Vitória da Espanha foi total: na arte e na tática

Pedro do Coutto

A vitória ontem da Espanha sobre a Alemanha foi total: o time ganhou na arte, na técnica e na tática, a partir do meio campo até às chegadas à área, além de nas ações defensivas, sempre eficientes. A partida, ao contrário de Brasil e Holanda, não foi violenta, não houve quase faltas. Arbitragem serena. Agora pela frente a final de domingo, quando mais um país escreverá seu nome na galeria dos campeões do mundo.

Espanha e Holanda nunca venceram. A Holanda esteve duas vezes na final: em 74, quando perdeu  para a Alemanha; em 78 quando perdeu na prorrogação para a Argentina em Buenos Aires. No último minuto do tempo normal Rosenbrink chutou uma bola na trave. O sonho  do carrossel mágico era adiado. Passaram-se trinta e dois anos e a laranja mecânica está novamente numa decisão.

A Espanha nunca foi à final. O máximo que conseguiu foi ficar entre os quatro das semifinais, na taça de 50, no Brasil, entre nós, o Uruguai e a Suécia. Perdeu para nós por 6 a 1, com o Maracanã cantando as Touradas de Madrid, de Braguinha, empatou com o Uruguai em 2 a 2. Confesso que, neste instante em que escrevo, não me lembro do resultado de Suécia e Espanha. Chegaram quatro seleções. O regulamento era diferente. Se o Brasil tivesse empatado com o Uruguai, seríamos campeões. Mas são outras questões, pertencem ao passado.

A Espanha, ontem, foi brilhante contra a Alemanha. O técnico Vicente Del Bosque armou plenamente a equipe. Adotou dois comportamentos. Quando estava com a bola era uma, atuava aberto pelos lados, com os atacantes chegando em velocidade pelo meio. Sem a bola, os extremas que retornaram ontem ao futebol faziam linhas oblíquas e voltavam fechando os espaços de meio campo e de defesa. Movimento simples e lógico.

Atuação muito diversa daquela que marcou sua derrota por um a zero párea a Suiça na etapa de classificação das chaves. Del Bosque não complicou. Resultado, a Espanha agiu com desenvoltura. Marcou bem a saída de bola alemã, trocava poucos passes para chegar à área adversária. Teve uma série de oportunidades de gol, perdidas pelo desejo de jogadores se tornarem autores dos tentos. Em várias ocasiões – foram diversas – bastava um simples passe para que o resultado não fosse um, mas dois ou até três a zero. Sintoma clássico do domínio de uma seleção sobre outra, de um time sobre outro.

O treinador alemão Joachim Law, surpreendentemente, não tomou providência alguma para ajustar o desempenho alemão ao cenário desenhado na partida. Preferiu manter o estilo de jogar de contra-ataque com o qual os alemães sábado passado arrasaram os argentinos. Mas o jogo era outro. A seleção argentina era fraca na defesa, boa no ataque, quando os adversários davam espaço para a saída de bola. Contra a Alemanha não havia o mesmo espaço oferecido, por exemplo, pela Coreia do Sul. Por isso, digo sempre que cada jogo é um jogo, cada confronto é um estilo diferente, uma emoção diversa.

Ontem, em Durban, ao nível do mar, com a bola quicando e subindo menos, Joachim Low, em minha opinião não compreendeu a partida e, sentindo a superioridade espanhola, não procurou um novo esquema tático. Conformou-se e, parece, esperou pela sorte, um sucesso em lance isolado. Quase um milagre. Sentindo a pressão espanhola sobre a armação alemã, deveria ter aberto os pontas para tentar obter mais espaço e também mais tempo com o domínio da bola. Não fez nada disso. Espanha um a zero. Domingo, pela primeira vez Espanha ou Holanda levantam a Taça e dão a volta olímpica. O que o Brasil já fez cinco vezes. Vamos ver se a sexta finalmente acontece em 2014.

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