Utilizar a Receita não é novidade, sempre gozou de impunidade. A ditadura perseguiu a Tribuna durante 10 anos, penalizando empresas que anunciavam no jornal. Ninguém protestou.

É sempre bom começar com um ditado popular: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”. A Receita Federal do mundo inteiro, é a fortaleza do sigilo. O cidadão, obrigado a desnudar toda sua privacidade, espera ou admite, que o cumprimento dessa exigência não se torne público, através da palavra que não pode ser substituída: V-A-Z-A-M-E-N-T-O.

Antes de mais nada, se esse V-A-Z-A-M-E-N-T-O foi ordenado e executado pelo governo, que nomeia e controla a Receita Federal, (e deve ter sido mesmo), foi BURRICE ampla, geral e irrestrita.

Disparada nas pesquisas e até mesmo na apreciação da cúpula adversária, por que os coordenadores (?) de Dona Dilma, cometeriam a heresia de atirar contra o próprio gol? É bem verdade que não existe na liderança (Ha!Ha!Ha!) situacionista, uma só mente brilhante.

Portanto, tudo pode acontecer, neste caso, altamente improvável. Mas como os arquivos da Receita Federal se mostram tão vulneráveis a pesquisas, mas exibem também uma fila enorme de gente COMPRANDO e VENDENDO dados SIGILOSOS, algum “gênio” da campanha de Serra, pode ter tido a ideia de “atirar no próprio pé”.

Não seria surpreendente e não provocaria maiores transtornos ou prejuízos a uma candidatura que não existe.

Isso apenas um suposição, como a outra, tão surrealista quanto o resto que acontece neste país de dívida I-M-P-A-G-Á-V-E-L e que alguns classificam como SEM IMPORTÂNCIA.

O governo Lula tem amplo conhecimento dos métodos de operar a quebra de sigilo, de poderosos e até de humildes “caseiros”, como aconteceu no caso do então poderoso Ministro Palocci. Ele perdeu o cargo, o governo perdeu a credibilidade que já não era muita.

Denunciado pelo “caseiro”, o Ministro da Fazenda, que já viera de Ribeirão Preto com a fama, o conceito e o rótulo de praticar abertamente o que se chama de ABUSO DE PODER, manipulou de todas as formas os subterrâneos, as entranhas e as vísceras da Caixa Econômica e do Banco do Brasil (potências financeiras) para destruir um humilde mas compenetrado “caseiro”.

Demitido, denunciado e julgado pelo Supremo Tribunal Federal, Antonio Palocci foi atingido duramente. Como Sansão, não perdeu o cabelo e sim o cargo, de onde emanava, que palavra, sua força. Morra Palocci, com todos que aqui estão.

No julgamento do Supremo, Palocci ficou completamente nu em plena Praça dos Três Poderes. Só não foi punido severamente e preso, a pedido do próprio Lula, pedido feito através do Ministro mais íntimo de sua casa. “Argumento” usado pelo presidente da República: “O Palocci já foi demitido, perdeu o cargo e o prestígio, não vale mais nada”.

Mas como na trajetória de Lula as punições não valem para sempre, (como ele convenceu o Supremo), logo depois o próprio Lula REABILITAVA Palocci. Lançou seu nome para governador de São Paulo. O que só não se concretizou porque Palocci não conseguiu “empolgar” o PT, e Lula viu no episódio, um ganho político e eleitoral maior, em dose dupla.

Afastado Palocci, (e não por ele, Lula) o jogador de xadrez (artesanal), que é o presidente, decidiu derrubar também o IRREVOGÁVEL MERCADANTE. Convenceu-o a deixar o Senado e se candidatar a governador. Lula, que geralmente “não sabe de nada”, sabia de um fato, que era também do domínio público absoluto: Mercadante não se elegeria governador. Para o Senado, estaria reeleito, se não ganhasse de Tuma, do (engraçado) Netinho de Paula, e do “Disque Quercia para a Corrupção”, então não valia mesmo apóia-lo. E depois de 8 anos de desprezo e desinteresse pelo vice da sua chapa presidencial em 1994, agora se livrava dele para sempre.

(Tudo isso, a eliminação dos principais nomes do PT, a certeza de que Lula deixa o governo no dia 1º de janeiro de 2011, mas não deixa a vida pública, a política, e o prazer de perder e ganhar eleições).

Agora não se sabe como terminará o episódio da “procuração falsa”, falta menos de um mês para a eleição, Serra não consegue conquistar a oposição e ainda é hostilizado pelos correligionários, que tentam jogá-lo  contra Aécio e desmoralizar sua campanha, mediocríssima. Já disse aqui: “Toda vez que sai de casa, Serra perde voto”.

A midia fez um estradalhaço tremendo, como se esse fosse o comportamento de sempre. Quem dera. A Liberdade de Imprensa (ou de Expressão, já que as formas de comunicação se multiplicaram) só serve quando atende os interesses dos órgãos que dominam o país na democracia e na ditadura.

Enriquecendo, se fortalecendo e ficando mais poderosos, os órgãos que agora retumbam, ficaram silenciosos, calados e sem dar uma palavra, quando a própria Receita Federal era mobilizada para MASSACRAR A TRIBUNA DA IMPRENSA de papel.

***

PS – Apenas uns dados, que se prolongaram por 10 anos. Dados simples, mas elucidativos, com nomes, datas e a obtenção do massacre do único jornal diário que resistiu à ditadura, e do Ú-N-I-C-O jornalista PROIBIDO DE ESCREVER, de exercer a sua profissão.

PS2 – Subjugado o jornal pela CENSURA OSTENSIVA, que para os jornalões era apenas maquiagem, continuamos a resistência. Decidiram então usar outros métodos que só terminaram ou terminariam depois da ANISTIA, ampla, geral e irrestrita.

PS3 – Resolveram então mobilizar esta mesma Receita Federal. Seu Secretário-Geral, Orlando Travancas, P-E-S-S-O-A-L-M-E- N-T-E, ia às empresas que anunciavam na Tribuna.

PS4 – Levava uma equipe de AUDITORIA, e se apresentava para “examinar as contas”. Os responsáveis perguntavam : “Por que isso, nunca tivemos problemas com DECLARAÇÕES?”

PS5 – Travancas mostrava o anúncio na Tribuna, propunha: “Os senhores não estão anunciando na Tribuna? Se assumirem o compromisso de NÃO ANUNCIAR MAIS, IREMOS EMBORA PARA SEMPRE”. Quem insistiria em anunciar?

PS6 – Encurtando: isso durou 10 anos, não houve protesto de órgão algum, ou de Associações de Jornais, que só representavam os que COMPACTUAVAM COM A DITADURA.

PS7 – Se tivessem PROTESTADO 1 POR CENTO DO QUE PROTESTAM AGORA, já teriam provocado algum efeito.

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