A celebrada “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, inspirou Tom e Chico a compor “Sabiá”

Chico e Tom, na festa que comemorou a vitória

Paulo Peres
Poemas & Canções

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, deixou a sua genialidade invocar inspiração para fazer a letra de “Sabiá”, que fala sobre o exílio e dialoga com a “Canção do Exílio” (Gonçalves Dias).

Chico Buarque e Tom Jobim receberam uma vaia ao ganharem o III Festival da Canção com essa música. 1968. Isso porque o público , em plena ditadura, queria que a música “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores” de Geraldo Vandré,  fosse a vencedora. A música “Sabiá” foi gravada pelo MPB 4 no LP III Festival Internacional da Canção Popular – Vol. III, em 1968, pela Philips.

SABIÁ
Tom Jobim e Chico Buarque

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De um palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor Talvez possa espantar
As noites que eu não queira
E anunciar o dia

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer

Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
E é pra ficar
Sei que o amor existe
Não sou mais triste
E a nova vida já vai chegar
E a solidão vai se acabar
E a solidão vai se acabar

2 thoughts on “A celebrada “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, inspirou Tom e Chico a compor “Sabiá”

  1. Nem de longe dá para comparar com a preciosidade de Geraldo Vandré – pra não dizer que não falei das flores – que foi um verdadeiro arrastão orfeico contra a ditadura.
    Alguns críticos tachavam a canção de melodicamente pobre, mas aí pode estar uma das grandes sacadas de Vandré: para facilitar a assimilação por parte da grande público.
    Sabiá enfatizou por demais o fonema “a”, tornando-a maçante, em vez de massificante; além de não conter aquele incitação reativa, presente no hino de Geraldo Vandré.

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