Urna eletrônica, um enigma por falta de divulgação e treinamento

Pedro do Coutto

Em artigo publicado na edição de sábado 27 da Folha de São Paulo, Mauro Paulino, diretor geral do Datafolha, e o diretor do Instituto, Alessandro Janoni, focalizaram objetivamente as prováveis dificuldades que os eleitores deverão enfrentar para escolher no teclado os números de seus candidatos nas urnas do próximo domingo. Na pesquisa que divulgou sobre as eleições presidenciais, na noite de sexta-feira, o Datafolha testou também se os entrevistados estavam aptos a utilizar as teclas do sistema eleitoral. A eles foram apresentados tabletes semelhantes às urnas eletrônicas.
Vejam só: parcela bastante elevada erraram e os erros apresentaram surpresas. Por exemplo, 57% dos que manifestaram intenção de votar em Dilma Rousseff acertaram, enquanto 43% se equivocaram. Dos que pretendem votar em Aécio Neves, 45% acertaram. A maioria portanto, errou. Finalmente dos que anunciaram voto em Marina Silva, somente 37% acertaram. O erro, no  caso da ex-senadora, alcançou nada menos que a parcela de 63%.
FOI UMA SURPRESA…
Falei em surpresa. Pois é. Em primeiro lugar porque as perspectivas de engano na utilização das teclas coloridas não coincidem com o resultado geral do levantamento sobre intenções de voto. Estas apontaram 40 para Dilma,27 para Marina e 18 pontos para Aécio Neves.
Em segundo lugar em face de Marina Silva encontrar-se fraca nos segmentos de renda baixa e forte nos grupos de renda mais elevada. Aécio Neves enquadra-se neste mesmo panorama. Era de esperar que os erros fossem cometidos em maior escala pelos integrantes das faixas de menor escolaridade. Não aconteceu isso.
Como explicar tal fenômeno? Difícil. Mas pode se atribuir a uma falta de divulgação do processo tanto pelos partidos políticos, principalmente eles, quanto pelo Tribunal Superior Eleitoral. As legendas , inclusive, tinham até mais condições de promoverem treinamentos práticos utilizando as numerações de seus candidatos. Porque deixaram passar a oportunidade?
Somente a partir do último domingo é que o PSB passou a veicular inserções com o número de Marina Silva. É possível que, a partir de agora, os demais partidos adotem o método. Ainda há tempo, pouco mas há. O horário eleitoral termina na quinta-feira. Os debates se encerram na sexta, com o debate entre os candidatos à presidência da República, na Rede Globo, na qual a audiência é sempre muito alta.
O voto eletrônico, neste primeiro turno, tem a sua complexidade, acrescento eu. Basta dizer que o eleitorado terá de dar cinco votos, nessa ordem: Primeiro para deputado estadual acionando 5 algarismos; segundo para deputado federal com quatro algarismos; terceiro para senador teclando três algarismos; quarto tocando dois algarismos para votar no candidato a governador. Quinto e último acionando novamente dois algarismos para Presidente da República. Em todos os casos, depois de tocar as teclas com os números correspondentes, os eleitores têm que acionar a tecla existente destinada à confirmação de cada voto.
Voltando ao texto de Mauro Paulino e Alessandro Janoni, os dirigentes do Datafolha sustentam que as mudanças mais intensas nas intenções de voto ocorrem no Nordeste, região mais atingida pelos programas sociais do governo, especialmente o bolsa família.

    8 thoughts on “ Urna eletrônica, um enigma por falta de divulgação e treinamento

    1. È muito fácil lidar com essa máquininha de araque que em Países mais sérios e bem mais estruturado de tecnologias avançadas ainda estão votando com o papelzinho nas eleições.
      Pois, bem, é só ZERAR tudo, coloco tanto zero nela que parece que vai explodir………
      eh!eh!eh
      Asssim está ANULANDO SEU VOTO……

    2. Não confio na urna eletrônica. Mais ainda depois da exposição, feita recentemente, por um expert no assunto em programa de televisão. A denúncia é tão grave que merecia, de ofício, investigação por parte de Autoridade Eleitoral, que calou. Foi denúncia pública.O expositor demonstra bastante conhecimento e firmeza no que disse. A conferir neste seguinte endereço https://www.youtube.com/watch?v=xATaNCsre9Q
      Que as autoridades respondam.
      Jorge Béja

    3. Em 1992, ainda totalmente cru nos meandros da Informática, estava eu em um escritório de contabilidade e o jovem funcionário dali, querendo exibir conhecimentos na área, chamou-me para mostrar-me suas habilidades. Acessou as informações (a escrituração) de uma das empresas atendidas e após mostrar-me saldos, balancetes, registros e o mais, tomou o rol de “Duplicatas a Pagar” e deletou uma delas; voltou ao
      balancete e mostrou o saldo da referida conta que ESTAVA INALTERADO. Apagou um valor e ???
      Isso em 1992. A Informática evolui constantemente. Já são decorridos 22 anos.

      Então, creio firmemente – mesmo sem saber como fazer – creio que desviar, para um determinado partido, ali tratado como um número, um percentual da votação dos outros demais todos, é coisa que qualquer egresso de um bom curso de Computação sabe fazer com a mesma facilidade que criança tem em manusear um telefone celular.

      Posso até confiar em urna eletrônica… EM QUE EU NÃO CONFIO É NA URNA ELETRÔNICA BRASILEIRA !!!

      Ainda vai nascer quem me convença do contrário!

    4. Comungo totalmente com o comentário do leitor senhor Aluísio…
      Na minha participação no blog, por reiteradas vezes manifestei a minha opinião, semelhante. .
      EU NÂO CONFIO NA SINISTRA URNA ELEITORAL BRASILEIRA, que vale menos que àquelas usadas pela Caixa Econômica Federal, para apurar o resultado das modalidades lotéricas, fornecendo um recibo do jogo jogado.
      Detalhe sinistro, duvidoso e assustador, que comprova, no caso, que o meu, o seu, o nosso VOTO, vale menos que uma aposta de loteria, pois não fornece comprovante do voto dado, uma prova para dirimir eventuais dúvidas, e auditagens sobre resultados.
      Na internet, existem vários sites que abordam e contestam, exatamente, a confiabilidade da urna brasileira. Apareceu até aplicativo para o cidadão fiscalizar o seu voto na seção em que vota. O link está no comentário do senhor José Augusto Aranha. Vale conferir.
      E não é de agora, não… os alertas vêm de longa data e outras eleições, com resultados aceitos e proclamados, já que a urna é abençoada pelo Superior Tribunal Eleitoral e o seu presidente, o ministro Dias Tofoli, descarta e ignora qualquer suspeita sobre a mesma.
      Ficamos assim… somos obrigados a acreditar, na palavra do STE e no resultado que venha a ser proclamado para as eleições, pela nossa rapidinha urna jabuticaba…
      Isso, até o dia em que hackers, entendidos na matéria, provocarem um angu de caroço para as sinistras urnas… inconfiáveis…

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