Wassef se manifesta após denúncia por peculato e lavagem de dinheiro : “Jamais participei de qualquer esquema”

Wassef acusa Lava Jato de criminalizar advocacia

Rayssa Motta, Pepita Ortega, Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo
Estadão

Após ser denunciado pela força-tarefa da Operação Lava Jato nesta sexta-feira, dia 25, o advogado Frederick Wassef, ex-defensor da família Bolsonaro, se manifestou sobre as acusações por peculato e lavagem de dinheiro. Em nota divulgada à imprensa, Wassef negou as imputações e afirmou que a denúncia é ‘baseada em absolutamente nada’.

“Estão criminalizando a advocacia no Brasil”, disse. “A denúncia do Ministério Público Federal é inepta e não descreve qualquer conduta praticada por mim ou mesmo qualquer crime, tendo se limitado a narrar simplesmente pagamentos de honorários advocatícios por serviços devidamente prestados, inovando no Brasil, transformando o regular exercício da advocacia em crime, de forma irresponsável e sem medir as consequências de dano de imagem e reputação a minha pessoa”, completou

OPERAÇÃO E$QUEMA – Além de Wassef, a Lava Jato do Rio acusa a sócia dele, Marcia Zampiron, o empresário Marcelo Cazzo, a advogada Luiza Nagib Eluf e o ex-presidente da Federação do Comércio do Rio, Orlando Diniz, no âmbito da Operação E$quema S, deflagrada no início do mês para investigar suspeitas de irregularidades na relação entre escritórios de advocacia e o Sistema S do Rio. Na ocasião, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, colocou 26 pessoas no banco dos réus por suposta participação no mesmo esquema, sendo 23 advogados.

As investigações apontaram contratos supostamente falsos firmados entre bancas de advocacia e o Sesc, Senac e Fecomércio. “Os serviços arrolados não foram prestados ou foram prestados no interesse exclusivo de Orlando Diniz para, por exemplo, a perseguição de adversários pessoais”, diz a Lava Jato.

O ponto de partida as apurações foi a delação premiada do próprio Orlando Diniz. Em depoimento, o ex-presidente da Fecomércio do Rio contou que buscava ‘comprar uma solução política’ e se ‘blindar das consequências dos desvios de recursos que vinham sendo praticados’ por ele. Para isso, firmava os contratos de fachada como estratégia para justificar pagamentos de vantagens indevidas disfarçadas de serviços que, na verdade, não eram prestados ou eram superfaturados.

CONTRATAÇÕES – Segundo a Lava Jato, Frederick Wassef, Marcia Zampiron e Luiza Nagib Eluf entraram no esquema em 2016 por indicação de Marcelo Cazzo que, na época, era o responsável pelas contratações de serviços jurídicos pela Fecomércio/RJ. O escritório Eluf e Santos teria sido usado como intermediário de pagamentos a Wassef e sua sócia.

A quebra de sigilo bancário do grupo indicou que, entre dezembro de 2016 e junho de 2017, o escritório de Luiza Nagib Eluf transferiu R$2,6 milhões ao escritório de Wassef e R$751 mil diretamente a Marcia. Em delação, Orlando Diniz contou que precisaram de um escritório interposto, uma vez que a então companheira de Frederick Wassef, Maria Cristina Boner Leo, tinha pendências judiciais, ‘o que poderia atrair holofotes indesejados para a contratação’.

MONITORAMENTO – Oficialmente, os contratos indicavam a prestação de assessoria jurídica na realização de sindicâncias administrativas para apurar vazamentos de informações do Sistema S. Mas, segundo a Lava Jato, o verdadeiro objeto dos serviços foi o monitoramento pessoal de Daniele Paraíso, funcionária do Senac e recém-separada de Orlando Diniz.

“(Daniele) havia recém se separado dele, pessoa a quem o colaborador imputava a pecha de persegui-lo, razão pela qual ele desejava responsabilizar por suspeitas de vazamentos”, sustenta a denúncia. “Por tabela, a deflagração dessas apurações internas também tinham o objetivo de garantir que os contratos milionários e que instrumentalizaram outros desvios não viessem à tona”, completa a Lava Jato do Rio.

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COM A PALAVRA, O ADVOGADO FREDERICK WASSEF

“Estão criminalizando a advocacia no Brasil. Eu não tenho e nunca tive qualquer relação comercial com a FECOMERCIO, não fui contratado por eles, não recebi um único centavo desta entidade e jamais negociei com eles.

Fui contratado e prestei serviços advocatícios a um renomado escritório de advocacia criminal de São Paulo, em que a dona é uma famosa procuradora do Ministério Público de São Paulo, conhecida por ter dedicado toda sua vida e carreira a instituição Ministério Público e o combate ao crime, tratando-se de pessoa pública, íntegra, proba e de idoneidade inquestionável.

Os serviços advocatícios foram devidamente prestados, os honorários foram declarados à receita federal e os impostos pagos.

Após dois anos de investigação da Fecomercio, jamais fui intimado ou convocado por qualquer autoridade a prestar qualquer esclarecimento. Desde o início da referida operação “esquema” não fui investigado e ao final não fui denunciado, pois sempre souberam que jamais participei de qualquer esquema.

Estranhamente após a denúncia de todos os advogados citados na referida operação sofri uma busca e apreensão em que nada foi apreendido por não terem encontrado qualquer irregularidade e mais estranhamente ainda resolveram oferecer uma denúncia relâmpago, isolada, baseada em absolutamente nada contra minha pessoa.

A denúncia do Ministério Público Federal é inepta e não descreve qualquer conduta praticada por mim ou mesmo qualquer crime, tendo se limitado a narrar simplesmente pagamentos de honorários advocatícios por serviços devidamente prestados, inovando no Brasil, transformando o regular exercício da advocacia em crime, de forma irresponsável e sem medir as consequências de dano de imagem e reputação a minha pessoa.

Nunca em minha vida respondi a qualquer processo ou fui investigado, sempre tive um nome limpo e sequer em 28 anos de advocacia tive uma única representação em meu desfavor perante a Ordem dos Advogados do Brasil.”

COM A PALAVRA, AS ADVOGADAS IZABELLA BORGES E MAÍRA FERNANDES, QUE DEFENDEM LUIZA ELUF

“A advogada Luiza Eluf recebeu com absoluta perplexidade a notícia do oferecimento da denúncia. Ela sempre trabalhou de forma correta e transparente, com atuação rígida nos termos da Lei. Repentinamente, é surpreendida com uma perseguição desvinculada da realidade. A defesa já havia feito contato com o Ministério Público Federal e solicitado que ela fosse ouvida presencialmente e aguardava que a data fosse marcada.

As advogadas Izabella Borges e Maíra Fernandes, que defendem Luiza Eluf, acreditam que a Justiça do espetáculo pode causar infinitos danos ao país! Luiza Eluf reforça que não praticou crime algum, que o serviço foi prestado conforme contrato, as notas emitidas, os tributos recolhidos, e sua inocência será comprovada.”

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CONRADO ALMEIDA CORRÊA GONTIJO, QUE DEFENDE MARCELO CAZZO

“A denúncia é absolutamente descabida. A defesa enfatiza que Marcelo Cazzo sempre esteve à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, jamais praticou qualquer ilegalidade e fará prova da sua inocência durante a tramitação do processo.” 

10 thoughts on “Wassef se manifesta após denúncia por peculato e lavagem de dinheiro : “Jamais participei de qualquer esquema”

  1. Após ser denunciado pela força-tarefa da Operação Lava Jato ou pelo MP reagem assim, e assim também reagiu até mesmo Sérgio Cabral , Picciani e Macelo Crivella :

    1) “Estão criminalizando a advocacia no Brasil. Eu não tenho e nunca tive qualquer relação comercial com a FECOMERCIO, não fui contratado por eles, não recebi um único centavo desta entidade e jamais negociei com eles”.

    2) ““A advogada Luiza Eluf recebeu com absoluta perplexidade a notícia do oferecimento da denúncia. Ela sempre trabalhou de forma correta e transparente, com atuação rígida nos termos da Lei. Repentinamente, é surpreendida com uma perseguição desvinculada da realidade. A defesa já havia feito contato com o Ministério Público Federal e solicitado que ela fosse ouvida presencialmente e aguardava que a data fosse marcada”.

    3) “As advogadas Izabella Borges e Maíra Fernandes, que defendem Luiza Eluf, acreditam que a Justiça do espetáculo pode causar infinitos danos ao país! Luiza Eluf reforça que não praticou crime algum, que o serviço foi prestado conforme contrato, as notas emitidas, os tributos recolhidos, e sua inocência será comprovada. As advogadas Izabella Borges e Maíra Fernandes, que defendem Luiza Eluf, acreditam que a Justiça do espetáculo pode causar infinitos danos ao país! Luiza Eluf reforça que não praticou crime algum, que o serviço foi prestado conforme contrato, as notas emitidas, os tributos recolhidos, e sua inocência será comprovada.”

    4) COM A PALAVRA, O ADVOGADO CONRADO ALMEIDA CORRÊA GONTIJO, QUE DEFENDE MARCELO CAZZO

    “A denúncia é absolutamente descabida. A defesa enfatiza que Marcelo Cazzo sempre esteve à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, jamais praticou qualquer ilegalidade e fará prova da sua inocência durante a tramitação do processo.”

  2. “Os encontros secretos de Bolsonaro com o ‘Anjo’.

    O ex-advogado dos Bolsonaro usou um jet-ski para entrar pelos fundos do Palácio da Alvorada e se encontrar secretamente com Bolsonaro. Foi apenas um dos encontros não oficiais entre eles.

    A visita foi apenas uma entre vários encontros não oficiais entre o presidente e “O Anjo” — como foi apelidado o advogado por ter escondido Fabrício Queiroz em casa em Atibaia. E mostra a proximidade entre o advogado e o presidente.

    Uma apuração exclusiva do repórter Fabio Leite revela agora que Wassef usou a proximidade com Bolsonaro para ganhar milhões de reais de empresários interessados em resolver problemas no governo:

    Além do advogado e do presidente, um dos casos revelados pela reportagem exclusiva inclui a participação do senador Flávio Bolsonaro e da concessionária Aeroportos Brasil Viracopos — que tinha uma pendência bilionária com o governo.

    Conforme revelou O Antagonista há três meses, Wassef foi contratado em novembro do ano passado por 5 milhões de reais para prestar “consultoria jurídica e estratégica” à concessionária Aeroportos Brasil Viracopos. Desde quando assumiu a concessão do aeroporto internacional em Campinas, em 2012, a empresa trava uma disputa com o governo para reequilibrar o valor do contrato, alegando que só recebeu 20% da área prevista e sofreu com a redução de 80% na tarifa de carga, sua principal fonte de receita. Três meses após contratar Wassef, a companhia fechou um acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, para devolver a concessão para nova licitação, mediante pagamento de indenização que será discutida em arbitragem. O decreto autorizando a relicitação foi assinado por Bolsonaro em julho, dois meses após ele receber o presidente do conselho de administração de Viracopos, João Villar Garcia, o Nico, no Palácio do Planalto. A agenda presidencial mostra que naquele mesmo dia, 14 de maio, Wassef conversou por 15 minutos a sós com o presidente uma hora antes do encontro entre seus dois clientes, Nico e Bolsonaro.

    A reunião no Planalto foi um dos dois únicos encontros de Wassef com Bolsonaro que aparecem, hoje, na agenda oficial da Presidência da República. Mas há outros. Segundo uma fonte que participou das tratativas de Viracopos, o advogado promoveu, logo na sequência, um segundo encontro – esse mais reservado — entre o empresário Nico e o presidente. Fora da agenda, à noite, no Palácio da Alvorada. Mesmo tendo que devolver de forma antecipada a concessão de 30 anos, arrematada em leilão com a oferta de 3,8 bilhões de reais, a concessionária tinha motivos para comemorar. O acordo fechado com a Anac após a contratação de Wassef paralisou um processo de extinção do contrato que estava em fase final na agência reguladora e que levaria a companhia à falência, com 3,5 bilhões de reais em dívidas com a própria Anac e o BNDES. Foi esse cenário tenebroso que levou a companhia a procurar os serviços de Wassef, em novembro de 2019…

    Foi aí que Wassef exibiu suas credenciais — ou seu atalho. Quando o executivo da Triunfo (sócia da Aeroportos Brasil Viracopos) chegou para a reunião acompanhado dos advogados da concessionária, deu de cara com o senador Flávio Bolsonaro na sala do apartamento… No apartamento de Wassef, Flávio foi apresentado pelo advogado aos representantes da concessionária de Viracopos…

    Em junho, logo após o contrato de Wassef com Viracopos ser revelado pelo Antagonista , um advogado entrou com uma petição no STF para que o Ministério Público Federal investigue se Bolsonaro e seu ex-advogado cometeram crimes de advocacia administrativa, tráfico de influência e corrupção no acordo envolvendo a concessionária de Viracopos. No último dia 15, o procurador-geral da República, Augusto Aras, decidiu abrir um procedimento preliminar para apurar se há indícios suficientes para a abertura de um inquérito envolvendo o presidente e Frederick Wassef. Agora se sabe que além dos encontros do presidente de Viracopos com Bolsonaro em Brasília, em maio, representantes da companhia estiveram também com o senador Flávio, no apartamento de Wassef.” (O Antagonista)

    Estão vendo, essa é a nova política.

    Plageando um comentarista bolsonarista:

    Ah, presidente vagabundo!

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