Vox Populi leva governo a reexaminar São Paulo

Pedro do Coutto

A pesquisa do Instituto Vox Populi sobre as intenções de voto, hoje, para o governo de São Paulo 2010, divulgada pelo jornalista Ricardo Boechat no Jornal da Band, noite de terça-feira, vai levar o governo Lula a reexaminar as articulações que realizou naquele Estado no sentido de formar uma base sólida para a candidatura Dilma Roussef.

Os números foram arrasadores. Geraldo Alckmim disparado com mais de 50% das preferências, seguido de longe por Marta Suplicy que atingiu 18 pontos. Foi inclusive  o melhor desempenho do PT. Antonio Palocci obteve apenas 3%. Ciro Gomes, dependendo das alternativas colocadas, ficou entre 3 a 4 pontos. Ambos portanto muito fracos.

O Senador Eduardo Suplicy, que em momento algum entrou nas cogitações do Partido dos Trabalhadores embora pertença à legenda, não foi incluído no levantamento. Teria dado mais do que Marta e infinitamente mais do que Ciro Gomes e Palocci. O ex governador do Ceará, como escrevi na coluna de 12, já afastou a perspectiva de mudar seu domicílio eleitoral. Suas declarações criticando o governo e a aliança PT-Pmdb, publicadas no Globo e no Estado de São Paulo, afastaram-no como alternativa. Aliás, melhor dizendo, ele próprio se afastou.

Com os números do Vox Populi, ficou complicado para o PT e sobretudo para o presidente Lula. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, lá o PSDB revela-se firme. Em Minas Gerais, os tucanos parecem situar-se muito bem, sobretudo porque contam com o governador Aécio Neves e o ex presidente Itamar Franco.

Até hoje, pelo menos de 1945 para cá, candidato algum se tornou presidente da República sem ter vencido em São Paulo ou em Minas. Ou então para dizer o óbvio, nas duas unidades. No momento, em matéria de café com leite, como se classificava a união dos dois estados, a posição da Chefe da Casa Civil não se apresenta como das melhores.

O PT está fraco na área paulista, como os números revelaram, e não parece melhor em Minas como possivelmente os próximos índices vão revelar, em seguida à pesquisa que Boechat anunciou programada para o Rio de Janeiro. Lá, em Minas, o Partido dos Trabalhadores possui um candidato forte ao governo estadual, o ex prefeito Fernando Pimentel. Mas este é muito ligado ao governador Aécio Neves e dificilmente na campanha poderá adotar uma postura de combate ao PSDB, cujo candidato deverá ser José Serra, mas que poderá incluir Aécio como vice e Itamar como escolhido para disputar o Senado.

Afinal, Itamar Franco inscreveu-se no PPS e veio ao Rio, semana passada, junto com Serra e Aécio, que compareceram à convenção nacional, realizada no Hotel Guanabara, da legenda presidida por Roberto Freire. A impressão que o comparecimento de Serra e Aécio deixou é a de que eles vão caminhar juntos, e também ao lado do ex presidente da República, na campanha do ano que vem.

Faltam apenas 14 meses para as eleições e os prazos de filiação partidária e domicílio eleitoral terminam a 30 de setembro. O que se refere à desincompatibilização seis meses depois: 31 de março do próximo exercício. Mas – como na frase famosa de Julio Cesar – a sorte está lançada.

Não há muitas alternativas. Serra, pelas oposições, incluindo Aécio, Dilma pelo PT, Ciro, que se anunciou pelo PSB, desistindo de SP, e agora Marina Silva, pelo Partido Verde. As bases paulistas e mineiras estão fechadas. A do Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral, ainda não. Vamos ver o que vão revelar os números do Vox Populi e depois, sem dúvida, os do Datafolha e do Ibope. Is esquecendo o Instituto Sensus. Fica aqui a inclusão.

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