Vitória da voz rouca das ruas

Carlos Chagas

A Justiça Eleitoral atendeu  pela  segunda vez  à voz rouca das ruas. Primeiro, ao reconhecer a aplicação imediata da lei ficha limpa, já para as eleições de outubro. Agora, ao interpretar que o novo texto vale para condenações anteriores à sua sanção.  Nos dois casos, havia dúvidas,  como a  de que a lei só retroage para beneficiar, jamais para prejudicar. Ou a de que com a mudança de redação verificada no Senado, poderiam registrar-se como candidatos os cidadãos condenados por colegiados antes da vigência do ficha limpa.

O Tribunal Superior Eleitoral fez a ordem jurídica funcionar a serviço dos anseios da sociedade. Porque a ninguém seria dado supor outro sentimento da opinião pública que não fosse a indignação, caso a lei só valesse para 2012 ou apenas para condenados a partir de agora. Prevaleceram o bom senso e a evidência de que as decisões judiciais  devem exprimir a voz rouca das ruas.

Políticos sobejamente conhecidos estão impedidos de disputar postos eletivos. Citá-los seria prematuro, mas estão aí mesmo, à vista de todos.  O Congresso e as Assembléias Legislativas deixam de servir como santuário para bandidos.

As próximas

Aguarda-se com ansiedade a divulgação de mais pesquisas eleitorais. Os principais  institutos não se deixaram intimidar pela realização da copa do mundo de futebol e estão em campo para nova sondagem das tendências da população. Especular sobre os números, agora, além de perigoso pode ser fatal para o partido que o fizer.

Os tucanos jogam no recente programa de propaganda partidária gratuita encenado esta semana, com ênfase para o “Zé”. O candidato apareceu de corpo inteiro nos vinte minutos de performance,   em todas as telinhas, sem falar nas centenas de meteóricas inserções anteriores.

Já os companheiros acreditam no processo de ascensão de Dilma Rousseff, que de um dígito modesto foi galgando patamares até chegar ao empate com o adversário. Não iria parar agora, importando menos se cresce  pelos próprios méritos ou  pela presença maciça do presidente Lula na campanha.

Pesquisa não ganha eleição, reflete um momento da disputa, mas, salvo surpresa ou engano, haverá segundo turno.

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