Villas Bôas novamente descarta intervenção e não fala nada sobre Bolsonaro

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Doente, Villas Bôas vai abandonar o cargo

Deu na BBC Brasil

O general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante-geral do Exército, é um dos responsáveis por assegurar a defesa do país. Ao mesmo tempo, é um homem que trava uma batalha pessoal com a própria saúde. Em março deste ano, ele revelou, em um vídeo institucional divulgado no YouTube, estar enfrentando uma doença neuromotora degenerativa que afeta a musculatura. Cinco meses depois, com a mobilidade bastante restrita e a respiração mais ofegante, ele tem participado de eventos usando uma cadeira de rodas.

Em entrevista à BBC Brasil, por telefone, o próprio comandante classificou a situação dele como “inaudita”. Mas garante que a saúde mais fragilizada, que contrasta com a imagem de um soldado pronto para a guerra, não é, para ele, motivo para ele deixar o posto. O trabalho, diz ele, o ajuda a enfrentar a doença. Nos bastidores da caserna, porém, já se especula quem será seu sucessor.

SEM TUTELA – Questionado sobre os pedidos de intervenção militar que surgiram em certos setores nos últimos anos, o Villas Bôas foi categórico em dizer que a própria sociedade brasileira é capaz de encontrar uma solução para a crise sem que isso ocorra. “O Brasil tem um sistema que dispensa a sociedade de ser tutelada”, declarou.

O comandante falou também sobre o emprego – e limitações – das Forças Armadas para conter a escalada da violência urbana. Para ele, que mais de uma vez já criticou o uso delas em ações para garantir a manutenção da lei e da ordem em cidades, o Exército nas ruas pode melhorar a sensação de segurança apenas de forma passageira.

E chamou ainda de “alarmistas” os críticos do exercício militar que o Exército fez na Amazônia com a participação de representantes de 20 países.

A DOENÇA – Villas Bôas se diz frustrado por não poder percorrer as unidades do Exército, mas garante que o exercício da função o ajuda a enfrentar a doença. “Me fortalece e me anima”, diz, complementando, no entanto, “que não quer dar um caráter heroico ao que está acontecendo”.

O general afirma não ver razão para ir para a reserva e que desde que assumiu publicamente a doença tem recebido “muitas manifestações de solidariedade e apoio”.

Após o comandante assumir a doença publicamente, as especulações sobre sua sucessão ganharam corpo. Há quem acredite que ele esteja resistindo no cargo e enfrentando pressões internas para evitar que nomes mais “linha-dura” e ícones dos “intervencionistas” – como o general Antonio Hamilton Mourão, atual secretário de Economia e Finanças do Exército – assumam o comando da Força.

PERFIL IDEAL – Questionado sobre o perfil de um comandante em tempos de crise política, turbulência econômica e apelos cada vez mais crescentes por intervenção, Villas Bôas diz não ser possível traçar características ideais.

“Com relação ao perfil ideal para comandante do Exército, não se pode traçar um perfil considerado ideal, já que os estilos de liderança são absolutamente individualizados. Cada pessoa estabelece seu estilo de liderança de acordo com as circunstâncias, com sua capacidade, com o ambiente e de acordo com os objetivos que ele estabelece. Não há como traçar um perfil para essa função.”

Sobre os apelos por intervenção militar agregarem complexidade à missão de comandar o Exército e a tropa de mais de 200 mil homens, Villas Bôas diz que não há nenhuma dificuldade interna e salienta a necessidade de ficar longe das disputas político-partidárias.

UNIÃO – “O Exército está coeso e absolutamente consciente de que é uma instituição de Estado e de que não cabe participar de uma dinâmica de caráter político e de caráter partidário”, afirma.

Ele próprio cita 1964, ano em que os militares assumiram o comando do Brasil, para salientar quão diferentes eram as circunstâncias daquela época se comparadas com o momento atual.

“Sempre vêm lembranças relativas ao período de 1964… O Exército continua o mesmo daquele período, com os mesmos valores, os mesmos princípios, os mesmos objetivos, mas as circunstâncias mudaram muito”, diz, acrescentando que eram tempos de Guerra Fria, em que até mesmo a coesão do Exército estava ameaçada. “O Exército estava na eminência de rachar.”

AMADURECIMENTO – Hoje, afirma Villas Bôas, o país tem instituições amadurecidas. “Tanto que a gente vem nessa crise já há algum tempo e as instituições permanecem cada uma cumprindo as suas funções. O Brasil é um país complexo, tem um sistema de pesos e contrapesos que dispensa a sociedade de ser tutelada. Então ela própria, a sociedade, tem que encontrar os caminhos para a superação dessa crise.”

Além de se posicionar contra a necessidade de intervenção militar para resolver a atual crise, o comandante também tem uma visão crítica em relação ao uso das Forças Armadas para conter a violência urbana.

“Quero ressaltar que não se pode esperar que o emprego das Forças Armadas, no nosso caso o Exército, vai resolver o problema de segurança pública. Essa é uma problemática que tem raízes muito profundas e decorre de falência, de não funcionamento ideal de vários outros setores da atuação governamental ou até mesmo de responsabilidade da sociedade”, afirma.

FALTA EDUCAÇÃO – “Aí vem o problema da educação e da disciplina social, das quais a nossa sociedade está carente. Vem o problema de falta de alternativa para a juventude e algo que lhes dê uma esperança no futuro.”

“Faço questão de ressaltar que o emprego das Forças Armadas simplesmente não vai resolver a problemática de segurança pública. Pode contribuir? Sim para a sensação de segurança da sociedade, mas isso é passageiro.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Infelizmente, o general não tocou no assunto da sucessão presidencial nem deu sua opinião sobre Bolsonaro. Saber o que ele pensa sobre o candidato seria muito interessante e importante. Ou será assunto-tabu, que o general pediu que não fosse abordado? (C.N.)

45 thoughts on “Villas Bôas novamente descarta intervenção e não fala nada sobre Bolsonaro

  1. Realmente as instituições estão funcionando.
    O congresso legisla para dificultar a apuração dos desvios de seus componentes pelas outras instituições, o executivo compra o que precisar para ter esta proteção e o judiciário em que alguns membros participam da elaboração destas ‘saídas’, ou se “curvam” e enfiam a cabeça no buraco para fugir de suas responsabilidades.
    E quem paga tudo isto somos nós o povão ou zé povinho, como queiram.
    Os pesos e contrapesos só perderão o ponto de equilíbrio, quando “mexerem” com o $ e benesses deles.

  2. Newton, você queria que o comandante geral do Exército desse palpite sobre a sucessão presidencial? Desse opinião sobre Bolsonaro, Lula e do Temer também? Você acha mesmo que seria “normal” um comandante expressar este tipo de opinião?

  3. Vários vídeos na internet mostram que o Bolsonaro está fazendo dos quartéis comites eleitorais e, mesmo assim ele não teve a coragem de dar uma declaração sequer sobre a denúncia do Ministro Torquato sobre a PM/RJ, que grande parte de seus membros o apoiam .
    Parabéns ao General por sua neutralidade, Exército não é comitê .

  4. Mas militar em ativa não é proibido de emitir opinião sobre política? Então o general está certo.
    E vamos concordar, o general é cauteloso. Talvez e com certeza não é o melhor da tropa, até por que se fosse o melhor não teria sido levantado tão alto pelo governo do pt. O governo do pt escolheu claro o general menos perigoso possível.

  5. Os militares querem sombra , água fresca e mordomías. O país vive índices de violência comparados à guerra civil , contrabando de armas , drogas , alem dos crimes de lesa – pátria cometidos por facções criminosas que ascenderam ao poder . Os caras precerem ficar aquartelados criando barriga e mamando nas tetas da sociedade . Mal totalmente dispendioso e desnecessário.

  6. Com o devido respeito,,se está com esta terrível doença degenerativa, deve ir para a reserva. Larga o osso.. A fila anda, quem sabe o vampiro dorme e entra um general patriota.

    • De fato, é de lascar um comandante nessa situação. Será que lhe falta algum tempinho para se aposentar com vencimentos integrais? Estamos bem: nem nosso general está inteiro, Cristo.

  7. Lamento sinceramente que o general esteja enfrentando uma situação crítica de saúde a ponto de ter que se deslocar em cadeira de rodas e a doença ser degenerativa.
    Deixando as considerações humanas de lado, surpreende-me que o regulamento do exército permita um handicapped soldier assumir posição que naturalmente exige vigor e boa condição física para liderar seus comandados nos momentos precisos.
    Acrescente-se também a influência psíquica que pode resultar de uma incapacidade física. A pessoa pode ficar mais tenra, mais facilmente moldável – e isso não é bom num soldado.
    A sua saúde precária deve também estar afetando a sua perceção sobre o país a ponto de ele achar que temos um sistema que dispensa a sociedade de ser tutelada. Não, general, o Brasil não está sendo tutelado – ele está sendo roubado, vilipendiado, destruído! Com todo o respeito devido, passe seu boné para outro, general, vai ser melhor para o país.

  8. O General está agindo com a cautela que o cargo exige. Podem até ir às ruas sim, mas povo, que não os arruaceiros, vão ter ir também, em massa, para frente do Congresso e na Paulista, muito mais que antes. O clamor tem que ser público e notório, senão esqueçam, vamos pensando a conta-gotas. O problema é que o povo passou da fase da surpresa, da fase da raiva e da indignação, agora estamos na fase da depressão e doença. Basta ir numa farmácia e ver que está sempre cheia. Consultas particulares e exames, com longa espera. Um povo doente mentalmente e fisicamente, pouco pode fazer.

  9. Na realidade uma enorme parte da afta oficialidade detesta o Bolsonaro, isto pode ser comprovado lendo – se a Síntese do Prontuário – Info 394 – da Seção de Informações S/102 de 27/07/!999. Esse documento que era secreto veio a tona justamente por isso. A estrutura militar brasileira é complexa , já tivemos , eleitos ou não, presidentes Marechais e Generais, já teve algum Coronel ?

      • Acho que quando se fala em intervenção constitucional das FFAA o pensamento mais corrente é para dar um freio de arrumação e coordenar as eleições com o mínimo de lisura e imparcialidade. Atualmente quase ninguém (se é que existe alguém tão ingênuo assim) acredita que o nosso processo eleitoral com urnas jabuticabas, políticos condenados e investigados e STF partidarizado é justo e representa as diversas correntes de pensamento do povo. Tomar o governo como em 64 ou como Getúlio fez é hoje um abacaxi desconfortável. O que é inútil é irmos até a urninha whatsapp e apertar confirma. Confirma o quê? O roubo, a tutela, a côrte?

        • Bastaria, o Exército auxiliar, na deposição do atual STF e Congresso e coordenar as próximas eleições onde as figuras carimbadas (todos os membros atuais do executivo, legislativo e todos aqueles com qualquer condenação judicial) estariam proibidas de participar. Já seria o máximo.

        • Gostei do termo “freio de arrumação”, Aranha! Dizem que os motorneiros dos bondes antigos davam essas freadas para “arrumar” o povo dentro dos bondes, para “por ordem na bagunça”.

          O Brasil está sendo destruído pela cleptocracia que hoje nos governa.

          É cada vez mais urgente um “freio de arrumação” no país. Que obviamente nunca será dado pelos próprios políticos que comandam a roubalheira disseminada!

          Alguém precisa pôr ordem na casa!

    • Ah, seu Francisco. Assumir um país sem crimes, sem problema econômico e sem corrupção, até eu (mas com todas as benesses possíveis). O trablho de heróis exige certo sacrifício, convenhamos.

  10. A Tucanada não quer largar o osso…

    Bons Serviços Prestados

    Carta de Formulação e Mobilização Política – Terça-feira, 14 de novembro de 2017

    Gestão de Bruno Araújo no Ministério das Cidades ilustra capacidade do PSDB de colaborar para a superação de questões cruciais para a melhoria de vida dos brasileiros

    A principal vítima da saída de Bruno Araújo do Ministério das Cidades é o próprio país. Seus 18 meses à frente da pasta ilustram a capacidade de realização dos quadros tucanos, atestam o compromisso do PSDB com o interesse do país e mostram que é possível fazer política sem ceder a práticas deletérias e espúrias.

    A passagem do deputado eleito por Pernambuco pelo governo exemplifica o tipo de colaboração que o partido pode dar ao Brasil. Foram 18 meses em que o Ministério das Cidades serviu fielmente ao objetivo de promover maior acesso a habitação, saneamento, mobilidade e ações de urbanização a mais pessoas.

    Fez-se política pública com foco exclusivo no cidadão – assim como o PSDB vem fazendo no Itamaraty, na Secretaria-Geral da Presidência ou à frente do Ministério dos Direitos Humanos. É da tradição tucana agir com responsabilidade perante as dificuldades dos brasileiros, e esta participação era incontornável após o impeachment. Sem o PSDB, talvez o Brasil não tivesse reencontrado tão rapidamente o caminho do crescimento.

    A gestão de Bruno Araújo nas Cidades jamais esteve vinculada à ocupação partidária de cargos na máquina do ministério. Toda a sua equipe foi constituída de técnicos de reconhecida capacidade gerencial e executiva. Tanto que, neste um ano e meio, foi capaz de dialogar com a sociedade, ressuscitar programas que estavam moribundos e também inovar em novas iniciativas.
    (… ) Instituto Teotônio Vilela ..

  11. Quanta bobagens em relação ao texto. Por acaso o general deveria anunciar o dia e horário, caso venha acontecer uma intervenção. Mas uma.postagem que mais parece fofoca ou ilha de caras.

  12. Neste inteligente Artigo, podemos retirar as 2 maiores e melhores piadas do Ano. O Articulista queria que o Comandante do Exercito lhes confessasse que ia dar uma intervenção Militar, e ai até lhes contar o Mês , dia e Hora….. 2ª piada : O Articulista que queria saber qual candidato o Exército está apoiando. Tem que ser muito maldoso ou burro mesmo , querer que o Exercito diga que apoia Bolsonaro…. Vá contar piadas ou idiotices lá nos cafundós ….

  13. Os militares dormem em berço esplêndido, enquanto aqui fora dos quartéis a esmagadora maioria dos políticos destrói este país, com corrupção desenfreada e gestão temerária, sob os olhos turvos (ou fechados) do judiciário!

    O futuro deste Brasil fica mais ameaçado a cada dia. Mas os militares não enxergam ameaça alguma.

    Pois eles estão com algum trocado nos bolsos, e podem continuar empurrando canhão nos desfiles de 7 de setembro…

  14. Se a empresa tem funcionarios e eles resolvem não trabalhar, mesmo recebendo religiosamente em dia seus soldos, aliás., vencimentos , o patrão tem que ir ás ruas e clamar que os funcionários trabalhem?
    Na ótica do rabo abanar o cachorro , muito comum no Brasil, estaria correto.
    Sinceramente, general, Deus te abençoe e te cure , mas vaza, por favor.

  15. Eu realmente não posso acreditar que hoje é 16 de novembro e o exercito nada fez pelo povo mesmo com tantos pedindo. Por favor pelo amor de Deus façam alguma coisa.

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