Voto é secreto e senadores ainda veem risco para Fachin

Renan Calheiros promete manter sua “neutralidade”

Andréia Sadi e Gabriela Guerreiro
Folha

Apesar de terem aprovado o nome de Luiz Fachin na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), senadores ainda ameaçam reprovar sua indicação para o STF (Supremo Tribunal Federal) no plenário da Casa, na próxima terça.

Parlamentares da cúpula do PMDB ouvidos pela Folha disseram que a ”probabilidade” de rejeição é ”meio a meio”. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) trabalha nos bastidores contra Fachin, como forma de demonstrar força ao governo. Ele nega a movimentação.

“Eu sinceramente não farei nada, absolutamente nada, que arranhe a minha condição de neutralidade”, disse. “As pessoas ora me colocam como aliado e ora como adversário […]. Eu me coloco firmemente pela neutralidade.”

QUESTÃO POLÍTICA

Alguns senadores dizem que as dúvidas sobre Fachin – se é ligado ao PT, por exemplo – foram sanadas na sabatina na CCJ. A avaliação é a de que ele se saiu bem e que foi superada a ”questão técnica”.

Segundo peemedebistas, porém, a confirmação no plenário agora é uma ”questão política”: Aprovar o novo ministro para o STF ou derrotar a presidente Dilma Rousseff, a responsável pela indicação?

O raciocínio de alguns é o seguinte: não podem ficar contra o ajuste fiscal de Dilma pois estariam ”contra o Brasil”; mas podem “dar o troco” no Planalto ao rejeitar Fachin. Como a votação é secreta, oposicionistas dizem que senadores não se sentiriam constrangidos a votar contra.

MOTIVAÇÕES

Calheiros entrou em rota de colisão com Dilma desde que seu nome apareceu na lista dos políticos investigados pela Operação Lava Jato.

A maioria da oposição também é contrária à aprovação de Fachin, com exceção do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), relator da indicação.

Ministros do STF elogiaram o desempenho de Fachin na sabatina. Apontaram que as resistências à indicação se devem à conjuntura política, não à qualificação dele.

Integrantes do Planalto dizem que o governo já tem a ”sensação de derrota” com a aprovação da PEC da Bengala na Câmara na semana passada, norma que retirou de Dilma a possibilidade de indicar cinco nomes para o STF. Por isso, afirmam, não é necessário ”sacrificar” o currículo de Luiz Fachin.

6 thoughts on “Voto é secreto e senadores ainda veem risco para Fachin

  1. APROVAR FACHIN É QUESTÃO DE BOM SENSO

    O líder do Pdt Senado, senador Acir Gurgacz, deverá orientar os votos da bancada pedetista a favor da indicação de Luiz Edson Fachin para o Supremo Tribunal Federal (STF). Conversamos sobre isto durante a reunião do PDT Nacional, sexta-feira (15), no Rio, com a concordância de outros parlamentares. Apenas um se mostrou contrário, mas ficou de repensar sua intenção.

    Apoio a indicação do jurista paranaense, como ex-aluno e testemunha do respeito que o mestre desfruta entre incontáveis profissionais do Direito que com ele aprenderam e de alguma forma refletem o consenso do Paraná em torno de sua mais legítima postulação junto ao Senado Federal.

    ESTABILIDADE POLITICA – O PDT Nacional​ reiterou apoio à presidente Dilma Rousseff​ em face da instabilidade política nacional, porém também confirmou discordância quanto a determinadas ações do governo sobre as quais vem se manifestando e orientando suas bancadas na Câmara e no Senado a votarem contra. A coisa ficou mais ou menos assim: Que as relações entre Dilma​ e a sigla brizolista não se extremeçam, atire a primeira pedra quem deseja pior para o país.. Maiores informações no site http://www.pdt.org.br

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