Youssef e Costa ajudam a mapear braço político da corrupção

Vasconcelo Quadros
iG São Paulo

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef estão ajudando a mapear o loteamento feito por partidos da base do governo na Petrobras, o elo político que falta para fechar o cerco na Operação Lava Jato.

“Eu simplesmente fui a engrenagem para que pudesse haver o recebimento e os pagamentos aos agentes públicos”, disse o doleiro, no depoimento em que explica seu papel no esquema. Em ações que correm paralelas ao processo de delação premiada na Justiça Federal do Paraná, ele e Costa detalharam valores e os nomes dos operadores que agiram pelo PP, PMDB e PT.

Costa e Youssef atuaram como sócios informais na azeitada máquina de propina, mas era o doleiro quem, no varejo, tinha mais contatos com o mundo político e cuidava das operações bancárias ou do envio das malas de dinheiro que transitavam no eixo Rio/São Paulo/Brasília. Ele detalha o trajeto da propina:

“O procedimento era com emissão de notas fiscais (frias) e recebimento em conta ou a empresa que me pagava lá fora e eu internava esses reais aqui. E o que era de Brasília ia para Brasília, e o que era do Paulo Roberto Costa ia para o Paulo Roberto Costa, no Rio de Janeiro”, diz Youssef ao juiz federal Sérgio Moro.

EM BUSCA DO DINHEIRO

A viagem de um grupo de procuradores da República à Suíça e, possivelmente, a outros paraísos fiscais, foi motivada por informações prestadas pelo doleiro sobre contas abertas no exterior para, segundo se suspeita, proteger parte do dinheiro dos partidos envolvidos no esquema.Youssef afirma ter sido informado por empreiteiros e diretores da Petrobras envolvidos no esquema de corrupção, que o “acordo prévio” sobre o “ajuste político” que precedia cada contrato relacionado a grandes obras, vigorava em todas as áreas da Petrobras. A Justiça já identificou recebimento de propinas nas diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional. Outras quatro – Financeira, Gás e Energia, Exploração e Produção e Engenharia Tecnologia e Materiais – passarão por um pente fino.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA notícia não tem novidade. Mesmo assim, vai deixar muita gente importante sem dormir esta noite. Agora, só está faltando mapear o braço político e é aí que mora o perigo. (C.N.)

2 thoughts on “Youssef e Costa ajudam a mapear braço político da corrupção

  1. O “Zava” nem acabou de soltar o Duque a Época publicou trechos da delação premiada dos donos da Toyo Setal. Depois de sair do poder, o Cessna do Armando virou taxi do Zé Dirceu……….
    “Augusto afirma que, a partir de 2004, as empresas que faziam parte do que ele chama de “clube” passaram a pagar comissões de 2% para obter contratos na Diretoria de Serviços, comandada desde 2003 por Renato Duque, apadrinhado pelo PT e indicado pelo então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Augusto afirma que negociou pagamentos de propina diretamente com Duque e com o gerente da área de Engenharia, Pedro Barusco. Tudo foi dito por Augusto sob o regime da delação premiada, acertada entre sua advogada, Bedatriz Catta Preta, e o Ministério Público Federal no Paraná. Citado por Augusto, o gerente Pedro Barusco também celebrou um acordo de delação premiada. Ele se comprometeu a devolver cerca de US$ 100 milhões. Preso desde 14 de novembro, na sétima fase da Operação Lava Jato, o ex-diretor Renato Duque foi solto nesta quarta-feira (3), por uma decisão favorável tomada ontem pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.
    Os delatores dizem que começaram a participar de licitações dirigidas na Petrobras ainda nos anos 90. Somente empreiteiras que integravam o que definiram como “Clube”– um cartel de 16 empresas – ganhavam os contratos na estatal. Como ambos não ocupavam funções de comando naquele momento, disseram ao MP não ter condições de detalhar as fraudes. Em seguida, porém, ambos subiram na hierarquia do Clube – e essa ascensão coincidiu com a eleição de Lula para a Presidência da República, em 2003.
    >> Gerson Schaan: “É a operação mais importante da história”
    A partir de 2004, segundo os delatores, a relação do cartel, e em especial com a Diretoria de Serviços da Petrobras, ocupada por Renato Duque, indicado pelo PT, tornou-se organizada, sistemática e profundamente corrupta. Uma relação sustentada pelo pagamento de propinas a ele, Duque, e ao caixa 2 do PT. Duque e a estrutura da Petrobras comadanda por ele azeitavam os contratos para o clube; e o clube, em troca, pagava uma taxa – a propina – pelos contratos.
    Em nota, a defesa de Renato Duque nega as acusações e desqualifica os depoimentos dos delatores. “As delações de Julio Camargo e Augusto Ribeiro são caluniosas. Os delatores, que são criminosos confessos, visam a, com as falsas acusações, receber um prêmio ao final, traduzido em isenção ou redução drástica de pena. Renato Duque nega as acusações e irá se defender de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro”, afirma o advogado Alexandre

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