Vale a pena ler de novo algumas notas de Helio Fernandes

Por determinação de Helio Fernandes, estamos republicando hoje algumas notas dele que foram postadas nos últimos dias.

Helio Fernandes

Foi entrevistada semana passada por um programa da TV Globo. Apesar da “audiência cativa” do canal, ninguém falou nada, não teve a menor repercussão. Na segunda-feira, bem tarde, quase terça, Dona Marina foi entrevistada pela TV Cultura.

Desperdício, novamente: tempo perdido. Além da TV Cultura de hoje ter como audiência um por cento da Organização Globo, Dona Marina tem o mesmo “dom da precariedade”. Assim, a repercussão será ainda menor e tão chata quanto a da semana passada.

DOIS ASSUNTOS DE REPERCUSSÃO

São debatidos diariamente, os interesses são pessoais e colossais, todos atacam e se defender, é assim mesmo. Pedem desculpas, cometem “lapsos” de memória, e enganam, se esquecem, se desorientam.

Como não há explicação, apenas duas perguntas tinham:

Biografias: É proibido proibir?

Pesquisas eleitorais: se Dona Marina não for candidata, seus supostos votos iriam para Dilma ou para Campos. Respostas para o Procon.

GOVERNADOR DO ESTADO DO RIO

Tremenda confusão, e volatilidade de candidatos. A cada dia aparece mais um. Mas os que lideram desde antes, lideram até agora: Lindbergh e Garotinho. Venho dizendo isso há meses, não havia nem surgido o “Fora, Cabral”, que não dá sinais de enfraquecimento.

Apesar de cabralzinho fazer força para virar ministro, o que não acontecerá, por falta de coragem de Dona Dilma. A coragem dela se esgotou com a doação criminosa do campo de Libra. Até Picciani dá palpite na sucessão. Isso mesmo: esse Picciani é acusado de exploração de trabalho escravo.

LINDBERGH E O PT

Gostariam de retirar sua candidatura a governador. Não querem repetir a covardia que praticaram contra Vladimir Palmeira, que ia ser eleito governador, Lula tinha medo que, com sua liderança, Palmeira fosse candidato a presidente.

O senador não precisa ter medo de que o PT retire sua candidatura. Nem é elogio. È que Lula considera que Lindbergh não ganha, e mesmo se ganhar, não chega a presidente. Lula “não sabe de nada”. Lindbergh só pode perder para Garotinho e pronto. Pezão não aparece nem na foto nem no aparelho retrovisor.

O HILARIANTE EDUARDO CAMPOS

Há muito tempo vem pregando “o novo na política”, e fala sempre como se estivesse diante do espelho. Agora, garante: “A opinião pública não suporta mais esse revezamento PT-PSDB”. E com toda humildade proclama: “Os sinais mais visíveis são de que essa mudança virá do Partido Socialista”. E nem se oferece, mas se impõe: “O personagem dessa modificação-renovação sou eu”. Socialista? Há!Ha!Ha!

NEWTON CARDOSO, INTOCÁVEL

Está protestando, publicamente, pelo fato de ser revistado em aeroportos. Quer passar sem que ninguém o toque. Há anos, suas contas bancárias, aqui e no exterior, ganham a mesma liberdade e liberalidade de não serem revistadas nem investigadas.

Na Copa do Mundo de 1998, na França, um amigo me mostrou um edifício luxuoso (em frente ao famoso Bar des Théâtres) e disse: “Quem tem apartamento aqui é o Newton Cardoso”. Contei tudo na Tribuna impressa. Logo depois, se separava, a mulher acusava: “Sua fortuna é no mínimo de 3 bilhões”. Fizeram volumoso acordo, ela nunca mais se lembrou de nada.

SELIC VAI CONTINUAR AUMENTANDO

Na penúltima reunião do Banco Central, quando a taxa foi para 9,5%, escrevi: “Ainda este ano chegará aos dois dígitos”. Agora, vou mais longe. Ainda em 2013 ou então no início de 2014 chegará aos dois dígitos. E talvez em março comece a cair.

A Selic de FHC era inacreditável. Para não esquecer: o então presidente levou a Selic a 45 por cento, que loucura. Passou o governo para Lula em 26 por cento, 11 por cento seria até razoável, se é que essa palavra pode ser usada.

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PS – Isabel, a grande campeã do vôlei de praia, musa eterna, obteve domingo, fora das quadras, duas vitórias memoráveis. Suas filhas Carol e Maria Clara ganharam o importante torneio do Rio, em Ipanema.

PS2 – E o filho, Pedro Solberg, ganhou facilmente o mesmo torneio. Ele já é o primeiro do ranking brasileiro e o segundo do mundo. Não demora e chega a primeiro. Talvez ainda neste 2013.

PS3 – Corrupção em todos os lugares. Manchete de ontem da Folha: “Em 5 anos, o SUS sofreu desvios de 500 milhões”. Atender o cidadão? Um ano para a consulta, dois ou três para alguma coisa mais grave.

PS4 – O ministro Aldo Rebelo anunciou: “Vou deixar o ministério em dezembro”. Só isso? Fontes do PCdoB falaram: “Ele vai disputar o governo de São Paulo”. Há!Ha!Ha! Não tem votos para deputado, quanto mais para governador. Na última eleição, quase perdia para o cunhado.

PS5 – O sonho de Aldo: ser vice de Alckmin, que será reeleito facilmente. O “poste-Padilha” não chega nem perto. Se conseguisse isso, que maravilha viver. Garantia o cargo por 3 anos e três meses, assumiria o governo por 9 meses.

PS6 – Alberto Goldman, estanilista, fez essa jogada com sucesso. Vice de Serra, foi governador do mais poderoso estado. Por nove meses, mas foi.

10 thoughts on “Vale a pena ler de novo algumas notas de Helio Fernandes

  1. Mestre Helio. A sabotagem contra a Tribuna da Imprensa continua! Percebi há alguns meses atrás, na minha “Teoria da Conspiração”, que estava sendo prejudicado, quando perdi meu email. Quem sou eu? Ninguém! Mas veio a confirmar quando grandes jornalistas e colaboradores da Tribuna, reclamaram que tiveram seus email bloqueados. Posteriormente surge a denuncia que o grande irmão branco do norte dominava a nossa comunicação.

  2. Ao dar uma entrevista antes de morrer, falando de alguns políticos da sua época o Figueiredo me fez pensar e questionar o seguinte:
    “OS CACIQUES POLÍTICOS DE ANTIGAMENTE ERAM OU NÃO MELHORES QUE OS DE HOJE”?

    ACM
    “Se houvesse um sistema mundial para medir mau-caráter, ele seria a unidade do sistema. Ele é mau, é mau.”

    MOREIRA FRANCO
    “Não quero falar dele porque, se tivesse de falar, eu diria que é uma besta. Safado! Safado! Ordinário! Minha mulher foi para o comício, botou a camisa dele porque ele pediu. Fomos para o comício e recebemos vaias na Quinta da Boa Vista. Foi a primeira vez que a Dulce participou de um comício e o Moreira disse: ‘Vocês foram porque quiseram, eu não pedi’. O Moreira, depois de derrotado, veio pedir-me um lugar de ministro”.

    A traição de Aureliano Chaves
    “Estive três vezes com o doutor Tancredo Neves antes de me decidir pela candidatura Maluf. Num determinado momento, até me passou pela cabeça apoiá-lo numa eleição direta. Só mudei de idéia porque o Aureliano me encheu muito a paciência. O Aureliano soltou uma nota de imprensa brava ao saber da minha idéia de apoiar Tancredo. Pois bem, depois disso, numa reunião comigo, o doutor Leitão de Abreu e os generais Danilo Venturini e Otávio Medeiros – o Tancredo já estava virtualmente vitorioso –, o doutor Aureliano veio com uma conversa complicada. Disse que estava ali para comunicar-nos sua decisão de se juntar ao Tancredinho. Ele nos disse que havia feito um acordo para ser ministro de Tancredo. Olhei bem firme para ele, bem nos olhos. Ele ficou branco. Mais que branco. Se pudesse, ficaria transparente.
    O Aureliano deve ter pensado que eu ia revelar ali naquela mesa, perante todos, a cena que ele fizera quando lhe falei da idéia de aceitar o Tancredo. Obviamente, não fiz isso, para não fazê-lo passar por um baita constrangimento. Afinal, ele era o vice-presidente da República. Ainda me lembro da imagem dele com o dedo em riste, inconsolável com a possibilidade de eu embarcar na candidatura do Tancredo. Aí perguntei-lhe: ‘Mas, depois de tudo o que aconteceu, você, doutor Aureliano, ainda vai para o Tancredo? E qual é a garantia que você tem de que essa combinação de virar ministro vai ser cumprida?’ Respondeu-me que estava tudo acertado e que, inclusive, do acordo constava um documento assinado pelos governadores que apoiavam o doutor Tancredo.
    Eu não podia acreditar! Mirava-o fixamente. Ele, lívido, ali, com medo de eu tornar pública a tal conversa de alguns meses antes. Levantei-me e disse-lhe: ‘Pois então passe bem’. O Aureliano levantou-se também e se foi. Faltavam uns oito meses para terminar o governo e nunca mais nos falamos direito.”

    TANCREDO NEVES
    “Esse não era de nada. Nunca realizou coisa nenhuma. Só fez politicagem em Minas. Nunca faria nada. Disse para o Tancredo que ele estava fazendo um mingau para vencer a eleição indireta, com a direita e com a esquerda. Ele não ia conseguir governar porque, com aquele ministério…”
    “Num dos três encontros que tive com o doutor Tancredo, cobrei-lhe os termos de uma entrevista que ele deu e falou sobre o meu governo, publicada em jornal. Ele não esperava por essa. Acho que ficou bastante surpreso com a minha franqueza em puxar tal assunto. Aí, com o ar de quem queria diminuir a importância do fato, tocou-me o ombro, dizendo: ‘Veja bem, meu caro presidente, nem tudo que digo à imprensa é necessariamente o que penso sobre o tema em questão’. Na hora, emendei: ‘É, nós somos mesmo dois homens completamente diferentes, pois a minha palavra vale para qualquer situação, para qualquer que seja o meu interlocutor’.”

    Jânio Quadros – “O Jânio Quadros, esse eu conheço bem. Conheço muito e há bastante tempo. Não tem onde cair morto. É um duro, um simples professor de latim ou português, nem sei! Agora me diga: como é que ele pôde ficar morando tanto tempo no exterior? No bem-bom. Desconfio até que o Georges Gazale andou soltando uma verba para ele.”
    “Ele é um louco. Nasceu louco. É uma inteligência fora do comum, mas é louco.”

    Getúlio Vargas – “No Brasil, quem inventou golpe de Estado, prisão de político, fechamento de Congresso e senador ‘biônico’ não fomos nós, os milicos, e sim a mente maligna do Getúlio Vargas. Aliás, o Getúlio não era propriamente um ladrão. Mas era um bom f.d.p. Ah, isso era.”

    LEONEL BRIZOLA, foi governador do Rio de Janeiro no período Figueiredo
    “É o maior líder do país. O povão gosta de ouvir a palavra do Brizola. Mas ele não faz aquilo que diz. No dia em que chegar à Presidência será o maior ditador que o país já viu, porque ele é um caudilho mesmo. Esteve na minha casa duas vezes. Perguntei-lhe:
    – O senhor é socialista?
    – Sou.
    – O senhor vem a minha casa e acaba de me confessar que acaba de vender sua estância em São Borja e comprar outra no Uruguai. O senhor não pode ser socialista no Uruguai. Tem de ser no Brasil. Por isso o senhor vendeu a sua estância no Brasil, para poder defender a bandeira da reforma agrária. Eu quero ver, se houver um socialismo no Uruguai, o que o senhor vai fazer.”
    “O Brizola pensa que ainda abafa com esses discursos. Mas o que ele tem mesmo é uma fórmula que descobriu. É a fórmula do Projeto Guarani. Sempre o Projeto Guarani. O Guarani, do José de Alencar. (Figueiredo declama, neste momento, as primeiras linhas do romance e encerra): Qualquer um sabe de cor, é a mesma coisa de sempre. O Guarani nunca mudou, nem vai mudar. O discurso do Brizola é a mesma coisa.”

    Ele esculacha Sarney, não colocarei aqui porque o texto é grande.

  3. Prezado Helio, geralmente concordo com o que você escreve, mas com respeito ao Alckmin, você está enganado. Infelizmente corrupção e incompetência raramente levam à derrota eleitoral neste país, mas o Alckmin está tão desgastado, pelo menos na capital e região metropolitana (50% do eleitorado do estado) que a disputa eleitoral não vai ser de forma alguma fácil, mesmo que contra um poste. Vale lembrar a repressão violenta, que ele ordenou, das manifestações contra o aumento das tarifas, foram o estopim para os protestos de junho. Nos grotões é possível que ele ainda mantenha o eleitorado, mas ele tem cometido tantos desmandos que não dá para resumir tudo num comentário. É o Sérgio Cabral daqui, e está armando toda sorte de mutretas e negociatas, desesperado que está para fazer caixa para a eleição do ano que vem.

  4. O Alberto Goldman nunca foi ESTALINISTA. Quando ele entrou para o PC, Stalin já havia morrido e criticado por seus correligionários aqui no Brasil. Foi, sim, kruschevista, brejnevista, gorbachevista, defensor dos interesses da União Soviética no Brasil, como queiram, ou, como diziam doutrinariamente muitos divergentes, revisionista contemporâneo. Aliás, há muito me convenci, desde os anos 80, que esses caras gostavam mesmo eram das mordomias na União Soviética e nos países do Pacto de Varsóvia, que lhe pagavam passagens e faziam vista grossa com as esticadas desses oportunistas em passeios por Paris e capitais capitalistas européias na volta ao Brasil. Alberto Goldman é uma espécie de Roberto Freire que, ao virar casaca, se deu melhor na picaretagem política dos últimos anos. Hoje é PRIVATISTA OU DOADOR DE PATRIMÔNIO PÚBLICO, que aqui no Brasil dá no mesmo.

  5. Roberto Freire e Alberto Goldman hoje são nomes respeitáveis na política atual. Forem o que forem, perceberam as mudanças e não pararam no tempo. Evoluíram.

  6. Encontrei site de “Tribuna da Internet”, mas demorou, poderia ter sido avisado o novo endereço. Acho que muito gente que havia gravado na barra de favoritos, pensava que náo mais existia.

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