Vox Populi e DataFolha, divergência de rumo

Pedro do Coutto

Na noite de sábado, Boris Casoy divulgou no Jornal da Band pesquisa do Vox Populi sobre a sucessão presidencial que difere do levantamento recente do Datafolha, mais por uma questão de rumo do que propriamente pelos números encontrados. O Datafolha apontou 36 pontos para Serra e 27 para Dilma. Em relação a seu levantamento anterior, o ex-governador de São Paulo teria avançado cinco degraus e a ex-chefe da Casa Civil permanecido exatamente onde se encontravam há 60 dias. Uma diferença significativa.

Agora, uma semana depois, em relação ao mesmo período, o Vox Populi aponta Serra estagnado em 34% das intenções devoto e Dilma avançando de 27 para 31. Quem terá razão? Outras pesquisas que vêm por aí vão acrescentar dados à outra interpretação. Entretanto embora haja diferença substancial quanto ao rumo dos números que assinalam tendências, há concordância quanto às manifestações em torno de Ciro (pelo VP 10 pontos, 11 pelo Datafolha). Relativamente a Marina Silva, o Datafolha apontou 8%. O Vox Populi assinala 5. Os eleitores que ainda não decidiram  e os que vão votar em branco ou anular o sufrágio, são 20%. Estas correntes para o Datafolha são 18 pontos.

Seja qual for a pesquisa mais correta, ambas apontam Ciro Gomes e Marina Silva completamente fora do páreo. O desfecho como todos sabem, será entre Dilma e Serra. Retirando o nome de Ciro, Serra sobe para 38, Dilma para 33, e Marina para 7. Não muda muita coisa. Ciro, contudo, tira mais votos de Serra do que de Dilma pelo perfil social dos eleitores. Seu pequeno leitorado está mais na classe média do que nas classes pobres. Eis aí uma vantagem para Dilma ao longo da campanha.

Os grupos sociais de menor renda são os que custam mais a se definir e também os que mais temem responder às pesquisas. Por isso, a tendência de Dilma é avançar além de Serra a partir da campanha da televisão, que começa em julho, e contará com forte participação de Lula. Se agora o panorama é de equilíbrio, deverá deixar de ser a partir do instante em que Lula entrar pesado na propaganda. Segundo o Datafolha, a diferença apertada em favor de Serra poderia identificar uma tendência essencial. Mas pelo Vox Populi, a inclinação por Serra não se confirma, não havendo estagnação, mas sim crescimento de Dilma.

Os acordos regionais em São Paulo e Minas aparentemente favorecem Serra. Principalmente em São Paulo, onde parece irreversível a consolidação de Geraldo Alckmin para governador. Em Minas, há dúvida. Aécio será candidato ao Senado, podendo Itamar Franco, pelo PPS, vir a sair vice de José Serra. Neste caso o PSDB decola firme no estado. Mas o PT balança entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel.

Patrus é um candidato muito fraco diante de Fernando Pimentel. Se o PT apoiar o ex prefeito de belo Horizonte, a disputa em Minas se equilibra e desaparece grande parte da vantagem que Serra obterá com o apoio de Aécio neves para o Senado. Fernando Pimentel prefeito reeleito de BH tem muito mais  apelo popular do que o ex ministro. Vamos ver o que dizem as próximas pesquisas.

Livro de Dora Kramer

A jornalista Dora Kramer, grande jornalista e estilista de O Estado de São Paulo, lançou segunda-feira seu livro “O Poder Pelo Avesso”. Foi em São Paulo. Quarta-feira no Rio, na Argumento do Leblon. Que a obra seja tão imperdível como sua coluna diária do Estadão.

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