em relação ao qual sua proposta é ainda mais discutível, pois levaria a uma perda de arrecadação bilionária para a União e reduziria a tributação justamente para aqueles que têm renda mais alta.

Esta proposta não foi desmentida por Bolsonaro como a da CPMF – foi, inclusive, elogiada por ele em entrevista do hospital à Folha de S.Paulo. Talvez o candidato não a tenha compreendido.

CRISE CONJUGAL – E aí adentramos nos problemas políticos que começam a aparecer no casamento arranjado entre o deputado corporativista, cuja atuação sempre foi voltada para aumentar gastos, beneficiar setores do funcionalismo e com viés estatizante, e o economista liberal old school.

Guedes recebeu uma ordem de Bolsonaro & filhos para falar menos. Eis o momento em que alguém envaidecido pela possibilidade de ver suas ideias em destaque no debate público, bem sucedido na carreira na iniciativa privada, se vê diante da lógica militarista da hierarquia e da necessidade política da composição. Portanto, “desempoderado”.

O que fez? Continuou falando, para explicar as controvérsias criadas por suas falas anteriores. Outra delas diz respeito a uma “reforma política” em que deputados aceitariam bovinamente abrir mãos de seus votos no parlamento, prerrogativa que lhes terá sido dada agora, por voto direto da população, para acatar uma nova ordem em que partidos teriam superpoderes para aprovar projetos.

É UM DELÍRIO – A proposta é um misto de autoritarismo delirante e ingenuidade atroz, por desconhecer o funcionamento básico do Congresso. Imaginar que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que depende desses deputados para se reeleger, encamparia essa ideia, é de novo sinal de falta de capacidade mínima para entender a lógica congressual.

Mais: a ideia contraria todo o discurso do próprio Bolsonaro, que tem feito críticas ferrenhas aos partidos, já esteve em quase todo o abecedário de siglas do País e tem dito que vai governar com os “melhores” do Congresso, numa homenagem ao baixo clero do qual sempre fez parte antes de se tornar um case midiático com possibilidade de virar presidente da República.

TOM BLASÉ – Em entrevista para um perfil seu publicado pela revista Piauí, Guedes respondia em tom blasé sobre como agiria caso essas esperadas desavenças com Bolsonaro se concretizassem. Dizia que, nesse caso, iria cuidar de sua vida. Mas brincava – entre envaidecido e “empoderado”– que só depois de ajudar a eleger o “capitão”.

A crise no casamento de conveniência, no entanto, começou antes. A tempo de que seja notada pelo eleitor enternecido pelas juras de amor verdadeiro.

29 thoughts on “União de Bolsonaro e Guedes não existe, é só um “casamento de fachada”

    • Manifesto dos artistas interessados na Lei Rouanet para a propria sobrevivência:

      “Democracia sim, Bolsonaro é uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial e é preciso recusar sua normalização e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós”.

      Não sei o que eles querem dizer com essas circunvoluções bostatórias, mas tem um sabor baiano, sem dúvida.

  1. Giro de news #elenao

    Bispo orienta eleitores a não votar em candidato que defende uso de armas e é atacado na rede

    Empresários, economistas e artistas lançam manifesto contra Jair Bolsonaro

    Daniela Mercury desafia Anitta e mulheres do Brasil a aderirem à campanha #EleNao

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  2. Esses jornalistas estão iguais aquelas colunas de tiro das infantarias antigas: enquanto um está disparando, o outro está carregando o mosquete.

    Mas tá difícil acertar o Capitão né, jornalóides?

  3. Outra Jornalista presunçosa apregoando que o Paulo Guedes talvez não tenha compreendido o que fora questionado sobre tributos.

    Depois discorre que o Economista não possui capacidade mínima de entender a lógica congressual que é aquele velho jogo do “toma lá dá cá” que a massa dos congressistas desonestos e descarados prática desde tempos imemoriais.
    Procure escrever com mais decência e menos hipocrisia.

  4. Vera Magalhães + Marcelo Madureira + Carlos Andreaza:

    Fugi deles e agora somente assisto “Os pingos nos is” na Radio Jovem Pan – SP com Augusto Nunes e Felipe Moura Brasil.

    Vera Magalhães é o Reinaldi Azevedo de saias, não leio nem ouço.

    Tudo tendencioso e manipulado.

  5. Nuncadantes na história deste país, a mídia levou um esculacho tão gigantesco.
    Falam para o teclado, pois até a tela do computador já é Bolsonaro.

  6. Se os parlamentares aceitam os tais “acordos de líderes” para aprovar diferentes matérias, talvez não se abespinhassem com a idéia do voto de qualidade, pensado pelo economista Guedes. Ou estou errada? Cadê o sr Bendl, para me ajudar?

    • A grande sacada o P. Guedes é soltar parte do orçamento direto nas prefeituras, isso pode ser o diferencial do apoio da base, e quebrar a força das bancadas do ESTADOS.

  7. O que poucos falam é que nunca houve no Brasil um movimento tão autoritário e de características tão claramente fascistas como a pressão que artistas, mídia e supostos intelectuais estão fazendo com OUTROS artistas e intelectuais.
    É um verdadeiro cyberbullying pressionando para que todos se posicionem iguaizinhos, em ordem unida que tanto repelem. É um paradoxo absurdo que vai ruir como um castelo de areia no dia 7. Ignoram a opinião popular taxando-a de imbecil. Não admitem a eleição através do voto, só quando vencem. Não suportam o contraditório e consideram inimaginável a alternância no poder decidida pela MAIORIA. São os NEOFASCISTAS DE ESQUERDA, nova jabuticaba brasileira.

  8. Defende recriar a CPMF e quer apoio popular? Ninguém com um mínimo de inteligência conceberia isso estando sóbrio. Pior, falou a um público seleto e com portas fechadas. Seu nome veio associado esperança de eficiência. Quem defende a CPMF, não é sério. Defende que se burle a legalidade para pegar ilícitos. Deixará este absurdo de herança para os outros que virão. Não destinar o recurso para o fim a vendeu como destinação deste absurdo é o mínimo que se espera de gente desta estirpe. Com toda certeza, não está mais ajudando a Bolsonaro como deveria.

  9. Esta jornalista cooptada pelo Santo Merendeiro deveria ter mais discernimento e profissionalismo. Escrever tamanha besteira é imperdoável para jornalista que preza seus leitores. LAMENTÁVEL !

  10. Vera Magalhães é uma defensora doentia do PSDB. Quando surgiu Bolsonaro parou imediatamente de criticar o PT.
    Pensando bem, eu sabia que ela era tucana há muito tempo. Só parei de assisti-la porque o desespero a levou a tirar a máscara.
    Fico imaginando se ela tivesse tido autocontrole e fingisse melhor… Talvez eu ainda estivesse ouvindo suas interpretações na JP.

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