Vem aí o trem-bala, a verdadeira consagração da falta de responsabilidade político-administrativa, num país tão carente.

Carlos Newton

Na ânsia de agradar a quem está no poder, as autoridades do segundo escalão não medem esforços. Defendem os projetos mais idiotas, aplaudem as ideias mais estapafúrdias, incentivam as propostas mais escalafobéticas, porque vale tudo para bajular os poderosos, mesmo que o bajulador acabe passando ridículo.

É o que está acontecendo com o economista Luciano Coutinho, presidente do BNDES, que se prepara para abrir os cofres do banco estatal e subtrair-lhe dezenas de bilhões de reais, a pretexto de financiar a nova brincadeirinha do governo Lula Rousseff – o trem-bala. Para justificar esse desperdício num país com tantas necessidades básicas, afirmou o consagrado economista:

“O trem-bala é um projeto da maior importância, porque seu percurso vai unir os três maiores aeroportos do Brasil, em São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro”.

Caramba! Com pensadores como Luciano Coutinho, não há trem-bala que consiga conduzir o Brasil para a frente. Afinal, qualquer criança sabe que o veículo de transporte que liga os aeroportos é o avião, jamais o trem.

Assim, ao refletir sobre a conclusão do brilhante presidente do BNDES, já podemos visualizar um passageiro cheio de malas no aeroporto de Viracopos, em Campinas, encontrando um amigo.

“E aí, fulano? Para onde você vai viajar?”, indaga.

“Estou esperando o trem-bala. Vou para o Aeroporto Tom Jobim, no Janeiro. Lá, é só fazer uma baldeação e seguir de avião para Manaus. E você, vai para onde?”

“Também estou esperando o trem-bala. É uma beleza. Daqui de Viracopos eu vou para o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e de lá pegarei um avião para Porto Alegre”.

Tudo muito prático e funcional. Poderemos dizer que, agora sim, os aeroportos estão realmente interligados. Isso porque vivemos num país governado por políticos moderninhos, que sonham em imitar tudo que veem nos países estrangeiros, ao invés de raciocinar sobre as verdadeiras necessidades brasileiras.

Quando se falou em trem-bala, a obra custaria cerca de R$ 10 bilhões e seria inteiramente custeada com recursos privados. Antes mesmo de ser projetada, rapidamente já estava em R$ 35 bilhões. E agora, mostrando a incrível velocidade da iniciativa, não sairá por menos de R$ 50 bilhões, vejam só como funciona essa espantosa máquina de sugar dinheiro público.

Encantado com o trenzinho de brinquedo, o maquinista Lula logo criou uma estatal, com capital inicial de R$ 3 bilhões, para administrar o projeto e 80% de seus investimentos, que serão financiados pelos cofres subsidiados do BNDES. Os consórcios que já se formam para disputar esse “bolão” bilionário, têm como integrantes os fundos de pensão das empresas públicas como a Eletrobras e os Correios, autorizados a entrar no negócio logo na concorrência ou como consorciados, sob a justificativa de que um será grande fornecedor do trem e outro grande consumidor.

A obra, de prioridade duvidosa diante de tantas outras carências nacionais na área de infraestrutura, só terá algum concorrente, nos moldes em que está organizada, se o governo entrar com os recursos. Os ditos interesses privados somente afloram com muito incentivo púbico, tal o espírito de aventura e a falta de planejamento que acompanham o velocíssimo projeto.

O trem-bala é uma brincadeira provinciana de um governo que não sabe distinguir quais são os verdadeiros interesses nacionais. É pena que os governantes consigam aumentar de tal maneira a velocidade de seus erros.

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One thought on “Vem aí o trem-bala, a verdadeira consagração da falta de responsabilidade político-administrativa, num país tão carente.

  1. Infelizmente; a educação, a saúde, as ciências e tecnologias, são colocadas como “pano de fundo” a tantas
    inutilidades, que a maioria da mídia leva a população brasileira.

    A ficha não caiu, ainda, ou está caindo agora! Com a população exercendo os seus direitos e ocupando as ruas.

    Nada temos contra o futebol, as telenovelas, os programas de fofoca…, porém o excesso de tudo isso desvia o que deveríamos ter nos canais de comunicação que chegam, diariamente, em nossos lares…

    O tempo desperdiçado, melhor seria utilizado na instrução do povo, referente aos seus direitos, deveres,
    quando hoje, grande parte é utilizada em inúteis comentários esportivos, nos horários em que grande parte dos trabalhadores podem acrescer algum conhecimento.

    Temos esperanças, que definitivamente, o gigante acordou…

    J.Luís

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