Com Bolsonaro afastado, indicação dos filhos ao Senado enfrenta resistência

Aliados resistem em acatar indicação de Flávio e Eduardo

Bruno Ribeiro
Ana Luiza Albuquerque
Folha

A primeira decisão política tomada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sem aval público do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enfrenta resistências da direita.

Aliados do ex-presidente criticam a escolha do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), André do Prado (PL), para o Senado em São Paulo, feita por Eduardo com a concordância de Flávio. O argumento principal é de que André não pertenceria ao grupo político —seria um integrante do centrão.

SEM JUSTIFICATIVA – Um membro do grupo disse à reportagem, sob reserva, que não há nada que explique a indicação do deputado estadual para a chapa e que, portanto, não há uma justificativa plausível para se apresentar ao eleitor.

Bolsonaro já havia externado, segundo aliados, que, caso Eduardo não pudesse disputar o cargo, seu indicado seria o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL). Eduardo, contudo, atendendo a pedidos do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), optou por André.

Enquanto esteve detido na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília, Bolsonaro vinha sendo procurado por aliados para dar aval a candidaturas estaduais e resolver conflitos internos no bolsonarismo. Em fevereiro, levantamento da Folha mostrou que, no período de um mês, o STF (Supremo Tribunal Federal) havia recebido 25 pedidos de visitas de políticos interessados na chancela a suas candidaturas.

FORA DAS ARTICULAÇÕES – Desde que passou para a prisão domiciliar, no fim de março, o ex-presidente está impedido de receber visitas, com exceções dos filhos, de advogados e de médicos. Na última terça (12), Prado disse, durante um evento em São Paulo sobre segurança pública promovido por Tarcísio, que ele foi escolhido “pelo Eduardo Bolsonaro, pelo Flávio Bolsonaro, pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo Partido Liberal”.

“No dia a dia, essas pessoas [que criticam] vão me conhecer e vão saber por que o Eduardo me escolheu, o que eu agrego para a campanha do Flávio Bolsonaro em São Paulo”, disse o deputado estadual, afirmando ainda que é uma pessoa “leal”.

“Jamais o Eduardo, juntamente com Flávio, faria um anúncio de apoio à minha candidatura se não tivesse o aval do presidente Bolsonaro. Estou muito tranquilo em relação a esse apoio”, completou André, reconhecendo, porém, que o nome preferido do ex-presidente era o de Mello Araújo. À Folha o vice-prefeito paulistano disse: “Se o Tarcísio gosta tanto do André do Prado, por que não o levou para ser vice, que seria o certo?”

PEDIDO NEGADO – Mello Araújo afirmou que não fez lobby por sua candidatura ao Senado nem mantém contato com os filhos do ex-presidente, mas que tentou marcar uma visita a Bolsonaro para o próximo dia 18, o que foi negado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Como não renunciou ao cargo dentro do prazo, o vice-prefeito não pode mais se candidatar neste ano.

“O PL tem um papel importante [na eleição], deveria sim ser protagonista [em São Paulo], e ficou de fora. E aí o Tarcísio, para amenizar, começou a fazer campanha para André do Prado para ser senador”, disse Mello Araújo.

O deputado federal Ricardo Salles (Novo), que também pretende concorrer ao Senado por São Paulo, deve disputar os votos do eleitorado da direita contra André e o também deputado federal Guilherme Derrite (PP). No último fim de semana, Salles insinuou que a indicação foi fruto de um acordo financeiro.

“FILHOTE DO VALDEMAR” – Em uma publicação no X (ex-Twitter) no sábado (9), disse que, caso tirassem da chapa “o filhote do Valdemar” —em referência à aliança entre André e o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto—, ele retiraria sua candidatura. “Se fizer isso, abro mão na hora. Se não fizer, é porque realmente não querem devolver a grana do tal acordo com o centrão.” A Folha procurou o deputado para perguntar sobre a publicação, mas ele não quis dar detalhes.

No evento desta terça, André respondeu: “O Salles tem que saber que eu fui escolhido do grupo bolsonarista”. Valdemar foi procurado via WhatsApp, mas não respondeu. Eduardo publicou um vídeo no YouTube em resposta, com o título: “Aqui não, Salles”. “Ele [Salles] começou partindo para calúnia, dizendo que eu sou bandido, que eu sou corrupto, que eu estou aceitando dinheiro em troca do voto, de indicar as pessoas votarem no André do Prado.”

MOTIVOS DA INDICAÇÃO – Aliados de Tarcísio, sob reserva, citam três fatores que levaram o governador a trabalhar pela indicação de André: a lealdade demonstrada pelo presidente da Alesp até o momento, o passado de atritos entre o governador e Mello Araújo —que já fez uma série de críticas públicas a seu trabalho— e a perda de esperança na vitória de Derrite.

A reportagem procurou Tarcísio via email ao Palácio dos Bandeirantes, mas não teve resposta. No fim da semana passada, após confirmar a escolha de André, em entrevista à rádio Jovem Pan, ele disse que o presidente da Alesp seria o candidato mais votado ao Senado. “Ele é muito agregador. Vai ter os votos da direita, vai mobilizar os votos do centro”, afirmou. A Folha procurou a equipe de Flávio para tratar da indicação de André, mas não teve resposta.

4 thoughts on “Com Bolsonaro afastado, indicação dos filhos ao Senado enfrenta resistência

  1. E Deus viu que todo o gênero humano havia se corrompido.
    Aí uma cineasta diz que a degenerescência humana é culpa do capitalismo.
    Eu tiro tudo da mídia , não produzo noticia, quando me refiro a mídia, é principalmente sobre Folha, Estadão e Globo. De lá vem a informação que a separação de Vini Jr teve como pivô belas influenciadoras.
    Informa também que Gilmar chamou Fachin de flibusteiro.
    Um flibusteiro não é flor que se cheire.
    flibusteiro
    Lexicógrafa responsável: Débora Ribeiro
    Significado de Flibusteiro
    substantivo masculino
    [História] Pirata dos mares da América, nomeadamente das Antilhas, nos séculos XVII e XVIII.
    [Figurado] Aquele cuja vida é dedicada ao crime; quem age desonestamente; ladrão, trapaceiro.
    Etimologia (origem da palavra flibusteiro). A palavra flibusteiro tem sua origem no inglês “freeboost” pelo francês “flibustier”, com o mesmo sentido.
    O outro escriba publica, Temer e Loola também tiveram filmes financiados por Volcaro.
    Ainda de lá, Vão trocar o delgado da PF que investigava tudo e se aproximou indevidamente de algo, é o caso do delegado que só podia procurar cadáver de afogado rio acima; moral, só se procura deste tipo de cadáver rio abaixo para encontrar mal feitos da família Bolsonaro.
    “Essa campanha eleitoral se afigura como uma carnificina”
    Eu acho mais que se refere a um massacre, daqueles providenciados por Mao, Stalin, Pol Pot e Fidel.
    Diziam que a facada no bucho era mentira era narrativa, agora Zé Dirceu está internado para tratar de um linfoma (cancer).
    A luz à espera

    Petistas divulgam Lucas (8:17): “não há nada escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz”, sobre Flavio Bolsonaro omitir as relações com Vorcaro. Serve também para Lula, que ainda não contou o que tanto conversou com o banqueiro em dezembro de 2024 por uma hora e meia.
    Como tenho a certeza de não conseguir sair vivo desse mundo, vou ficando de olho nessa mídia, um olho na mídia e o outro no gato e no rato.

  2. Se observarem , dentre todos os pretensos candidatos as eleições 2026 , nenhum deles é ” idôneo , honesto e reputação ilibada “.

  3. Onde estão os juízes eleitorais que não impedem esses verdadeiros mercadores de cargos eleitorais com o dinheiro público ?

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