Você sabe quantos partidos políticos existem funcionando no Brasil e em formação? São 57 legendas, e o prefeito Kassab vai usar uma delas para burlar a lei e entrar no PSB.

Carlos Newton 

A relação oficial do Tribunal Superior Eleitoral registra a existência de 27 partidos no Brasil, funcionando e recebendo generosos recursos públicos do Fundo Partidário. E já existem outros 30 legendas em processo de organização, e nove delas já conseguiram se oficializar em Tribunais Regionais Eleitorais, mas ainda estão pleiteando o registro nacional.

Uma dessas siglas, curiosamente, é a velha UDN (União Democrática Nacional). E outra legenda em formação é o Partido Democrático Brasileiro (PDB), que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pretende usar como trampolim jurídico e burlar a lei, desfiliando-se ao DEM para depois, numa terceira etapa, entrar no PSB.

Existem também outras 15 organizações políticas que são consideradas partidos sem registro, que atuam aliadas a outras legendas, como a influente UDR (União Democrática Ruralista), o esfuziante PBM (Partido Brasileiro da Maconha) e os ultra-revolucionários PCML (Partido Comunista Marxista-Leninista) e a LBI (Liga Bolchevique Internacional).

No meio dessa esculhambação partidária e eleitoral, uma das novas legendas em formação é o Partido Militar Brasileiro (PMB), liderado por um capitão da Polícia Militar de Ourinhos (SP), Augusto Rosa, que se diz disposto a “invadir o Congresso Nacional, no bom sentido”.

No dia 29 de janeiro foi realizada a convenção nacional do partido, que já tem estatuto aprovado e, segundo o animado capitão da PM, mais de 5 mil pré-filiados nos 27 Estados  – a Constituição exige pelo menos 101 membros-fundadores em nove Estados. O segundo passo para oficialização é levar a documentação à Brasília, para publicar no Diário Oficial da União, e depois fazer o requerimento ao Tribunal Superior Eleitoral e o registro no cartório de notas.

A criação de um partido militar começou a ser idealizada pelo capitão após fracassar como candidato a deputado estadual. Em 2003 então juntou simpatizantes e foi estudar como se cria um partido. Oito anos depois, a ideia parece que deu certo. “Somos mais de 1 milhão no Brasil – e em todos os mais de 5 mil municípios”, exagera ele, que se comporta mesmo como um político experiente, mentindo para valer.

Primeiro, ele não explica como um oficial da ativa (ele próprio) foi candidato. Como se sabe, militares só podem ser candidatos na reserva. Outro balela do capitão é dizer que no partido a tão importante hierarquia militar é deixada um pouco de lado. “Tem soldado que é presidente de diretório e general que é assessor dele”, afirma, como se algum dia isso pudesse ser realidade. Mas num país como o Brasil, felizmente, sonhar ainda não é proibido. Mentir, também não.

E lá vai o prefeito Gilberto Kassab (representante da mais importante cidade brasileira, que dispõe do terceiro maior orçamento administrativo do País) a mentir desbragadamente, dizendo que vai se filiar ao PDB, quando na realidade quer se filiar ao PSB. É um ato vulgar de oportunismo, porque o PSB foi o partido que mais cresceu nas últimas eleições.

A dúvida é saber se Kassab é ou não o dono do PDB. Calcula-se que a montagem de um partido, com registro no TSE, custe algo em torno de R$ 1 milhão, por que exige grande número de pessoas envolvidas nisso profissionalmente, viajando pelo estados para colher assinaturas de eleitores e tudo o mais. Se ele já gastou esse dinheiro (de onde teria saído?) , pode se filiar ao novo partido e depois liquidar com ele, ao fazer a fusão com o PSB. Mas se o partido tiver outro dono, Kassab terá de gastar muito dinheiro (R$ 1 milhão é pouco) para pagar a fusão ao PSB. Ou então ficar com o PDB atuante e apenas coligado ao PSB nas eleições. Faça as contas, prefeito, o senhor é muito bom nisso.

 

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