Vice-líder do governo Bolsonaro ataca Alexandre de Moraes: “É um lixo, o esgoto do STF”, diz

Deputado e pastor, Otoni perdeu o controle e ameaça Moraes

Andréia Sadi
G1

O deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), pastor evangélico e um dos vice-líderes do governo Bolsonaro na Câmara, publicou um vídeo em suas redes sociais atacando e xingando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O parlamentar critica Moraes pela decisão que libertou o blogueiro Oswaldo Eustaquio, mas o proibiu de usar as redes sociais.

No vídeo, publicado em 6 de julho, Otoni chama Moraes de “lixo”, “tirano” e “canalha”, entre outros. “Por isso é chamado de cabeça de ovo, porque respeito, Alexandre de Moraes, não se impõe, se conquista”, diz trecho do video. “Você é um lixo, você é o esgoto do STF, a latrina da sociedade brasileira”. O deputado também faz ameaças ao ministro do STF.

 

RELATORIA – Alexandre de Moraes é o relator do inquérito que apura a divulgação de fake news e do que investiga financiamento de manifestações antidemocráticas. Otoni de Paula é um dos alvos do inquérito das manifestações antidemocráticas.

O vídeo chocou integrantes do STF e do próprio governo por ter sido publicado no momento em que o Planalto prega a mudança de tom de Bolsonaro com o STF. O Planalto está preocupado com o avanço de investigações na corte que atingem o próprio governo, aliados e familiares.

A avaliação nos bastidores da Corte, compartilhada por ministros do governo que pregam a diminuição do tom de Bolsonaro nas agressões, é a de que se trata do vice-líder do governo, e, portanto, um cargo de confiança do presidente da República. Ao todo, são 14 vice-líderes escolhidos pelo presidente.

SEM CONTROLE – O blog apurou que, nas últimas semanas, o Planalto pediu a seus aliados que diminuam o tom contra o STF e vetou, por exemplo, o uso da tribuna na Câmara por aliados, com o tempo da liderança do governo, para fazer ataques ao STF. Mas aliados de Otoni argumentam, ao comentar o vídeo, que não têm como controlar as redes dos vice-líderes.

Ministros do STF, no entanto, repercutem o vídeo e avaliam que a manutenção de Otoni como um dos vice-líderes de Bolsonaro reflete a desconfiança de alguns: que a mudança de comportamento do governo em relação a ataques ao STF não é para valer.

Aliados do governo ouvidos pelos blog defendem que um dos caminhos seria tirar o vice-lider do governo do posto para reforçar as intenções de pacificação do governo com o STF, mas a ideia enfrenta resistências, até agora.

12 thoughts on “Vice-líder do governo Bolsonaro ataca Alexandre de Moraes: “É um lixo, o esgoto do STF”, diz

  1. Se o min Alexandre de Moraes é um lixo, um esgoto, o que dizer desse deputado? E do Presidente? Eu fico sem referência. Tá na cara que esse moço deveria estar abrindo fossa em vez de ser representante do povo.

  2. Falsos pastores, estes mercenários da fé, encontraram um meio de abocanhar mais dinheiro no poder público, são os fiéis inocentes que colocaram este lixo no congresso, a justiça tem que ser rigorosa com estes energúmenos, sem noção, estão destruindo este país, parece uma praga.

  3. Antigamente, a profissão que mais elegia parlamentares era a advocacia, e depois o empresariado.
    Com o tempo, começaram a ser eleitos sindicalistas e dirigentes de futebol.
    Pouco depois, figuras conhecidas da TV, cantores, um que outro atleta esportivo.
    De uns anos para cá temos o advento dos pastores evangélicos conquistando espaços significantes no parlamento, a ponto que existe a bancada religiosa, e com bons poderes de influência.

    No entanto, o país deixou de ser laico, uma determinação da própria Constituição, permitindo intervenções indevidas no meio civil nacional.
    Aliás, um dos tantos erros crassos do processo eleitoral:
    Uma vez eleito parlamentar, a função a ser desempenhada é aquela que o povo outorgou, e não para que também o candidato assumisse divulgar a sua fé no Legislativo, impedindo que certos projetos fossem aprovados em face dos aspectos referentes às crenças cultuadas.
    A sopa ficou com um desagradável cheiro e insuportável para ser ingerida.

    Assim, volta e meia, temos um que outro pastor ou bispo ou missionário ou apóstolo ou enviado de Deus misturando as estações.
    Em outras palavras:
    Não é um bom parlamentar e, menos ainda, um religioso.

    Dito isso, a reação do deputado contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, extrapolou até mesmo a sua fé, a sua crença, que deve dizer em algum momento que se deve ter paciência, compreensão, tolerância, com aqueles que discordam de nós.

    Conforme escrevi acima, o parlamentar deixou de lado a sua função política e jogou às favas a sua religiosidade, logo, se mostrou um péssimo representante de seus eleitores e, pior ainda, um pastor da sua seita ou ramo do Cristianismo.

    Fosse eu o ministro, e lhe moveria um processo nas costas por danos morais, e caso eu fosse um dos líderes da sua corrente espiritual, eu o expulsaria.
    O cara conseguiu ser péssimo tanto como deputado quanto ministro da Palavra de Deus, como normalmente se intitulam.

    A bem da verdade, uma situação muito diferente é eu soltar os cachorros contra esse magistrado, pois sou alguém um sujeito desconhecido, sem eira nem beira. Outra, muito diferente, é um deputado federal abrir a sua goela para destratar uma autoridade legitimamente empossada e aprovada pelos seus pares à indicação do presidente à época, se não me engano, Temer.

    O garganta profunda ofendeu Alexandre, Cristo e seus colegas, de uma tacada só.

    Tomara que receba a ira divina e dos homens como consequência da sua irresponsabilidade e boca de jacaré, e aprenda de uma vez por todas a desempenhar a função pela qual foi eleito, lamentavelmente.

  4. Prezado Abrahão Moyses,

    A TI várias vezes criticou o ministro do STF Alexandre Moraes, e eu fui um deles.

    Mencionei no meu comentário acima, que uma coisa é o povo protestar contra os ministros da Alta Corte, outra, muito diferente, é um deputado federal usar o plenário para desancar uma autoridade legítima.

    Ou os representantes do povo se mostram respeitosos com o estabelecido ou começarão receber de volta as mesas ofensas e insultos.
    Pergunto:
    Até que ponto a troca de palavras ásperas e até de baixo calão entre os poderes constituídos vão ajudar o país a sair dessa crise?

    Se a liturgia das funções é justamente para que a formalidade impere – um mínimo de respeito que seja -, e um deputado federal deixa de lado a educação pessoal e funcional para atacar um magistrado do STF, decididamente na minha condição de cidadão não posso concordar com esse comportamento grosseiro e rasteiro contra um ministro.

    Mais a mais, o deputado não teria um atestado de probidade, de autoridade moral, se os seus gastos fossem analisados sob a luz de uma auditoria confiável, responsável, pois certamente acusaria uma séria de irregularidades que redundaram em indenizações de despesas, para eu dizer o mínimo e eufemisticamente.

    Em outras palavras:
    O boquirroto e parlapatão deputado federal não tem autoridade moral alguma para ofender e insultar Alexandre de Moraes.
    Nós, até temos o direito de externar o que pensamos e comedidamente, apesar de muitas vezes metermos os pés pelas mãos, mas somos nós que os sustentamos, somos seus patrões.

    Agora, o desrespeito escancarado, de maneira alguma.

    Esta é a minha posição, ou seja, somos obrigados a seguir certas regras para que este país não vire um jogo entre grandes torcidas, onde os berros, gritos, apupos e ovações, têm como característica mais branda ofender a mãe do árbitro.

    Se é assim, então sepultemos de vez os poderes constituídos, e lutemos pela implantação do anarquismo, pois além de nos trazer uma fantástica e incalculável economia de dinheiro gasto na manutenção do custo Brasil, responderemos pelas nossas ações.

    Por outro lado, os adeptos de Bolsonaro ainda batem na tecla da cloroquina como remédio que salvaria a humanidade dessa pandemia.
    Pois bem, Abrahão, perguntaste por que não havia dados a respeito dos que se salvaram.
    Olha, foi tão fácil, que vou entender essa tua reclamação como provocação:

    Covid-19: Mais de 1 milhão de brasileiros estão curados.

    https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47180-covid-19-mais-de-1-milhao-de-brasileiros-estao-curados

    O levantamento é de ontem, feito pelo Ministério da Saúde, logo, números OFICIAIS:
    O Ministério da Saúde superou a marca de um milhão de pessoas curadas de Covid-19 nesta quarta-feira (8/7). Ao todo, 1.020.901 brasileiros já se recuperaram da doença no país. No mundo todo, estima-se de cerca de 6,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Covid-19 já se recuperaram. O número de pessoas curadas é superior à quantidade de casos ativos (624.295), que são pacientes que estão em acompanhamento médico. O registro de pessoas curadas já representa mais da metade do total de casos acumulados (59,6%). As informações foram atualizadas até às 18h e foram enviadas pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

    A doença está presente em 96,4% dos municípios. Contudo, 3.710 cidades (71%) possuem, no máximo, 100 casos. Em relação aos óbitos, 2.840 municípios tiveram registros (51%), sendo que 80% deles têm de 1 até 10 óbitos.

    Agora, como se curaram do coronavírus, os médicos afirmam que somente em raros casos usam a cloroquina, portanto, o protocolo para o tratamento específico à pandemia deve ser outro e bom, pois tem impedido que muito mais pessoas morram da doença.

  5. Prezado Sr. Abrahão Moyses, venho externar minhas congratulações pelos comentários escritos e elaborados com uma fineza ironia ..parabéns
    É assim que vamos construindo o debate ..com sabedora , mesclada com uma boa ironia .Parabéns .
    Saúde e Paz …

    YAH SEJA LOUVADO SEMPRE …

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