Vergonha nacional Um terço da população brasileira sobrevive sem ter rede de esgoto

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Milhões de brasileiros vivem junto às chamadas valas negras

Pedro do Coutto           

Os jornais de quinta-feira publicaram com grande destaque os resultados da pesquisa do IBGE os quais revelam principalmente que 72 milhões de brasileiros e brasileiras não contam com o direito mínimo de morarem em bairros com sistema de esgoto sanitário. Me chamou a atenção, por sua clareza, a matéria de autoria de Bruno Villas Bôas e Alessandra Saraiva, edição do Valor.

Provavelmente o tema alcançará repercussão fora de nossas fronteiras funcionando para que o país não seja um campo econômico social para que se realizem investimentos de empresas privadas. 

PROBLEMÁTICA – Os investimentos por parte de empresas privadas vêm sendo destacados pelo Ministro Paulo Guedes e sua equipe como uma solução para a retomada do desenvolvimento econômico social do Brasil. Mas como esperar investimentos produtivos num cenário da ordem exposta pela PINAD. O quadro representa em toda sua problemática um fato de que a população de nosso país encontra-se atingida por dois problemas muito graves: a perda do poder aquisitivo, que poderia sustentar as aplicações de capital e que se apresenta de forma negativa, e o desemprego acentua a outra face do drama brasileiro.

Há pouco mais de 20 anos, Antonio Houaiss e eu escrevemos um pequeno livro, cujo título é “Brasil, o fracasso do conservadorismo”. Como se constata, a situação das últimas décadas reflete-se nos tempos de hoje.  A política conservadora não fez a economia crescer e, ao contrário, travou ainda mais os avanços sociais.

TUDO POR RESOLVER – Nesse contexto, inclui-se a presença das ONGS no sistema atual e que são responsáveis por reduzir os grandes desafios não resolvidos. Aliás, no Brasil, nenhum problema social foi resolvido, como se observa pela falta da rede de esgoto, carência a qual projeta-se diretamente na questão da saúde.

 A favelização vem se expandindo aceleradamente, fornecendo o panorama do Rio de Janeiro como exemplo. A redistribuição de renda, tão defendida pelos economistas não vem se materializado. Os preços sobem. O poder aquisitivo desce. O contraste fundamenta-se num processo de concentração de renda, realidade que marcou os governos de Lula e de Dilma Rousseff. A extensão do problema ampliou-se na curta gestão de Michel Temer.

FALTAM INVESTIMENTOS – A corrupção é um dos empecilhos fortíssimos para que a renda seja melhor distribuída. Porque nada é mais conservador do que a corrupção que devorou o país.

O conservadorismo, com Paulo Guedes à frente, revelou-se incapaz de projetar algum avanço social. Para superar os entraves de hoje, na visão moderna e realista, na minha opinião, tudo depende de investimentos nacionais para superar problemas também nacionais. A situação do Produto Interno Bruto é fator essencial. Devemos esperar que o rumo do governo Jair Bolsonaro dê menos atenção a Olavo de Carvalho, e mais atenção aos brasileiros.

18 thoughts on “Vergonha nacional Um terço da população brasileira sobrevive sem ter rede de esgoto

  1. O petróleo, foi descoberto com a capacidade de uma empresa brasileira; as arvores de natal colocadas pela mesma; e aí o que se faz?!!! O filé, que ajudaria e muito o PIB nacional, que são as obras de conversão, integração entre outras obras navais/offshore, como as plataformas semi-sub, navios entre outras, são mandadas mais de 95%(noventa e cinco por cento); para o exterior, exportando trabalho de mão de obra intensiva para chineses, malaios, singapurenhos, canadenses, e etc…
    Isto depois de grande esforço de implantação de polos navais no sul, sudeste e nordeste, com a construção de estaleiros modernos e grande esforço dos governos estaduais, municipais, federal e pasmem; da sociedade que se habilitou em diversas áreas como soldagem, montagem, escalagem, pintura, ensaios não destrutivos, técnicos em diversas áreas, engenheiros entre outros e não mais que de repente as obras são mandadas para o exterior, deixando desempregados milhares de brasileiros e na penúria suas famílias.
    PS: O que intriga é que quem começou com este “crime” contra o Brasil, foi o governo da presidentaaaa… Dilma e continuado pelo governo do temeroso e não se fala no assunto.
    PS2: O Japão, Corea, China, entre outros, não abrem mão da construção naval/offshore.
    PS3: O bom é que todo mundo virou empresário, fabricando e vendendo “quentinhas”; rir para não chorar.

  2. Tem crente demais no Brasil….
    Tem bicho demais na goiaba.

    Tem ignorancia demais no Brasil.
    A bosta boia e os sórdidos Imperadores, Bolzonaldio, Macedo, flutuam no ceu financiados pelos cagões….

    Domingo tem CIRCO.

    • Paises que tem rede de esgoto para todos são aqueles que os Tiranos são desmascarados de imediato. Que o povo não joga a vida fora doando o dinheiro suado para ladroes descarados.

  3. Boa parte invadiu e construiu, jogando no córrego mais próximo, os dejetos “in natura”. Quando chegam a fazer isso. Colocar toda culpa no estado é mais confortável. Isso quando não ocorre ingerência polícia de gente querendo comprar votos apoiando este tipo de coisa, para depois brigarem para se fazer chegar água, luz e até esgoto. Sendo que nenhum serviço será pago. Do jeito que está, mais fácil investir em escolas.

  4. “O conservadorismo, com Paulo Guedes à frente, revelou-se incapaz de projetar algum avanço social”

    Sei .. em mais de 3 décadas de progressismo tucano-petista até parece que houve um grande avanço nessa área.

    Na verdade, o novo governo tem um novo marco para o saneamento básico, a MP 868, que está sendo bombardeada pelos interesses dos governadores … mas a culpa é do Bolsonaro.

  5. A resposta do problema habitacional da classe pobre no Brasil tem sua resposta nas palavras do deputado Justo Veríssimo, personagem insubstituível do imortal Chico Anysio: Vamos lá: num assalto ao gabinete do nobre deputado Justo Veríssimo, entre várias coisas que ele disse ao ladrão fortemente armado, está esse conselho “O pobre é tão assaltável que compra uma casa financiada pela Caixa Econômica por R$40.000,00. Paga R$220.000,00 e, quando vai ver, ainda deve R$390.000,00.
    Esse é um investimento de elevado alcance social, ou seja: esse imóvel torna-se IMPAGÁVEL, porque de R$40.000,00 pulou para R$390.000,00 que somados ao valor pago de R$220.000,00 alcançou a bagatela de R$610.000,00 (seiscentos e dez mil reais). Essa progressão geométrica somada à corrupção sem controle nos 3 Poderes do Estado está de conformidade com o pensamento do maior sanguinário do século XX, quando disse: “Quanto pior um Estado é constituído, tanto mais confusa e incompreensível é a explicação da sua finalidade”. – Adolf Hitler – in Mein Kampf – 1926 (Minha Luta). Falei e tá falado.

  6. Pedro do Coutto, mais uma vez acertou na mosca ao dizer: “Para superar os entraves de hoje, na visão moderna e realista, na minha opinião, tudo depende de investimentos nacionais para superar também problemas nacionais”.
    Nenhum país fica rico com dinheiro dos outros, seja qual for a forma: empréstimo, investimentos, privatizações sem limites etc., senão com seu próprio trabalho e esforço.

    • 1) Prezado Nélio, vc acertou em cheio.

      2) Me fez lembrar do conterrâneo recifense, jornalista Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000).,

      3) Após estudar a Economia do País do Sol Nascente, ele escreveu: “Japão, o Capital se faz em Casa”.

      4) Quando poderemos afirmar o mesmo do nosso querido Brasil ?

      5) Parabéns aos três: Pedro do Coutto, Nélio Jacob e Barbosa Lima Sobrinho.

  7. Rede de esgoto, água encanada, estradas asfaltadas, escolas em bom estado, Universidades cuidadas, responsabilidade com os gastos públicos … a bem da verdade falta para o Brasil, afora o que citei acima para ajudar o nosso Pedro do Coutto, VERGONHA NA CARA!!!

    De todos nós, sem exceção.

    Se as autoridades agem de maneira criminosa com o povo, discriminando-o, segregando-o, desprezando-o, permitindo que a miséria e a pobreza aumentem a cada ano, pelo lado da população ela mesma não se dá importância, se desvaloriza, não se dá o respeito!

    Resultado:
    Um país inviável, diante da quantidade de problemas graves que precisariam ser solucionados.

    No Brasil não tem uma espécie de fio da meada, ou seja, por onde começar.
    O social, a política, a educação, a saúde, a insegurança, a falta de infraestrutura, a corrupção instituída, elites, castas, contribuem para um Estado cada vez mais sem condições, sem autoridade moral e verbas para investir onde seríamos mais carentes!

    A solução que prego nesse momento é que deveríamos começar pelas causas que originaram nossos graves impasses e, uma delas, indiscutivelmente, chama-se Legislativo!

    Ou se fecha esse poder podre, deletério, corrupto até a medula, perdulário, irresponsável e vagabundo ou, ali adiante, afundaremos de vez e sem salvação!

    Esgotos a céu aberto e um poder inútil também a céu aberto, que fede, e somente produz dejetos, o nosso ambiente se torna cada vez mais poluído, logo, torna-se obrigatório limpar os locais onde existem esses excrementos que tão mal fazem à saúde do povo e país!

  8. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, com seu grande coração e sensibilidade social, chama atenção para o grande problema de Saúde Pública pela falta Sistemas de rede de tratamento de esgotos, que pela última pesquisa IBGE deixa fora 72 Milhões de Brasileiros ou +- 1/3 dos Brasileiros.

    Creio que aqui há uma confusão porque além das redes Públicas de tratamento de esgotos, existe o tratamento de esgoto individual com fossas cépticas tipo Imhoff e sumidouros que bem dimensionados funcionam bem.
    Cálculo que os que moram sem Rede Pública de Esgotos e sem Tratamento Individual de Esgotos sejam +- 10 Milhões, o que é ainda um número altíssimo e vergonhoso.

    Desde o Plano Nacional de Saneamento 1978 do Regime Autoritário de 64, do Presidente GEISEL, que se equacionou o problema e agora é fazer Projetos e Execução.

    O Brasil precisa expandir Projetos de “DESFAVELIZACAO” tipo Projeto Singapura de SP, onde tudo é Brasileiro, Engenharia, Materiais, Mão de Obra. Para isso não dependemos de Us$ Dollares nem de Ninguém, só de Nós mesmos. Ajudaria muito a reduzir o Desemprego e ativaria muito nossa Economia, e só depende de Recursos Nacionais.

  9. O Brasil passou por um processo de urbanização extremamente acelerado, o que fez com que a população urbana pulasse de 20% para 80% em pouco mais de 60 anos quando em outros países este processo demorou de 200 a 300 anos ou mais. Isso implicou num total dessaranjo das maiores cidades para aonde afluíu essa migração, causando deficits de emprego, educação, saude e, principalmente, de habitação decente, aí incluídos os serviços de água, esgoto e drenagem urbana. Segundo o relatório do senador Tasso Jereissati na MP 868, que trata do novo marco do saneamento, para sanar a situação dos “sem esgoto” até 2050, serão necessários algo como 500 bilhõs de reais. Certamente as companhias estaduais, atuais detentoras de um verdadeiro monopólio dos serviços de água e esgoto – e responsáveis pela atual situação – não vão poder resolver sózinhas. Hoje elas mantêm praticamente todos os municípios, de cada estado, sobre seu controle através de contratos de colaboração conquistados sem licitação. O projeto propõe que os serviços sejam licitados, daqui pra frente, abrindo a concorrência para a iniciativa privada ou mesmo para companhias públicas de outros estados, sempre sob o regime de concessão. Não é de estranhar que 20 governadores e os sindicatos das companhias já se puseram contra o projeto. Não querem perder poder aqueles nem querem perder o mando e os diferenciados salários estes – quase sempre à custa de elevação de tarifas – mesmo à despeito de continuarem a chafurdar em dejetos os 75 milhões de brasileiros.

  10. Muito bom o artigo de Pedro do Coutto e os comentários de Francisco Bendl, Flávio José Bortolotto e Paulo Saboia. Parabenizo a todos.

    Porém, não devemos esquecer que na década de 1950, devido ao desvio de recursos para a construção de Brasília os investimentos na área de saneamento básico foram drasticamente reduzidos.

    Em 1960, ano da inauguração de Brasília, o Censo do IBGE apontou que apenas 43,4% dos domicílios urbanos eram ligados à rede de água enquanto 27,6% à rede de esgoto, indicando o baixo índice de atendimento a essas populações.

    No início dos anos 60 os investimentos no setor saneamento continuaram reprimidos, pois – devido às despesas de investimento e custeio de Brasília, o Brasil estava sem dinheiro para realizar as necessárias obras em melhoria da condição de vida de seus habitantes.

    Como fato comprobatório desse desleixo devemos lembrar que na reunião realizada em 1961 na Cidade de Punta Del Leste (Uruguai), promovida pelo “Programa da Aliança para o Progresso” o Brasil foi, relativamente aos índices de cobertura em água e esgoto, classificado em penúltimo e último lugar, respectivamente, dentre os países da América Latina.

    Esse foi um dos preços pagos pelo povo brasileiro – fora outros – dentre os quais a insuficiência de investimentos na infraestrutura humana e a solidificação da implantação da corrupção e da impunidade, agravados com a construção e a localização da sede das decisões nacionais em Brasília.

    E esses preços continuam a ser cobrados indefinidamente do povo brasileiro.

    • Prezado Celso,

      Importantíssimo comentário que fizeste.

      Um dos tantos problemas que temos de enfrentar, trata-se justamente de não se pesquisar as origens das nossas dificuldades, que aumentam a cada dia, e tenta-se tão somente medidas paliativas.

      Indiscutivelmente instalar esgotos, água encanada, consertar as calçadas, condutos que levam água potável para as periferias, arrabaldes, vilas, favelas, tais investimentos são gigantescos mesmo sendo vitais à saúde do povo!

      No entanto, como somos para o governo descartáveis, desprezados, sem valor algum, os dejetos se espalham pelas ruas, pelos becos, pelos arroios que correm embaixo de casebres ou por onde se localizam.

      Não há interesse do governo em saneamento, em razão de que são obras que ficam no subsolo, não são vistas pela população, que não vai se lembrar depois de quem as ergueu ou providenciou.

      Dito isso, quem sabe um dia os governantes tenham juízo, vergonha em suas caras, e tratem de resolver essa questão de saúde pública?!

      Ainda mais, se as autoridades pesquisassem e se informassem dos males que até eles mesmos correm com esgotos a céu aberto, que irão providenciar o esperado saneamento que tanto necessitamos!

      Mas, até que constatem as doenças que são transmitidas pelos dejetos nas ruas, sarjetas ou em valas, muitas crianças serão imoladas e muitos adultos morrerão de várias doenças pertinentes à imundície e podridão!

      Abraço, Celso.
      Saúde.

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