A Rua de Rimas de Guilherme de Almeida

Guilherme de Andrade de Almeida (1890-1969), o Príncipe dos Poetas Brasileiros, nasceu em Campinas (SP), foi uma personalidade de destaque nos meios intelectuais e sociais como poeta, jornalista, advogado, cronista, tradutor, além de desenhista e profundo conhecedor de cinema. Usando o recurso estilístico da aliteração no poema “A Rua de Rimas”, Guilherme de Almeida traduz todo o seu imáginário, que desde menino, futura viver em uma rua “que rima com mocidade, liberdade, tranquilidade: Rua da Felicidade.

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A RUA DE RIMAS

Guilherme de Almeida

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
doiradas, descabeladas,
debruçadas como namoradas para as calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso,
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rala de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (mulata ingrata que me mata…);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio…
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher que bem me quer;
é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calçadas nuas,
correndo paralelamente,
como a sorte, como a sorte diferente de toda a gente, para a frente
para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito, bendito, que sempre repito
e que rima com mocidade, liberdade, tranquilidade: RUA DA FELICIDADE…

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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10 thoughts on “A Rua de Rimas de Guilherme de Almeida

  1. Boa noite.
    Esse Poema, me emociona. Não por eu adorar poemas, não…
    Eu gosto de pouquíssimos poemas. Só daqueles que me dizem alguma coisa, que me tocam profundamente, como se houvesse sido feito para mim. Esse poema me foi dado como trabalho de disciplina, no meu ensino Fundamental, ex primário…Eu e meu grupo iríamos declama-lo. Cada um decoraria sua parte…Eu, me apaixonei à primeira vista e acabei o decorando todo. Os anos se passaram e volta e meia me lembro dele com saudades. Minha memória apagou alguns dos trechos mas eu sempre o declamava no pensamento e tinha o desejo de saber o nome do seu Escritor. Hoje, nessa noite o Google me possibilitou isso!! Que emoção. Vou escreve-lo no meu caderno e nunca mais esquecer!!

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