Bolsonaro deve estar arrependido por impedir que Tarcísio fosse o candidato

Bolsonaro diz que Tarcísio 'comete deslizes porque é novato na política' | Eleições 2022 | Valor Econômico

Se apoiasse Tarcísio, Bolsonaro teria feito um bem ao país

Carlos Newton

Os institutos de pesquisas entraram em clima de puro êxtase, com o escândalo da participação do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse” – ou “Azarão”, no linguajar das corridas de cavalos.

Aliás, o título mais apropriado seria mesmo “Azarão”, porque a família deu um tremendo azar com a notícia de que Flávio Bolsonaro também extorquia o banqueiro Daniel Vorcaro, que pagava taxa de proteção a políticos e autoridades de todo tipo, com destaque para o ministro Alexandre de Moraes, é claro, por 129 milhões de motivos, como diz o jornalista Mario Sabino.

AS PESQUISAS – Com o novo escândalo, que deixou no chinelo a prisão do pai de Vorcaro, os institutos de pesquisas fecham seguidos contratos para verificar a evolução das tendências.

É certo que a candidatura de Flávio Bolsonaro sofreu um forte abalo, que as pesquisas tentarão aquilatar, mas os resultados sempre dependem de quem é o contratante, porque é preciso agradá-lo, para que financie um novo levantamento, e com a máxima urgência.

Seja qual for a tendência a ser identificada, é óbvio que a eleição ainda não está vencida por Lula da Silva, que não tem o antigo prestígio e está tentando o último canto do cisne, bem perto de uma aposentadoria compulsória ou não.

TERCEIRA VIA – A terceira via tem hoje apenas dois candidatos com pequena chance – Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), que devem ganhar votos em função da queda de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sendo esperada apenas pequena migração de votos dele para o petista, porque os eleitores são como água e azeite, não se misturam.

No meio dessas dúvidas, existe a certeza de que Lula foi beneficiado nas duas últimas semanas e estará no segundo turno, aguardando quem irá enfrentá-lo na última eleição da surpreendente carreira de um líder metalúrgico que era agente infiltrado pelo regime militar no sindicalismo e acabou se tornando o mais importante político brasileiro.

A único fato concreto é o arrependimento que Bolsonaro deveria estar sentindo por haver impedido que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) aceitasse a candidatura ao Planalto, em coligação com o PL e outros partidos. Seria uma candidatura para ganhar em primeiro turno. O resto é folclore, como dizia nosso amigo Sebastião Nery.

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P.S.
Dizem que Bolsonaro não admite o erro e continua achando que Flávio vai ganhar. Isso pode até acontecer, mas está difícil, porque o candidato demonstra despreparo e ganância. Desde os tempos da rachadinha, quando extorquia boa parte dos salários dos funcionários de seu gabinete na Assembleia, Flávio Bolsonaro está vendido ao Deus dinheiro. O pai não se importa, porque parece não ter medo do ridículo e prefere julgar que o país pertence à sua família. É lamentável. (C.N.)

13 thoughts on “Bolsonaro deve estar arrependido por impedir que Tarcísio fosse o candidato

  1. A direita diante de seu veneno

    Clã Bolsonaro intoxica o campo conservador com escândalos, degradação moral e desprezo pela democracia

    O escândalo do pedido de dinheiro feito por Flávio a Vorcaro presta dois serviços essenciais ao País:

    – Primeiro expõe a baixa estatura moral e política do primogênito d o ex-mito para ser o principal candidato da direita à sucessão de Lula;

    – Segundo, serve de advertência definitiva para o campo conservador e insta-o a se afastar da usina de escândalos que é, essencialmente, o bolsonarismo. Já passou da hora de romper a subordinação aos métodos do clã Bolsonaro.

    Há anos, parte da direita trata o bolsonarismo como atalho eleitoral inevitável. Alega-se que o ex-mito conserva votos, mobiliza militância e encarna a rejeição ao lulopetismo.

    Isso pode explicar a conveniência de curto prazo de políticos que orbitam o ex-mito, mas não justifica a abdicação moral, programática e institucional de um campo político inteiro.

    Quem se prende ao ex-mito e seus filhos não recebe apenas votos. Recebe também vícios, métodos e passivos.

    Recebe também a confusão entre público e privado, o culto familiar, a hostilidade às instituições, o desprezo pela liturgia democrática e a incapacidade de distinguir causa pública de negócio particular.

    O bolsonarismo é tóxico por natureza. Sua toxicidade é o seu próprio modo de existir.
    A entrega do campo conservador a uma família incapaz de atravessar uma semana sem produzir um novo escândalo.

    Convém à direita decidir se pretende ser força política adulta ou torcida organizada do ressentimento.

    Se deseja governar o País, terá de oferecer (…) compromisso com a Constituição, respeito às instituições, responsabilidade fiscal, defesa da economia de mercado e padrões mínimos de decência. Nada disso floresce à sombra do ex-mito e de seu sucessor imediato, Rachadinha.

    Enquanto o campo conservador permanecer preso a personagens marcados por golpismo, escândalos e negócios mal explicados, o petismo explorará o medo de alternativa ainda pior. O ex-mito é, nesse sentido, um seguro de vida para Lula.

    A ruína política de Bolsonaro poderia ter sido o ponto de partida para a reconstrução da direita, abrindo espaço para lideranças comprometidas com reformas e moderação. Em vez disso, muitos preferiram ajoelhar-se diante do espólio bolsonarista, como se o patrimônio eleitoral do ex-mito fosse transmissível por sangue.

    O resultado é Flávio Rachadinha – que não tem estatura nem para ser poste do pai golpista, que dirá presidente da República.

    Não há futuro respeitável enquanto a direita tratar a família Bolsonaro como destino.

    O conservadorismo democrático não precisa de herdeiros ungidos por sobrenome. Precisa de partidos sérios, lideranças preparadas, programa consistente e coragem para romper com aquilo que o degrada.

    A ruptura não será indolor, mas pior é seguir arrastando o peso morto de um movimento que sequestrou a direita e a associou ao que há de mais rebaixado na vida pública. Deve-se perguntar quantos escândalos mais serão necessários para reconhecer essa verdade.

    Eis a chance de a direita assumir seu lugar numa democracia madura, como força reformista, responsável e comprometida com a ordem constitucional, ou continuar servindo de biombo para uma família que transformou o antipetismo em negócio político.

    Se quiser voltar a merecer a confiança dos brasileiros, precisa romper com o bolsonarismo. Fora disso é tornar-se cúmplice de um desastre.

    O Estado de S. Paulo, Opinião, 16/05/2026 | 03h00 Por Editorial

    • ‘Rachadinha não tem estatura nem para ser poste do pai golpista, que dirá presidente.’

      “O bolsonarismo é tóxico por natureza. Sua toxicidade é o seu próprio modo de existir.”

      • “Se a direita quiser voltar a merecer a confiança dos brasileiros, precisa romper com o bolsonarismo.

        Fora disso é tornar-se cúmplice de um desastre.”

    • Não creio que sejam antipetistas. O antipetismo pressuporia alguma convicção ideológica. O que se vê parece menos uma corrente política e mais um culto narcísico ao próprio sobrenome. Uma família embriagada pela ideia de que seu patronímico seria, por si só, a pedra de toque do poder, da influência e da fortuna.
      Há aproximadamente três anos e cinco meses especula-se sobre um substituto para Lula da Silva. Hoje, a apenas cinco meses da eleição, ainda não se vislumbra uma candidatura capaz de ameaçar a continuidade de uma administração que muitos consideram desastrosa para o País, configurando, ao que tudo indica, mais quatro anos do mesmo enredo.

  2. Datafolha deve divulgar neste sábado (16) sua nova pesquisa sobre eleição presidencial, antes prevista para sexta-feira (15).

  3. Senhor Jose Guilherme Schossland , esses pretensos candidatos á presidência ” bandidos e lesa-pátria ” não estão nem aí para ” perderem ou ganharem ” , sendo que o que importa é que tenham livre acesso aos cofres públicos para festejarem e se empanturrarem de dinheiro público , através do artifício de suas candidaturas .

  4. Muito se fala em terceira via, mas o que é terceira via? Pelo que tenho acompanhado, os principais nomes que estão aí postos ou são da direita tradicional Caiado e direita liberal Zema, da extrema direita Fávio ou da centro-esquerda, caso de Lula.

    Gostaria que houvesse opções do centro, com discursos moderados, tanto na fala quanto das propostas, tipo Simone Tebet ou Eduardo Leite, pena que não há.

    Infelizmente, um político que eu admirava, o ex-senador Reguffe, foi preterido na eleição de DF em 2022. Hoje, acho que ele poderia ser uma excelente opção.

    Do jeito que está, de um lado querendo sempre que os sacrificados sejam os mesmos, com o mesmo discursinho engana bobo, não tenho dúvidas da minha escolha.

  5. Caríssimo editor: Romeu Zema, en lugar de “…Rubem Zema”.

    Aproveitandoa oportunidade, ontem, 15/5, li pertinente comentário do Sr. De Marco, sobre o escrevinhador Vicente Limongi.

    Pouco tempo depois, acessando a área específica, vi que o comentário fora “detonado”, como diz o profícuo editor.

    Como a TI atua sob “o signo da liberdade”, estranhei deveras o fato. Houve alguma razão concreta para o fato?

    • Caríssima CLõ,

      Tenho amizade a De Marco, mas aqui no Blog temos duas regras. Uma delas é evitar o palavrão. Tenho um trabalho enorme de retirar essa sujeirada do ar. A outra regra é não ofender as pessoas. Pode-se questionar e atacar a opinião delas, mas não ofendê-las, como De Marco fez em relação a Limongi. Retirar ofensas e palavrões não e censura, é apenas lisura ou higiene.

      Acabo de remover um comentário chamando alguém gratuitamente de “Bichona viúva”… Para quê isso? Não entendo. Além do mais quem escreveu essa ofensa é comentarista antigo, está cansado de saber as duas regras. E eu estou cansado de exigi-las.

      Conto com sua compreensão.

      Abs.

      CN

      • Paulo Silvino, Costinha e Chico Anysio fazem muita falta. A incoerência da lei é tanta que existe o crime de “gordofobia”; mas não o de “magrofobia”.

  6. Senhor José Vidal , acredito que os vazamentos e exposições das peripécias criminosas do senador e pretenso candidato Flávio Bolsonaro , tenham partido exatamente de seus próprios parceiros e corregionários da ” dita e havida ” direita , incomodados por sua arrogância e ganância resolveram descarta-lo imediatamente , uma vez que já tenham conseguido e repartido seu quinhão milionário de 134 Mi , entre seus pretensos candidatos , ou seja , Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Rubem Zema (Novo-MG) .

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