Zinho reconhece bagunça no Flamengo para criticar Ronaldinho

Pedro do Coutto

Em entrevista ao fantástico da Globo, domingo último, o craque do passado, Zinho, que integrou a Seleção Brasileira tetracampeã de 94, criticou duramente o comportamento de Ronaldinho, que considerou antiprofissional. E afirmou: agora acabou a bagunça no time. Ninguém terá privilégios. Com estas palavras, o novo diretor ode futebol rubronegro reconheceu tácita e publicamente a existência da bagunça antes de sua investidura no cargo. Milhões de telespectadores assistiram, esta é a conclusão lógica. Uma coisa leva a outra.

Mas quem são ou foram os responsáveis pelo panorama de indisciplina? Ele não disse. Deixou no ar, generalizando a acusação. Mas se Ronaldinho foi indisciplinado, em termos contratuais, como foram realizadas as advertências|? É essencial para o desdobramento da questão na Justiça comprovar sua existência. Pois se Ronaldinho Gaucho deu motivo para a quebra e rescisão de contrato, o Flamengo deveria ter tomado a iniciativa nesse sentido.

Mas não. Quem tomou a iniciativa foi o jogador. A direção do clube aponta até a existência de vídeo impróprio protagonizado pelo meia atacante. Porém esse vídeo parece ser algo pessoal. Não se relaciona com o Flamengo diretamente.
Pode ser que indiretamente sim, no aspecto relativo à imagem pública do atleta para efeito publicitário. Em tal hipótese, o Flamengo deveria tê-lo notificado. Não surgiram, até agora, provas que tenha agido assim.

Apenas – sustenta Ronaldinho – atrasava os pagamentos mensais. Situação suficiente para rompimento do contrato. Tanto os contratos especiais de atletas e artistas, quanto os contratos de trabalho de maneira geral. Para comprovar basta recorrer à CLT.

Aconteceu com Nelson Rodrigues, em 68, quando escrevia suas Memórias no Correio da Manhã, que, em seguida, se transformaram nas Confissões em O Globo. Ele começou a série em 67. No ano seguinte, a direção do jornal então ocupada por Osvaldo Peralva e Newton Rodrigues, propôs a edição em livro. Houve noite de autógrafos. O livro vendeu. Nelson não recebeu. Foi estupidamente sabotado. Ruptura imediata de contrato.

Em menos escala aconteceu comigo. Em 69, trabalhava no CM e também no Boletim Cambial editado por João Alberto Leite Barbosa, publicação especializada em economia. Sem receber há três meses, rescindi o contrato comum na Justiça Trabalhista. Na mesma época o grande Oto Maria Carpeaux, um doa maiores editorialistas da imprensa brasileira, por lhe ter sido atribuída, pela dupla Peralva-Newton Rodrigues, função diversa da estabelecida em seu contrato, rompeu-o também judicialmente.

Muitos outros exemplos poderiam ser dados. Estes são suficientes. Aos quais se acrescenta o de Ronaldinho Gaucho. Em consequência do não cumprimento de contrato da empresa Traffic com o Flamengo, o clube atrasou os pagamentos mensais do jogador. O Flamengo acionou a Traffic? Não sei, francamente. Pode ser que tenha tomado tal iniciativa. Mas Ronaldinho não tem nada com isso.

A propósito: quem são os proprietários da Traffic? Seus nomes devem constar dos registros da Junta Comercial do Rio de Janeiro. Eles assumiram uma responsabilidade à base do uso da imagem do jogador que não alcançou resposta positiva no mercado publicitário. De quem a culpa? Desconheço. Mas creio que a discussão na Justiça em relação ao contrato especial começa por aí. A bagunça apontada por Zinho, também? Um fato pode estar ligado a outro.

No passado, em 1949, torcedores do Flamengo queimaram a camisa de |Jair da Rosa Pinto. Em 2012, a de Ronaldinho Gaucho. São episódios que ficam na história do Flamengo, eterna. E muito maior que a bagunça apontada hoje.

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