Viajam as palavras, no trem de ferro poético de Cassiano Ricardo

Resultado de imagem para cassiano ricardoPaulo Peres
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O jornalista, ensaísta e poeta paulista Cassiano Ricardo (1895-1974) diz no poema “Viajam as Palavras” que a trepidação do trem de ferro modifica o sentido de tudo, inclusive, das palavras.

VIAJAM AS PALAVRAS
Cassiano Ricardo

Passageiros, formo como que um diagrama
entre o céu tremido e o jornal que a trepidação
do trem sacode em minhas mãos.

A paisagem me vem oferecer seus buquês
roxos e cor de ouro
mas foge, arrependida.

Vistos, de longe, de passagem,
todos os rostos são amigos, são iguais.

Só que depois, em minha memória,
que estará rolando ainda esta paisagem
impressa em mim, à minha saudade
como um quadro à parede.

O possível desastre
faz cantar, como uma carretilha ao meu ouvido,
o pássaro do adeus.
O trem de ferro desloca o sentido das coisas.
Viajam as palavras.

6 thoughts on “Viajam as palavras, no trem de ferro poético de Cassiano Ricardo

  1. Você e o seu retrato – Cassiano Ricardo( 1895-1974
    Bela poesia esta. Um retrato grava um momento e aumenta a saudade.

    Por que tenho saudade
    de você, no retrato,
    ainda que o mais recente?
    E por que um simples retrato,
    mais que você, me comove,
    se você mesma está presente?
    Talvez porque o retrato,
    já sem o enfeite das palavras,
    tenha um ar de lembrança.
    talvez porque o retrato
    (exato, embora malicioso)
    revele algo de criança
    (como no fundo da água,
    um coral em repouso)
    Talvez pela idéia de ausência
    que o retrato faz surgir
    colocado entre nós dois
    (como um ramo de hortênsia)
    Talvez porque o seu retrato
    mais se parece com você
    do que você mesma (ingrato).
    Talvez porque, no retrato,
    você está imóvel
    (sem respiração…)
    Talvez porque todo retrato
    é uma retratação.

  2. 1) Por falar em palavras …

    2) As Palavras tem Poder: Compartilhar é uma palavra bonita, vem do Latim Tardio “comparti” significa “simpatizar”, quem me informa é o Mestre Antonio Geraldo da Cunha, em seu ótimo Dicionário Etimológico, Nova Fronteira, 1986. Ou seja, quando eu compartilho algo é sinal de que estou simpatizando com este algo. Tenho visto, infelizmente, muita gente boa, inclusive com grau superior, na web afirmando em vez de “compartilhar”: roubartilhar, ou estou roubando ou vou roubar. A Sociolingüística estuda o fenômeno, muitos pensam que é uma simples brincadeira, mas tem como base a roubalheira que grassa no Brasil em diversas áreas. Já ficou tão banal o verbo citado que as pessoas não percebem o significado negativo da palavra roubar. Ora, quem rouba é… (!?), desde 1 centavo até 1 bilhão e não podemos, nem devemos roubar nada, pelo mínimo que seja. A energia negativa envolvida nesse ato é muito grande e prejudica ao ator/atriz da façanha. Inclusive “roubar” o cônjuge de outro (a), é por isso que traz tanta confusão… por causa das múltiplas energias envolvidas. Fale correto, dizia o Buda.

  3. Pra entender os poetas é preciso ser infantil. Não é possível a alguém com conhecimento, experiência, com a leitura de bons escritores (Voltaire, p ex), aceitar elocubrações tão tolas e vazias. O poeta, logo no intróito, posiciona-se como se o mundo se curvasse á sua magnificência: “A paisagem me vem oferecer seus buquês roxos e cor de ouro
    mas foge, arrependida.”
    Ai, ai, e tanta coisa para ser descoberta e aprimorada…
    O temps ! suspends ton vol; et vous heures propices ! Suspendez votre cours :
    Laissez-nous savourer les rapides délices
    Des plus beaux de nos jours !
    ( Lamartine)

  4. Pra entender os poetas é preciso ser infantil. Não é possível a alguém com conhecimento, experiência, com a leitura de bons escritores (Voltaire, p ex), aceitar elocubrações tão tolas e vazias. O poeta, logo no intróito, posiciona-se como se o mundo se curvasse á sua magnificência: “A paisagem me vem oferecer seus buquês roxos e cor de ouro mas foge, arrependida.”
    Ai, ai, e tanta coisa para ser descoberta e aprimorada…
    O temps ! suspends ton vol; et vous heures propices ! Suspendez votre cours :
    Laissez-nous savourer les rapides délices
    Des plus beaux de nos jours !
    ( Lamartine)

  5. “Passageiros, formo como que um diagrama
    entre o céu tremido e o jornal que a trepidação
    do trem sacode em minhas mãos.”

    Somos passageiros desse trem durante o trajeto na nossa trepidante viagem no Planeta Terra.

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