Viso do PT sobre meios de comunicao absurda

Pedro do Coutto

Reportagem alis muito boa de Gabriel Manzano, O Estado de So Paulo de 8 de julho, focaliza pontos polmicos. Alguns, equivocados, outros, contidos no programa de governo do PT entregue, conforme a lei prev, ao Tribunal Superior Eleitoral acompanhando o registro da candidatura Dilma Rousseff. Entre os pontos equivocados, destaca-se a viso do Partido dos Trabalhadores sobre os meios de comunicao. Transcrevo literalmente o pargrafo acentuado por Manzano: jornais, rdio e TV so pouco afeitos qualidade, ao pluralismo, ao debate democrtico. preciso compensar o monoplio e a concentrao dos meios de produo.

Vamos por etapas. Em primeiro lugar, como muito comum acontecer na vida, uma falta de registro histrico, uma ingratido. Pois foram os jornais e as emissoras de televiso que destacaram a imagem de Lula, o metalrgico, comandando a greve de 79 no ABCD paulista, transferindo-a do campo trabalhista para o poltico. Veicularam intensamente a onda nacional de protestos contra sua priso naquele momento, primeira reao sindical depois do fim do ciclo do arbtrio absoluto.

Em segundo lugar, no verdade que no sejam os rgos de comunicao afeitos ou que no se preocupem com a qualidade. Pelo contrrio. Basta examinar as edies de O Globo, O Estado de So Paulo, Folha de So Paulo, Correio Braziliense, Zero Hora de Porto Alegre, do Estado de Minas, para se constatar o absurdo da afirmativa, que desqualifica a ideia formulada.

No fato, tambm, que no se ajustem ao debate democrtico. Sustentao falsa. s ler os artigos, as matrias, as entrevistas publicadas, as sees de cartas aos leitores. O pluralismo est caracterizado todos os dias. Mais um absurdo total.

Em terceiro, o que significa a frase preciso compensar o monoplio e a concentrao dos meios de produo? No caso, meios de produo s podem ser os do sistema de comunicao, j que este o captulo ao qual a afirmao se refere e focaliza. Como compensar o monoplio? Simplesmente impossvel, a no ser que fossem aplicados investimentos estatais no setor. O que no tem cabimento. H cinqenta e seis anos, o financiamento do Banco do Brasil ao jornal ltima Hora, acabou levando diretamente a uma CPI de grande repercusso poltica, e indiretamente o presidente Getlio Vargas ao suicdio. No existe tal possibilidade no panorama de hoje.

Quando Dilma Rousseff que assinou, segundo ela prpria, sem ler direito recorre palavra monoplio, s pode estar se referindo s Organizaes Globo. Pois no existe outro grupo empresarial to forte e abrangente no Brasil. Caso da Rede Globo, lder absoluta em audincia, do Jornal O Globo, da Rdio Globo, AM e FM, da CBN, da NET, de canais a cabo como o Sport TV, a Globo News. H uma contradio ntida. Existe ainda, ia esquecendo, o jornal Valor, lder absoluto na rea econmica, em sociedade coma Folha de So Paulo, que, por seu turno possui o controle acionrio do portal UOL, o maior do pas. Casos de concentrao, sim, mas decorrentes da qualidade de cada um deles. Isso inegvel. Mas a sequncia de equvocos do PT no termina a. Fala em desconcentrao.

Como faz-la? Como tornar a ideia na sombra em exeqvel na prtica? No existe como. No h forma possvel de se promover projeto to absurdo. Impressionante a viso destorcida. Uma pergunta: quem tem destacado para a opinio pblica a enorme aprovao do governo Lula?

Basta dizer isso.

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