Venda de jornais no país cresce mais que a população

Pedro do Coutto

O Instituto Verificador de Circulação, cuja tarefa está indicada em seu próprio nome, revelou domingo passado, reportagem de O Estado de São Paulo, que a venda nas bancas e através de assinatura dos principais jornais do país cresceu 1,5% em 2010 em relação ao total registrado em 2009. Superando, digo eu, o aumento da população brasileira que, no mesmo espaço de tempo, foi de 1,2%. Logo o hábito de ler jornal avançou de forma efetiva. O que contraria opiniões de que a internet bateria a imprensa escrita. Não aconteceu. Os dois meios de comunicação convivem pacificamente. Um completa o outro e vice versa.

É sempre assim ao longo da história. Uma inovação acrescenta, mas não elimina o meio que a antecedeu. A internet antecipa o acesso à notícia mas não pode, através da tela, estender a informação ou analisá-la. A expansão do texto e o comércio são próprios da imprensa escrita. Próprios do jornal, próprios do papel.

Sobretudo no que se refere a matérias de impacto. Estas perdem o impulso na tela. Ganham força na tinta. Os exemplos são muitos e alguns até bem recentes. Mas esta é outra questão.
O fato é que, com base em O Estado de São Paulo, edição de 30 de Janeiro, e também com base em matéria publicada pela Folha de São Paulo em 28 de Julho do ano passado, chegamos à conclusão que a circulação dos jornais de maior presença no mercado de informação e opinião, alcançou a média diária de aproximadamente 4 milhões de 300 mil exemplares.

Muita coisa, principalmente em um país como o nosso, de elevado índice de pouca leitura funcional. Analfabetismo alto. Inclusive tem que se levar em conta que a média de leitores por unidade é de 3,5 pessoas. O que faz com que 4,3 milhões de jornais sejam lidos por cerca de 14 milhões. O hábito de leitura, entretanto, é ainda maior do que este número. Isso porque há leitores que lêem um dia um jornal, no dia seguinte lêem outro, num terceiro não lêem nenhum, num quarto momento lêem dois. E por aí vai. Esta pesquisa sobre a leitura real não é fácil de fazer. Fiquemos na  circulação.

O jornal de maior circulação é – destaca o IVC – o Super Notícias, Minas Gerais, edição popular ao nível do carioca Meia Hora, com 296 mil exemplares. Pertence ao grupo Sada do empresário Vitório Medioli. Em segundo, a Folha de São Paulo com 294 mil. O Globo em terceiro, 262 mil, a seguir O Estado de São Paulo com 250 mil. Estes números, peço atenção, são as médias diárias. Aos domingos as tiragens da FSP, de O Globo, do Estado de São Paulo são muito maiores, quase o dobro dos demais dias da semana.

Em quinto lugar, aparece o Extra, do grupo Globo, com 193 mil exemplares. Está vencendo facilmente seu principal adversário no mercado, O Dia, cuja tiragem não chega a 80 mil. Caiu muito. Logo em seguida, surge o Zero Hora de Porto Alegre (185 mil), depois o carioca Meia Hora (156 mil). O Correio do Povo, também de Porto Alegre, com 155 mil. Diário Gaúcho, jornal novo, com 151 mil. Finalmente na relação principal O Lance, carioca, de esportes, atingindo 95 mil exemplares. O Extra derrota bem O Dia, mas o Meia Hora, deste grupo, vence amplamente O Expresso, do grupo Globo.

Para mim, duas surpresas no levantamento. A ressurreição do Correio do Povo, grupo Caldas Júnior, tradicional no Rio Grande do Sul, e a forte presença de O Lance. Este, no início, era um suplemento de O Dia. Separou-se, adquiriu vida própria e foi em frente. Como se constata, supera O Dia nas bancas do Rio. Em volume de publicidade, os jornais, no ano passado, faturaram em torno de 2,7 bilhões. A internet, cerca de 900 milhões. Este mercado necessita ser melhor explicado e traduzido. A publicidade direta não tem problema. E a indireta, como é feita?

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