Vejamos um outro ângulo da questão sobre eleições e religiões

Antonio Rocha

Para os que desejarem fazer uma reflexão sobre o atualíssimo tema que o título sugere, recomendamos a leitura de “Gramsci e a Questão Religiosa”, de Hugues Portelli, da católica Edições Paulinas, 1984. O autor é professor doutor em Ciências Políticas na Universidade de Paris-Nanterre.

“A história do Cristianismo primitivo oferece curiosos pontos de contacto com o movimento operário moderno. Como este, o Cristianismo era, na origem, o movimento dos oprimidos: apareceu inicialmente como a religião dos escravos e dos libertos, dos pobres e dos homens privados de direitos, dos povos subjugados ou dispersos por Roma. Ambos, tanto o Cristianismo como o socialismo operário, pregam uma libertação próxima da servidão e da miséria”.

“Num artigo de 04/09/1920, Gramsci comparava a revolução comunista e o cristianismo primitivo. Para além desta comparação, é interessante notar que ele considerava o Cristianismo como modelo de uma revolução que foi até o fim de seu desenvolvimento. Para Sorel como para a doutrina marxista, o Cristianismo representa uma revolução na plenitude de seu desenvolvimento, isto é, uma revolução que foi até suas conseqüências extremas, até a criação de um sistema novo e original de relações morais, jurídicas, filosóficas, artísticas.” (Confiram na página 47).

Convém lembrar que Antonio Gramsci (1891-1937) foi um dos fundadores do PCI – Partido Comunista Italiano. Conceituado filósofo, cientista político, deputado. Foi preso pelo fascismo e condenado a 20 anos de prisão. Pouco antes de morrer, com a saúde debilitada, foi libertado.

Resumindo: o Cristianismo é uma revolução que até hoje vem dando certo. Claro, há os seus desvios, como tudo nessa vida. Logo, não se pode, simplesmente ignorar, não tratar deste assunto.

Partidos políticos agem como igrejas e vice-versa: “A história dos partidos e das correntes políticas não pode ser separada daquela dos grupos e das tendências religiosas”. (página 37).

Portanto, penso que as religiões podem e devem influir nos processos políticos e eleitorais, em qualquer país do mundo.

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