Votação do Código Florestal: o relator, Aldo Rebelo, se descontrola, acusa o marido da presidenciável Marina Silva de “ser desmatador e fazer contrabando de madeira”.

Helio Fernandes

Foram 12 horas de discussões, debates, desencontros, acordos e desacordos. Quase à meia noite de quarta (ontem, para quinta, hoje) um tremendo debate entre Ruralistas e Ambientalistas, uma tremenda divergência e até hostilidade, entre a chamada base do governo e o próprio governo.

Poucos entendiam alguma coisa, a confusão era geral. Quando os líderes dos partidos foram chamados para orientarem as bancadas, a surpresa dos porta-vozes do governo: Candido Vaccareza, Henrique Eduardo Alves e Paulo Teixeira.

Assombrados, constataram, só o PT votava com o governo. Surgia ou se prenunciava total derrota do Planalto-Alvorada.

Aí, como a votação estava para começar, com a derrota inevitável do governo, veio a ordem da Casa Civil, Palocci naturalmente monitorado lá do alto: “Não pode haver votação”. Então, como a ordem era para não haver votação, e como não havia tempo, utilizaram um recurso sem ética e totalmente irresponsável: “Os partidos que não podiam DESOBEDECER ao Planalto (sob pena de PERDEREM ou NÃO GANHAREM mais cargos) se declararam em OBSTRUÇÃO.

Para os que não estão “familiarizados” com a linguagem ou a irresponsabilidade parlamentar, significa que NÃO VOTARÃO. E como T-O-D-O-S os partidos que apóiam o governo, tomaram essa decisão-posição, foi constatada a seguinte realidade-irrealidade fisicamente contraditória: os deputados estava presentes, mas declaravam que NÃO VOTARIAM. Inacreditável.

Aí, enquanto o presidente da Câmara, Marco Maia (que recebeu ordem pelo celular) tentava encerrar prematuramente a sessão, começou outra, paralela, de XINGAMENTO TOTAL E ABSOLUTO. Foi então que, enquanto o deputado Aldo Rebelo era acusado de ter modificado o relatório, veio outra, mais grave, pronunciada pelo líder Vaccareza: “O relator Aldo Rebelo não emendou o projeto, fez outro, completamente diferente, exatamente o contrário”.

O plenário gritava “Aldo, Aldo”, e alguns emendavam “GRANDE ALDO”, ele se descontrolava e fazia as acusações que coloquei no título dessas notas. Aconteceu então o incrível: enquanto o deputado acusava violentamente o marido de Dona Marina, a ex-presidenciável estava bem atrás dele.

A confusão se prolongou, cinco deputados (até do PT e, lógico, do PV) ocupavam o microfone do plenário, e EXIGIAM (textual) que o deputado do PCdoB retirasse as acusações, que foram usadas sem nenhum sentido e num momento inteiramente sem oportunidade.

Os deputados que defendiam o marido de Dona Marina (ninguém falou seu nome para acusar ou defender) se revezavam no microfone. Aldo Rebelo desapareceu, Marco Maia conseguiu dizer: “A sessão está encerrada, convoco outra EXTRAORDINÁRIA PARA AMANHÔ (hoje). Lembrou que não pode convocar EXTRAORDINÁRIA, já com a sessão encerrada, pegou o microfone e retificou: “A sessão de amanhã será ordinária”. Se for, a palavra cabe perfeitamente, mais ordinária é impossível.

A votação ficou então marcada para a próxima quarta-feira, único dia reservado para DELIBERAÇÃO, só que ontem foi quarta e não votaram. E ninguém sabe se haverá mesmo votação na próxima.

O governo terá uma semana para transformar em VOTO A FAVOR os que se consideraram em OBSTRUÇÃO. É só liberar mais alguns cargos. Palocci terá uma semana de “Ribeirão Preto”. O “Grande Aldo” terá também uma semana para se reabilitar com o governo, mas não se reabilitará com a própria “Casa”, com o PT, com Dona Marina e com a opinião pública. Com o governo é fácil.

***

PS – No meio daquela confusão toda, às 23,40, consegui ver o ex-futuro quase presidenciável José Serra. O que fazia ali? Conversava muito.

PS2 – Dois senadores que não tiveram votos para se reeleger, também estavam presentes, inteiramente silenciosos e inteiramente abandonados.

PS3 – Eram Eduardo Azeredo, que já presidiu o PSDB, e Sergio Guerra, que preside o mesmo PSDB, e será reeleito.

PS4 – Que Código Florestal, que República.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *