Veja como Ferreira Gular conseguia narrar um gol de uma forma altamente poética

A arte existe porque a vida não basta. Ferreira GullarPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, crítico de arte, teatrólogo, biógrafo, tradutor, memorialista, ensaísta e poeta maranhense José Ribamar Ferreira (1930-2016), no poema “O Gol”, narra a trajetória da bola, a arte do jogador e a emoção do torcedor.

O GOL
Ferreira Gullar

A esfera desce
do espaço
veloz
ele a apara
no peito
e a pára
no ar
depois
com o joelho
a dispõe a meia altura
onde
iluminada
a esfera
espera
o chute que
num relâmpago
a dispara
na direção
do nosso
coração.

4 thoughts on “Veja como Ferreira Gular conseguia narrar um gol de uma forma altamente poética

  1. 1) Gullar, grandes gorgeios literários e poéticos.

    2) Me fez lembrar a definição de ” riso” que li, certa feita, em um dicionário médico:

    3) “Uma série de expirações espasmódicas, em parte involuntárias, com vocalização inarticulada”

  2. Meu, nem tanto querido conterrâneo, Ferreira Gullar, assim como Bandeira Tribuzzi; sofria execração por parte da sociedade, onde seu nome soava. Tudo porque ambos se autoproclamavam ateus.
    Na outra ponta, José Sarney, um sacripanta que se autointitula: São José do Pericumã, tornou-se objeto de devoção por votos e devotos.
    Assisti à última entrevista com o Gullar, quando ele ironizava a escolha do nome Ribamar, que nasceu duma fraude divina: padres lançavam santos de madeira ao mar, que flutuavam ao sabor dos ventos e das maresias. Como a igreja de São José de Ribamar (no município com esta mesma denominação) situa-se em um côncavo; como tal, para ali convergem as correntes eólicas e marinhas. Ao atirar algo que possa boiar, nos arredores, pode-se esperar que aquela enseada será o porto seguro do corpo à deriva. Pronto, está operado o milagre: qualquer oferenda ou pacote sacro solto “em Riba do Mar”, São José recolhe.

  3. 1) Licença…

    2) O canto da Ema

    Jackson do Pandeiro

    A ema gemeu no tronco do jurema
    A ema gemeu no tronco do jurema
    Foi um sinal bem triste, morena
    Fiquei a imaginar
    Será que é o nosso amor, morena
    Que vai se acabar

    Você bem sabe que a ema quando canta
    Vem trazendo no seu canto um bocado de azar
    Eu tenho medo, pois acho que é muito cedo
    Muito cedo, meu benzinho pra esse amor se acabar

    Vem morena (Vem, vem, vem)
    Me beijar (Me beijar)
    É dá um beijo (Dá um beijo)
    Pra esse medo (Se acabar)

    Oh, diz que ema gemeu no tronco do jurema
    A ema gemeu no tronco do jurema
    Vish foi um sinal bem triste, morena
    Fiquei a imaginar
    Será que é o nosso amor, morena
    Que vai se acabar

    Você bem sabe que a ema quando canta
    Vem trazendo no seu canto um bocado de azar
    Eu tenho medo, pois acho que é muito cedo
    Muito cedo, meu benzinho pra…

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