Lideranças do agro veem erro de Flávio na crise do tarifaço dos EUA

Flávio perde espaço ao priorizar embates ideológicos

Letícia Pille
O Globo

Lideranças do agronegócio têm feito críticas reservadas à estratégia adotada pelo pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ), durante a crise comercial com os Estados Unidos e avaliam que o senador vem perdendo espaço junto a um dos setores historicamente mais alinhados ao bolsonarismo ao priorizar embates ideológicos em detrimento de pautas consideradas prioritárias para o campo.

Empresários e representantes do setor ouvidos pelo O Globo afirmam que a viagem de Flávio a Washington para participar da audiência sobre o tarifaço foi “contraproducente” e cobram maior atuação em temas como a renegociação das dívidas rurais.

FORA DA TARIFA – As críticas ocorrem mesmo após a decisão do governo americano de deixar fora da tarifa de 25% uma série de produtos importantes para o agronegócio brasileiro, como carne bovina, pescados, café e alguns segmentos da madeira, o que reduziu o impacto imediato da medida sobre boa parte do setor.

Para integrantes do agro, porém, o episódio evidenciou mais uma oportunidade perdida por Flávio de assumir a liderança de uma agenda econômica cara ao seu eleitorado do que propriamente uma derrota comercial. A principal crítica é que, mesmo ocupando uma cadeira no Senado, Flávio pouco atuou em pautas consideradas prioritárias para o setor, como a renegociação das dívidas rurais, tema que mobiliza produtores e parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Outro ponto que provocou incômodo foi o discurso adotado pelo senador aos Estados Unidos para participar da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação comercial que embasou o tarifaço.

ALINHAMENTO COM TRUMP – A avaliação de empresários ligados ao agro é que a iniciativa misturou política com uma discussão essencialmente comercial e tinha poucas chances de alterar uma decisão que seria tomada com base nos interesses econômicos americanos. Ainda, dizem, a viagem também expôs Flávio ao risco de voltar ao Brasil sem resultados concretos e reforçar o discurso do governo de que o bolsonarismo atua alinhado aos interesses americanos.

Apesar das críticas, representantes do agro avaliam que o resultado final das negociações foi melhor do que o inicialmente esperado para o setor. Produtos relevantes da pauta exportadora brasileira ficaram fora da lista de sobretaxas, reduzindo o impacto imediato para diferentes cadeias produtivas.

CAUTELA – Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) adotou um tom cauteloso ao comentar o anúncio americano. Segundo ele, houve avanços importantes com a inclusão de exceções para produtos como carnes, pescados e compensados de madeira, embora segmentos como o pinus permaneçam afetados. “Tivemos avanços importantes, mas ainda há produtos que precisam ser retirados da tarifa. Eu adoraria que essa tivesse sido uma discussão técnica”, afirmou.

Para parte das lideranças, porém, essas exceções também refletem interesses do próprio governo Donald Trump. A leitura é que a Casa Branca evitou sobretaxar produtos cujo aumento de preços poderia gerar desgaste interno entre consumidores americanos, como café e carne. Ou seja, a decisão levou em conta não apenas as negociações com o Brasil, mas também os impactos políticos e econômicos que uma taxação mais ampla poderia provocar internamente.

Embora tenha responsabilizado em parte o governo Lula pela condução das negociações, Lupion evitou atribuir protagonismo a Flávio no resultado obtido. Para o parlamentar, o resultado “é um copo meio cheio e meio vazio”, a depender do ponto de vista.

ATUAÇÃO TÉCNICA – Nos bastidores, essa percepção é compartilhada por integrantes do setor, que afirmam que as exceções foram fruto principalmente da atuação técnica de entidades representativas e das negociações conduzidas ao longo da investigação comercial.

Em nota nesta quinta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a confirmação da tarifa e afirmou que a medida amplia a insegurança para empresas brasileiras e americanas, além de reduzir a competitividade da indústria nacional, dizendo que “a sobretaxa agrava um cenário que já vinha pressionando as exportações nacionais”.

Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atribuiu o desfecho da crise a “ruídos diplomáticos desnecessários”, “críticas personalistas” e ao que chamou de “desalinhamento político” entre Brasília e Washington, defendendo que a relação bilateral deveria ter sido conduzida de forma mais técnica.

DISPUTA POLÍTICA – É justamente esse ponto que aproxima avaliações de parte do setor produtivo. Embora divirjam sobre quem é o principal responsável pelo impasse, lideranças do agro e representantes da indústria convergem na avaliação de que uma negociação comercial desse porte deveria ter permanecido no campo técnico, longe da disputa política travada entre governo e oposição.

Outro ponto explorado por integrantes do setor é o discurso da soberania, que, na avaliação deles, pode acabar impondo novos problemas políticos a Flávio. Reservadamente, empresários afirmam que declarações como a do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao atribuir a responsabilidade pelo tarifaço ao presidente Luiz (PT), reforçam a narrativa do governo de que o pré-candidato do PL e seu entorno atuam alinhados aos interesses americanos.

Para esses interlocutores, a sucessão de episódios envolvendo representantes do bolsonarismo nos Estados Unidos, como a atuação de Eduardo Bolsonaro no país, a interlocução com integrantes do governo Donald Trump e a carta enviada por Flávio ao USTR, tende a fortalecer o discurso do Planalto em defesa da soberania nacional, favorecendo politicamente Lula.

19 thoughts on “Lideranças do agro veem erro de Flávio na crise do tarifaço dos EUA

  1. Lula não está cavando sua reeleição, mas seu impeachment.

    O nível absurdo de manipulação está fazendo com que parte significativa da sociedade enfia a cabeça na areia, enquanto destrói a Economia, o Estado, as relações internacionais , o pensamento crítico, a capacidade intelectual deste expressivo setor.

  2. Será uma hecatombe quando este lado alienado, dominado e imbecilizado acordar pra realidade, cultuam um jacu de gaiola neandertal inútil, a maior farsa e aberração ideológica da História e que tem aprofundado nossos problemas estruturais.

    1. Educação
    📊 Posição: ~60–70/80 (PISA – OCDE)
    ➡️ Baixo desempenho global e alta desigualdade interna.
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    2. Infraestrutura
    📊 Posição: ~70–100/140 (World Economic Forum)
    ➡️ Gargalos logísticos e déficit em saneamento.
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    3. Estado democrático
    📊 Posição: ~40–60/167 (EIU Democracy Index)
    ➡️ Democracia “imperfeita”, com fragilidades institucionais.
    ________________________________________
    4. Tecnologia e inovação
    📊 Posição: ~50–70/130 (WIPO – Global Innovation Index)
    ➡️ Ciência razoável, inovação produtiva limitada.
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    5. Criminalidade (homicídios)
    📊 Posição: entre os ~20 mais violentos do mundo (UNODC)
    ➡️ Altas taxas de homicídio e violência urbana.
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    6. Desigualdade de renda
    📊 Posição: top 10–20 mais desiguais (Banco Mundial – Gini)
    ➡️ Forte concentração de renda estrutural.
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    7. Desenvolvimento humano
    📊 Posição: ~70–90/190 (PNUD – IDH)
    ➡️ Desenvolvimento intermediário global.
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    8. Eficiência estatal (governança)
    📊 Posição: percentil ~50–60 (World Bank)
    ➡️ Capacidade estatal mediana-baixa.
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    9. Desigualdade de gênero
    📊 Posição: ~80–100 (PNUD)
    ➡️ Diferenças persistentes em renda, poder e violência.
    ________________________________________
    10. Desigualdade racial
    📊 Sem ranking global direto
    ➡️ Um dos maiores contrastes raciais estruturais das Américas (IBGE).
    ________________________________________
    11. Desigualdade regional
    📊 Sem ranking global direto
    ➡️ Um dos maiores desequilíbrios internos do mundo (IBGE).

  3. Um pouco de memoriol pros desonestos intelectuais.

    – 1974: criação da Seção 301.
    Anos 1980: uso intensivo como instrumento de pressão comercial.

    – 1985–1988: primeiras investigações relevantes contra o Brasil (patentes, informática e propriedade intelectual).

    – 1995: criação da OMC reduz o uso unilateral da Seção 301.

    -1996: Brasil moderniza sua lei de patentes.

    – 2000–2016: conflitos Brasil-EUA migram principalmente para a OMC.

    – 2018: Seção 301 ganha destaque novamente com a guerra comercial EUA–China.

    – 2025: EUA abrem nova investigação abrangente contra o Brasil, marcando o retorno da Seção 301 às relações comerciais bilaterais.

    Memoriol é contraindicado pra canalhas.

  4. A hipocrisia dos taxadds, que extorquem a sociedade pra manter a vida de ostentação e luxo das oligarquias patrimonialistas.

    • Automóveis importados: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → carga total de 80% a mais de 100%.
    • Motocicletas importadas: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 70% a 100%.
    • Smartphones importados: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 50% a 80%.
    • Notebooks importados: Imposto de Importação + IPI (quando aplicável) + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 35% a 60%.
    • Televisores importados: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 50% a 80%.
    • Consoles de videogame: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 60% a 90%.
    • Tênis e roupas importados: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 60% a 90%.
    • Perfumes importados: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 70% a 100%.
    • Vinhos e outras bebidas alcoólicas importadas: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 50% a 80%.
    • Peças automotivas importadas: Imposto de Importação + IPI + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS → 40% a 70%.
    • Máquinas e equipamentos industriais: Imposto de Importação + PIS-Importação + COFINS-Importação + ICMS (e IPI quando aplicável) → 20% a 50%.
    Observação: Esses percentuais representam a carga tributária total incidente sobre o produto importado. Apenas o Imposto de Importação é uma tarifa aduaneira; IPI, PIS, COFINS e ICMS são tributos internos que também incidem sobre produtos fabricados no Brasil, embora a carga efetiva sobre importados possa ser maior devido à forma de cálculo e à ausência de alguns benefícios fiscais concedidos à produção nacional.

    ChatGpt

  5. É preciso manter 30% da população no analfabetismo funcional, formar gênios imbecilizados, mulas sem cabeça na Academia e manter os jovens vítimas de uma das piores educações do mundo, para que se idolatre um jacu de gaiola neandertal inútil.

  6. Trump como cabo eleitoral de Lula

    Novo tarifaço não só dá ao petista chance de reforçar discurso de defesa da soberania como pode possibilitar edição de medidas no período vedado pela lei eleitoral.

    (…)

    Fonte: O Globo, Política, 17/07/2026 01h13 Por Vera Magalhães

  7. A China começou a aumentar expressivamente a importação de commodities brasileiras a partir de 2004.

    Esse ciclo de expansão ganhou ainda mais força no biênio de 2009–2010, ano em que o país asiático superou os EUA e se consolidou definitivamente como o principal parceiro comercial do Brasil.

    O movimento foi impulsionado pelo acelerado crescimento urbano e industrial chinês, que demandou grandes volumes de matérias-primas brasileiras, como soja, minério de ferro e petróleo.

    O histórico dessa relação comercial consolidou-se em números expressivos nos últimos anos:

    Transição histórica: Em 2000, o país asiático figurava apenas como o 25º parceiro comercial brasileiro, mas saltou para o 1º lugar na primeira década dos anos 2000.

    Liderança contínua: Há mais de 15 anos a China se mantém como principal destino das mercadorias nacionais, com recordes bilaterais que ultrapassaram a marca de US$ 171 bilhões em comércio no último ano.

    Pauta exportadora: A relação consolidou uma forte concentração agropecuária e extrativista, com cerca de 80% da soja exportada e grande parte do minério de ferro brasileiro tendo a China como destino final.

    Em contrapartida e ao mesmo tempo, a China foi ampliando sua presença imperialista no território brasileiro.

  8. Governo Lula fingiu negociar e torceu pelo tarifaço

    O governo Lula esperou até os ‘45 minutos do segundo tempo’ para realizar qualquer negociação significativa com os States, no caso do tarifaço do governo americano.

    Além de o próprio Lula antagonizar o governo Trump sempre que podia, em seus comícios pré-eleitorais, até o Ministério das Relações Exteriores, responsável pela diplomacia, passou a fazer politicagem em comunicado oficial, insinuando que forças armadas dos EUA poderiam invadir o Brasil.

    Jamieson Greer, representante de comércio dos EUA, revelou: “reuniões construtivas” com o Brasil só começaram nas últimas seis semanas.

    Antes disso, o governo havia enviado duas cartas ao governo americano e feito só uma reunião “de alto escalão”, isto é, a visita de Lula a Trump.

    O efeito desejado pela administração petista é que o tarifaço produza uma nova alta nas pesquisas de opinião, como ocorreu no ano passado.

    Quem vai pagar a conta do tarifaço não é o governo Lula, serão principalmente os exportadores e os trabalhadores atingidos.

    Diário do Poder, Opinião, 17/07/2026 0:01 | Por Cláudio Humberto, ex-secretário de Collor

    Se non è vero, è ben trovato.

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