Você votaria num candidato à Presidência da República, que não sabe quem é o presidente do Senado Federal?

José Carlos Werneck

Ouvi atentamente a entrevista concedida pela candidata Dilma Roussef à rádio CBN. Pensei que estivesse ouvindo um daqueles monótonos pronunciamentos de autoridades governamentais, que absurdamente as emissoras privadas são obrigadas a retransmitir. Com exceção da brilhante e bem preparada jornalista Miriam Leitão, que fez a única pergunta bem fundamentada, que, aliás, não foi respondida pela candidata, os outros “entrevistadores”, mais pareciam ser funcionários de uma emissora estatal.

Heródoto Barbeiro, até que tentou, mas foi devidamente “enrolado” pela entrevistada. Lucia Hippolito perguntou sobre o papel das agências reguladoras, num eventual governo Dilma. A resposta foi um tanto confusa e parece que não deixou ninguém convencido. Dilma Roussef, vendo que dominava o cenário, falou o que quis. Elogiou o excelente sistema de saúde implantado em Pernambuco, pelo governador Eduardo Campos, embora, todos saibam, prefira o Hospital Albert Einstein, onde se tratou às custas do contribuinte brasileiro, que é obrigado a enfrentar as filas do SUS, para receber um tratamento de saúde “de padrões escandinavos”.

Afirmou, depois de muitas idas e vindas,bem ao estilo mineiro, que quer a volta da malsinada CPMF. Quanto à questão da Previdência Social, disse que com o aumento da expectativa de vida do brasileiro, teremos que repensar a Previdência. Não deixa de estar correta. Por isso, eu, que sou justo, tenho aqui duas preciosas sugestões para o problema: continuem pagando essas “maravilhosas” aposentadorias e pensões a nossos velhinhos e velhinhas que eles morrerão rapidinho; ou acabe-se com os “mensalões”e roubalheiras semelhantes, que logo teremos um sistema previdenciário equilibrado. Claro que prefiro a segunda hipótese.

Mas, nem tudo foram erros. A candidata acertou em cheio quando discorreu sobre a construção da usina de Belo Monte e o sistema hidrelétrico do país. Foi honesta e sincera, quando sem nenhuma hipocrisia, ao contrário de José Serra, discorreu sobre a colocação de aliados políticos, em cargos da administração, mostrando, que isso ocorre em todas as nações democráticas, citando especialmente os Estados Unidos e Inglaterra.

Também acertou, quando disse que não cabe ao Governo Federal imiscuir-se no problema da redução da jornada de trabalho, para quarenta horas semanais. Foi precisa ao afirmar que isto é assunto para uma negociação entre os trabalhadores e empresários. Sobre petróleo mostrou que conhece pouco do assunto. Depois de muito gaguejar dizendo que o nosso petróleo antes era “muito pesado”, disse que recorria à expressão “pesado”, por que não queria usar uma linguagem técnica. Ah! bem…  Vamos combinar que acreditamos.

Finalizando a ministra Dilma afirmou que acredita que Michel Temer será um bom companheiro de chapa, pois além de outras qualidades “é presidente do Senado”. Numa frase destituiu o aliado José Sarney, da Presidência do Congresso, o que muita gente tentou durante meses e ela conseguiu em poucos segundos. Aí, graças a Deus, e para alívio de todos a entrevista acabou.

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