Votos de Marina voaram antes de seu apoio a Aécio Neves

Pedro do Coutto

Numa entrevista informal ao repórter Mário César Carvalho, publicada pela Folha de São Paulo, edição de segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff afirmou que voto não se transfere, afirmação voltada para reduzir o impacto do apoio de Marina Silva a Aécio Neves, nas urnas decisivas no dia 26. A afirmação é válida em termos, generalizar uma opinião é algo sempre incerto. No passado, houve poucos casos, mas no presente a iniciativa assumida pela ex-ministra do Meio Ambiente refletiu e repercutiu no quadro político da sucessão presidencial.

Inclusive, vale notar, que a transferência da maior parte dos votos que recebeu no primeiro turno deslocou-se para a campanha do senador mineiro dias antes de sua declaração formal de apoio. O Datafolha revelou na primeira pesquisa do segundo turno que dois terços dos votos obtidos por Marina deslocaram-se para Aécio e 18% para a presidente da República. A tendência predominante está assim identificada. Mas sobra uma fração de 16 pontos a ser disputada. Como é bem maior do que a diferença entre as duas candidaturas, é possível supor que da disputa desses votos indefinidos poderá sair a eleição da vitoriosa ou dos vitoriosos.

Transferência de intenções de voto ocorreu. Basta comparar os números do primeiro confronto com a pesquisa do Datafolha sobre o segundo. Dilma Rousseff subiu de 41 para 49%. Aécio Neves avançou de 33 para 51 pontos. Marina teve praticamente 21% da votação. Os pequenos candidatos (foram oito) totalizaram 3,5% dos sufrágios. As transferências, assim, aconteceram de um lado e outro, em forma desiguais. Natural o fenômeno. Sobretudo o eleitorado brasileiro, neste ano, encontra-se dividido entre pró-Dilma e anti-Dilma. O processo de decisão ficou nítido desde o começo da campanha. Tanto assim que, na fase em que Marina subia, Aécio descia; e na fase em que Marina iniciou a descida, Aécio passou a subir.

EQUILÍBRIO

Agora, na reta final, estabeleceu-se um equilíbrio entre Aécio e Dilma, ambos empenhados em intensa disputa para conquistar os sufrágios ainda disponíveis, eleitores que ainda não decidiram totalmente qual o rumo das urnas que seguirão nas duas semanas que faltam para que toquemos as teclas das urnas eletrônicas. O tempo passa rápido, os poucos dias que faltam para as urnas são velozes.

Haverá mudanças de posicionamentos? Nesta altura dos acontecimentos tudo depende dos debates que vão ser travados, especialmente o previsto para a Rede Globo, pela maior audiência que o canal apresenta. É tempo de decisão, de um candidato arrebatar votos do outro, de consolidação ou mudança de ponto de vista, de opinião, de voto.

Acho, francamente, que nunca houve uma eleição tão disputada como esta. Voto a voto. A diferença final, penso eu, será mínima. Vamos ver o que dizem as pesquisas do IBOPE e Datafolha. Vamos aguardar a resposta final das urnas.

2 thoughts on “Votos de Marina voaram antes de seu apoio a Aécio Neves

  1. Acho que já deveria estar claro, para todos os que escrevem a respeito, que a maioria do povo não suporta mais o pete e suas maracutaias. Prova disso é que mesmo uma parcela que recebe o bolsa família não vota em Dilma! Quem achava que 100% dos que recebem a bolsa votaria nela se enganou. Isso dá a medida de onde chegou a corrupção.

  2. Pedro, pelo que você escreve, e como escreve, parece que você sabe como funcionam as nossas fraudáveis urnas eletrônicas, como já comentei em artigo seu, anterior. Você relata com tanta convicção, que me evidencia a fraude, exatamente como imagino, a despeito de interpretações diversas de outros comentaristas, como houve.

    Mas desta vez, com este texto, você está exagerando na dose.
    Porque nunca, na História deste País, os institutos de pesquisa erraram tanto como nesta última votação, erraram muito mais do que acertaram. Mas isto você não citou, muito pelo contrário, o seu texto parece sugerir que o debate seja feito só quanto ao que dizem as pesquisas, como se isto fosse um mito: as pesquisas disseram…então, amém, está dito o nosso futuro e votem pelo que disserem as pesquisas!!!.

    Sabendo destes “erros pesquisacionais” havidos, transcrevo a seguir algumas frases do seu texto acima e fico pensando no objetivo buscado com tais frases.

    1) No passado, houve poucos casos, mas no presente a iniciativa assumida pela ex-ministra do Meio Ambiente refletiu e repercutiu no quadro político da sucessão presidencial. (sic!)

    É mesmo, Pedro? E você já sabe que repercutiu? Então, o cara que já mexeu no programa das urnas para “repercutir” a iniciativa da Marina te falou isto?
    Que beleza, que convicção a sua, você está “por dentro” mesmo!

    2) Inclusive, vale notar, que a transferência da maior parte dos votos que recebeu no primeiro turno deslocou-se para a campanha do senador mineiro dias antes de sua declaração formal de apoio. (sic, sic!)

    Nossa! Você sabe até a hora e o dia em que a “mexida nos programas” foi feita!
    A maior parte já se deslocou…e antes do apoio formal!
    Uma tal precisão é “úrnica”…

    3) O Datafolha revelou na primeira pesquisa do segundo turno que dois terços dos votos obtidos por Marina deslocaram-se para Aécio e 18% para a presidente da República. A tendência predominante está assim identificada. (sic, sic, sic!)

    Perfeito, Pedro! O fraudador te contou até a quantidade de votos em que ele mexeu, dois terços, 66,66%, conforme dados já alterados da primeira pesquisa…
    Com isto, com o “serviço pronto”, a tendência predominante está assim identificada.
    Que beleza, cara! E ninguém vai perceber que ocorreu…

    4) É possível supor que da disputa desses votos indefinidos poderá sair a eleição da vitoriosa ou do vitorioso. (sic, sic, sic, sic!)

    Raios, isto é verdade até em Portugal, portanto, no Brasil também, né?

    5) Nesta altura dos acontecimentos tudo depende dos debates que vão ser travados, especialmente o previsto para a Rede Globo, pela maior audiência que o canal apresenta. (sic, sic, sic, sic, sic!)

    Puxa, aqui você explicita o Papa, nuzinho da Silva!
    Soa até engraçado ler que “tudo depende dos debates”…
    Como assim, então, enxergar o Papa nu depende de onde cada um está olhando no Papa nu? Oh loco, meu!

    6) Vamos ver o que dizem as pesquisas do IBOPE e Datafolha. Vamos aguardar a resposta final das urnas. (SIC final!!!)

    Pedro, que cereja e que bolo! Evidencia e determina, sem alternativa, que todos temos que acreditar piamente no Ibope e Datafolha: o que disserem, estará dito e pronto.
    A seu ver final, só faltam agora os boletins de urna, que já estão impressos com o vitorioso (quem será? Oh Deus, oh raios, oh Virgem Maria!) e tudo fica confirmado, o Datafolha, as pesquisas, as mudanças do eleitorado e a sua antevisão magistral!
    Perfeito, magnífico texto! E nem um pouco tendencioso…

    Ao final, para conhecimento geral deste assunto – urnas fraudáveis – de que participo há alguns anos, relato agora, não uma pesquisa fajuta qualquer, mas o resultado do teste “de segurança” que o TSE promoveu em Brasília, em 2012, para mostrar que as urnas são seguras: uma equipe de testadores, sob o comando do professor Diego Aranha, da Unicamp, descobriu uma falha na urna submetida a análise. Tal fato não foi foi considerado como “falha” da urna, claro, e já foi corrigido, inclusive, disse o TSE.

    Não se atenham, os futuros contestadores do que digo aqui, à ordem dos votos descoberta, se isto é ou não é falha, intencional ou não, também.
    Atenham-se apenas à facilidade com que o TSE altera o código dos programas, que já foram, como dito, corrigidos, no mesmo dia ou no dia seguinte.
    Procurem no papai Google pelas palavras “após apontar falha” ou “professor Campinas urna TSE” e leiam sobre o assunto.

    Ao final, acreditem nas pesquisas e nas urnas, que são seguras “pacas”!
    É só aparecer um erro que ele é corrigido na hora!
    Isto é que é segurança, não é mesmo?
    E, se dúvidas houver quanto aos resultados, façamos uma recontagem de votos…
    Seria cômico, não fosse trágico…

    Segundo clara convicção do Sr. Pedro do Coutto preparemo-nos, pois, para o Retorno…
    Do PSDB, do FHC, do Armínio Fraga etc., etc., etc.

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