Votos de Marina já passaram para Dilma e Serra

Pedro do Coutto

Chaves (fronteira com Espanha) – Nesta cidade portuguesa onde nasceram avós de minha mulher Elena, daí a razão da viagem do Porto para cá, leio no Diário de Notícias a pesquisa do Datafolha publicada hoje que aponta, para o segundo turno, 54 pontos para Dilma Rousseff contra 46 de José Serra. Como se verifica, de acordo com as tendências de hoje, os 20% alcançados no primeiro turno por Marina Silva já se transferiram automaticamente em frações desiguais para os dois finalistas de 31 de outubro. Dilma Rousseff absorveu 8 pontos e Serra arrebatou 12%. Daí porque a diferença entre uma e outro se estreitou de 12 degraus para apenas 8.

Provavelmente o estoque de sufrágios verdes se esgotou, mas isso não quer dizer que a sucessão de 2010 já esteja decidida. Vai depender da reta finalíssima e basicamente de dois fatores: a nova presença do presidente Lula na campanha e principalmente do desempenho de cada adversário no debate marcado para o dia 26 na Rede Globo de Televisão. Isso porque o índice de audiência será muito grande.

As eleições presidenciais poderiam ter sido decididas no primeiro turno em favor da ex-ministra não fosse a explosão do escândalo chamado Erenice Guerra. O recuo de 4 pontos que atingiu Dilma nos últimos lances do confronto deve-se exclusivamente a esse episódio que chocou o país e deslocou uma parcela de eleitores para Marina Silva.

O Público, outro jornal português de grande destaque publicou também na edição de hoje, domingo, o que se pode chamar de os dez mandamentos de Marina Silva para que Dilma e Serra respondam se estão de acordo com o programa básico do PV. Mas é claro que em 9 pontos a concordância é fácil. Entretanto existe um condicionante que pode causar polêmica: trata-se da proposta do PV no sentido de uma reforma política que substitua as eleições proporcionais para a forma de escolha distrital, e, além disso com a adoção de um sistema misto, tipo parlamentarismo alemão, quando a escolha dos eleitos é feita metade pelo voto por distrito e outra  metade conforme as listas partidárias. Este ponto pode causar polêmica, mas também pode ser superado, pois o compromisso de agora tanto por parte de Dilma quanto por Serra pode ser esquecido nas eleições proporcionais de 2014.

Finalmente duas condicionantes colocadas por Marina Silva certamente vão ser aceitas, porém não se tornarão por isso exequíveis. Ela propõe 7% do PIB para educação, o que corresponde a 250 bilhões de reais, 3 vezes o que está no orçamento deste ano. Para a saúde ela impõe 10% do PIB, correspondendo a 300 bilhões, três vezes e meia o que está na Lei Orçamentària de 2010.

Mas a do Datafolha foi a primeira pesquisa para o segundo turno. Outras pesquisas virão.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *