
Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)
Pedro do Coutto
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro atravessa hoje o momento mais delicado desde que foi lançada como herdeira política do capital eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro. O problema já não se resume apenas ao desgaste natural de uma campanha polarizada ou à rejeição histórica do bolsonarismo em determinados setores do eleitorado. O que emerge agora é algo mais profundo: uma crise de confiança política, financeira e estratégica que ameaça romper a sustentação construída nos bastidores junto ao Centrão, ao mercado e até mesmo a setores pragmáticos da direita.
As revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”, financiado com dezenas de milhões de reais, abriram uma frente de desgaste que o núcleo político de Flávio talvez tenha subestimado. O caso deixou de ser apenas uma controvérsia jurídica ou moral. Tornou-se um problema eleitoral de grandes proporções porque atingiu justamente a principal narrativa que a campanha tentava consolidar: a ideia de um bolsonarismo “mais moderado”, “mais técnico” e menos conflagrado do que o modelo representado pelo pai.
ALTERNATIVA – O dano político ocorre em múltiplas camadas. A primeira delas é simbólica. Durante meses, Flávio buscou apresentar-se como uma alternativa capaz de dialogar com o empresariado, com setores institucionais e até com parte do centro político desconfortável tanto com o PT quanto com o radicalismo ideológico mais explosivo da direita. A crise envolvendo Vorcaro implode parte dessa construção porque reintroduz o tema da proximidade entre poder político e interesses financeiros obscuros — precisamente um dos temas mais explorados pelo bolsonarismo contra adversários nos últimos anos.
Mais grave do que a existência do contato em si foi a percepção pública de contradição. O senador havia negado proximidade com Vorcaro antes do surgimento de áudios e relatos que demonstraram interlocução direta sobre o financiamento do longa-metragem. Na política contemporânea, especialmente em campanhas altamente digitais, a acusação de incoerência costuma produzir desgaste maior do que o próprio fato original. O eleitor tolera erros; tolera menos a sensação de ocultação deliberada.
RECÁLCULO DE ROTA – É justamente nesse ponto que o Centrão começa a recalcular sua rota. O Centrão raramente atua movido por fidelidade ideológica. Seu comportamento político é condicionado por expectativa de vitória, estabilidade institucional e capacidade de distribuição de poder. Quando percebe fragilidade crescente em um projeto presidencial, sua tendência histórica é migrar para posições de neutralidade ou construir pontes paralelas com outras candidaturas competitivas. É exatamente o movimento que começa a aparecer nos bastidores de Brasília.
Lideranças partidárias que até poucas semanas atrás observavam Flávio como um candidato competitivo passaram a enxergar riscos elevados de contaminação eleitoral. O escândalo do Banco Master introduziu um fator de imprevisibilidade extremamente perigoso: ninguém sabe exatamente o que ainda pode surgir das investigações, dos celulares apreendidos ou de eventuais delações. E campanhas presidenciais dificilmente sobrevivem bem quando entram em modo defensivo antes mesmo do início oficial da corrida eleitoral.
O problema central para Flávio Bolsonaro é que a crise atual não parece episódica. Ela possui potencial cumulativo. Cada nova revelação reforça a anterior e alimenta a percepção de vulnerabilidade política. A própria direita já demonstra sinais de desconforto. Governadores, empresários e setores conservadores que buscavam uma candidatura competitiva contra Lula passaram a discutir alternativas menos expostas ao desgaste judicial e moral.
DESCONFIANÇA – Esse talvez seja o elemento mais sensível da crise: a perda gradual da confiança das elites pragmáticas da política. O bolsonarismo raiz continuará existindo. O eleitor ideologicamente fiel dificilmente abandonará a família Bolsonaro. Mas eleições presidenciais no Brasil não são vencidas apenas com militância mobilizada. Exigem alianças amplas, confiança de investidores, estabilidade partidária, tempo de televisão, capacidade de atrair centro moderado e, principalmente, previsibilidade institucional.
Hoje, Flávio oferece justamente o contrário: incerteza. A avaliação já começa a circular em colunas políticas e análises de bastidores. O jornalista Merval Pereira descreveu a situação como uma “disputa inglória”, sugerindo que o cenário eleitoral se torna cada vez mais adverso para o senador. Paralelamente, análises publicadas na imprensa apontam que a relação com Vorcaro pode ter encerrado a “lua de mel” da candidatura com setores da direita e do mercado.
Há ainda outro fator decisivo: o tempo político. Quanto mais uma candidatura permanece associada a crises sucessivas, mais difícil se torna retomar controle da agenda. O debate deixa de girar em torno de propostas econômicas, segurança pública ou críticas ao governo Lula e passa a orbitar suspeitas, investigações e danos reputacionais. Isso reduz capacidade de crescimento eleitoral e dificulta a construção de novas alianças.
DESGASTE – No caso específico de Flávio Bolsonaro, existe um agravante adicional: o sobrenome que antes funcionava como ativo absoluto passou a carregar também parte do desgaste acumulado do pós-2022. O eleitorado conservador permanece forte, mas já não demonstra unanimidade automática em torno de um único herdeiro político.
Nesse ambiente, o Centrão tende a agir como sempre agiu: aguardando. Esperando pesquisas, novos fatos e principalmente a consolidação de um candidato viável. Neutralidade, nesse contexto, não significa equilíbrio; significa precaução. E talvez seja exatamente isso que mais ameace a candidatura de Flávio Bolsonaro hoje: não um ataque frontal dos adversários, mas o silêncio cauteloso dos antigos aliados.
Até onde a elite vai com os Bolsonaro?
Condescendência com acusações e instabilidades ligadas ao clã não se explica nem por dados econômicos e fiscais do governo de Jair
A forma como parte da elite econômica e política espera para ver se a candidatura de Flávio fica de pé diante das evidências quase diárias de uma relação constante com Vorcaro escancara um fenômeno conhecido, mas que se renova a despeito dos fatos:
– A enorme condescendência desses estamentos com todo tipo de instabilidade que a família Bolsonaro é capaz de provocar, algo inexistente em relação a qualquer outro grupo político.
A eleição do ex-mito, em 2018, se deu a despeito da profusão de evidências de evolução patrimonial do patriarca e dos filhos incompatível com a atividade parlamentar de todos eles, do histórico antiliberal do “capitão” recém-associado a Paulo Guedes e de outras inconsistências.
Os quatro anos de mandato de Bolsonaro trouxeram à tona detalhes da relação do ex-deputado estadual Flávio, então já senador, com seu ex-braço direito Fabrício Queiroz, evidências de prática de rachadinha em seu gabinete, de mais movimentações financeiras apontadas pelo Coaf como suspeitas, de relacionamento com ex-policiais ligados à milícia, mais compra de patrimônio imobiliário em transações milionárias e em dinheiro vivo — e tudo foi aceito.
A gestão da pandemia expôs um presidente avesso à ciência, disposto a dinamitar o Programa Nacional de Imunizações, incentivando que se “passasse a boiada” em desmonte ambiental aproveitando o isolamento, zombando de medidas sanitárias e de mortes, trocando ministros da Saúde como quem mudava de camisa do Brasil.
Houve abalo a sua imagem, mas ele quase foi reeleito.
Vieram o 8 de janeiro de 2023 e aquela destruição sem precedentes em Brasília, por uma turba mantida em acampamentos em frente a quartéis por meses, incentivada por um presidente que abdicou do exercício do cargo desde a derrota no segundo turno, depois deixou o país sem passar o cargo ao sucessor.
Houve repúdio generalizado de imediato, mas logo depois passou-se a relativizar a gravidade do que aconteceu, como se fosse apenas coisa de donas de casa armadas de batom.
Por fim, o processo da trama golpista expôs a realização de uma reunião ministerial gravada em vídeo em que se discutiram opções até para melar as eleições.
Vieram à tona um plano para matar autoridade e minutas de diferentes estados de exceção. O primeiro ex-presidente do Brasil foi condenado por tramar um golpe de Estado.
E, ainda assim, uma parcela majoritária de nossos tomadores de decisão permanece aferrada aos desígnios desse líder, agora preso, a ponto de rapidamente assimilar aquilo que não queria: um presidenciável da própria família.
Foi escolhida a segunda opção, porque o primeiro cogitado estava nos States havia meses obtendo sanções econômicas e políticas contra o Brasil.
Agora, diante de um áudio reconhecido pelo próprio pré-candidato como autêntico, pedindo R$ 134 milhões a um banqueiro já enrolado para um filme sobre o pai, com recursos geridos por um fundo sem nenhuma transparência, existe uma torcida silenciosa para que a tempestade passe, e a motociata siga.
É difícil compreender, apenas à luz da ideologia, tal complacência. Não foi vista em escândalos envolvendo políticos do PT ou mesmo do PSDB. Basta ver a descida ao inferno de Aécio Neves por muito menos que esse acervo do “azarão” e sua prole.
O resultado econômico e fiscal sob Bolsonaro e Guedes não explica tal devoção imune a fatos. O antigo teto de gastos foi seguidamente excedido, houve a pedalada com precatórios e toda sorte de medida eleitoreira, inclusive elevando despesas assistenciais — um dos pecados sempre apontado nas gestões petistas.
As pesquisas e as novas revelações (que não param de aparecer, a despeito das velas acesas na Faria Lima) dirão se Flávio se segura.
Mas a disposição a passar pano com desinfetante para tudo o que tenha o sobrenome Bolsonaro é um traço distópico dos nossos tempos que precisará ser explicado nos livros de História, com as consequências dela decorrentes.
Fonte: O Globo, Política, Opinião, 20/05/2026 01h07 Por Vera Magalhães
“A disposição a passar pano com desinfetante para tudo o que tenha o sobrenome Bolsonaro é um traço distópico dos nossos tempos que precisará ser explicado nos livros de História, com as consequências dela decorrentes.”
Bolsotário é, antes de tudo, masoquista.
Num ato de campanha em Florianópolis, no dia 9, Flávio Rachadinha apareceu vestindo uma camiseta com a frase: “O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”.
E agora? O que fará com a camiseta? O mesmo que fez com o boné do “Maga”, por exemplo?
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Mas não é porque Flávio está se enrolando cada vez mais que Lula está se desenrolando.
Concorrem para ver quem tem maior rejeição.
Os oligarcas petistas pedem calma pra bases atrasadas, pregadoras de cartazes, cultuadoras de personalidades, que não têm capacidade de compreensão da realidade política.
Não é bom pra campanha do jacu de gaiola a emergência do tema da corrupção.
São descondenados, estão envolvidos até o pescoço no assalto dos aposentados, no caso banco master, sem contar os cadáveres insepultos do Mensalão e da Lava Jato.
Ademais, como a jacuzada petista, a bolsonarista tá nem aí pro caráter de quem idolatram
A última pesquisa, que, pasmem, colocou os áudios do Flávio mostra que perdeu somente 5% dos votos. é muito pouco pelo tamanho de sua prátiva neo-patrimonialista.
O bolsonarismo, como o lulopetismo, tem suas misérias humanas do bem.
Ademais, como sempre, perderam o timming, como o STF perdeu o timming da tal trama golpista.
Lançaram o bó do Flávio muito longe da eleição e teve um resultado pífio.
Jacus de gaiola, só fizeram foi colocar o tema corrupção no processo eleitoral.
Uma espécie de suicídio.
Embora seria interessante o homem das cavernas ser reeleito pra ter a bomba econômica que plantou estourando no seu colo.
https://fiesc.com.br/pt-br/imprensa/desequilibrio-fiscal-vai-cobrar-o-preco-em-2027-diz-samuel-pessoa
Não haveria uma dilmanta pra segurar o tchan de novo.
Teria idade pra, depois de quebrar o país e novo, ser premiado com a Presidência do Banco do BRICS, como a pior presidente do país o fora?
Prêmio Nobel, o pai dos pobres, digo mãe mineira da burguesia cleptopatrimonialista, não verá nem o cheiro.
Queimaram a bala de prata contra o Flávio totalmente fora da linha do tempo eleitoral.
Provavelmente, só terão bombinha de festa de São João pra soltarem contra ele quando a campanha esquentar.
Já em cima do jacu, não se sabe com certeza o que virá ainda.
Sem contar que seu parelho repressivo e censor está em absoluta e irreversível baixa.
E, sem contar também, que, com Trump no governo, o bloqueio das redes sociais é impossível.
Que falta o Biden do primeiro Mundo faz pro o dos Trópicos!
Sr, Pedro
Veja os filhotes do Narcola tocando o terror na população….
5 mandatos e não resolveu o problema da segurança…, aliás, nunca vai resolver….
Ex-piloto do Globocop morre após ser baleado na cabeça em SP; vídeo mostra assalto
Odailton de Oliveira Silva foi abordado por um homem em uma motocicleta e alvejado na região do Butantã
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/ex-piloto-do-globocop-morre-apos-ser-baleado-na-cabeca-em-sp-video-mostra-assalto,816b06331ef8785de798ce63220928b2saquqosm.html?utm_source=clipboard
PS.
Sr. Pedro
Percebeu como os idosos são caçados todos os dias neste Páis.??
PS.2
O Plano de Segurança Inter-Galáctico contado pelo Mitomaníaco Presidíário ficou apenas no palanque..
Ano de eleições, sabe como é…
Só o poder interessa…
Comuna não ´é gente..
Em 1917, a Argentina era uma nação tão poderosa quanto os Estados Unidos da América. Por que a Argentina não cresceu?
O solo fértil para o trigo continua fértil e o povo não mudou. O que aconteceu? Ouso responder: foram os políticos corruptos. Assim está o Brasil: pobre e cheio de autoridades medíocres e corruptas.
Chega de Flávios Bolsonaros, de Lulas filhos do Nordeste (ou de outra coisa), chega de partidarismo.
Chega de Flávios Bolsonaros, de Lulas filhos do Nordeste (ou de outra coisa), chega de partidarismo.
Tragam um Oscar para o Sr, Sablons….
Urgente…
A candidatura de Flávio Bolsonaro imposta goela abaixo pelo papai preso, o seu Jair, desagradou o Centrão. Esse grupo que fareja o Poder como sobrevivência política, apostava suas fichas no governador de São Paulo, o carioca Tarcísio de Freitas, um nome do agrado do mercado financeiro, leia-se a Avenida Faria Lima em São Paulo e com telhado de vidro mais reforçado, imune a escândalos de corrupção, rachadinhas e homenagem a milicianos.
O Centrão temia, o que todo mundo sabia em Brasília, uma cidade de muro baixo, onde os segredos não existem., que Flávio 01 tinha esqueletos guardados no armário.
Portanto, a perplexidade da turma do PL, ontem na saída da reunião com Flávio, todos com cara de enterro da candidatura, só tem um motivo: Insegurança sobre serem arrastados pelo escândalo Master e comprometer as candidaturas do PL a governador, deputado federal e senador. A cara fechada do senador e ex- juiz Sérgio Moro é um misto de medo e angústia com os reflexos do Caso Master, na sua candidatura ao governo do Paraná. Moro terá coragem de pedir votos aos paranaenses de braços dados com Flávio Bolsonaro?
Semana passada, a bola da vez foi o senador Ciro Nogueira, alvo de busca e apreensão da Polícia Federal, autorizada pelo Relator Ministro André Mendonça do STF. Mesadas de 300 mil a 500 mil pagas por Vorcaro em troca de emendas de Ciro favoráveis ao Banco Master.
Flávio Bolsonaro, apressado não defendeu o dono do PP, senador Ciro Nogueira, pelo contrário condenou as práticas ilícitas de Ciro, porque não esperava, que na semana seguinte seria a próxima vítima de Vorcaro, que gravou tudo nas conversas com o mundo político.
Então, o que Ciro Nogueira fez: Proibiu qualquer manifestação do Partido Progressista o PP em defesa de Flávio. Vento que venta cá, venta lá.
O inferno astral de Flávio Bolsonaro está em plena ebulição e só resta ao candidato, trabalhar na redução de danos e esperar a poeira baixar torcendo pela iminência de outro escândalo político, que possa ter o condão de abafar o que se abateu sobre ele, o candidato do Bolsonarismo.
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