A sedução do poder viaja a jato no mundo mágico de governantes

http://www.esmaelmorais.com.br/wp-content/uploads/2013/07/charge6.jpgPedro do Coutto

Reportagem de Flávia Pierry, O Globo de terça-feira, revelou que o governo de Brasília aprovou edital para contratar um serviço de táxi aéreo, à base de pequeno avião a jato mas sempre com direito à salas VIP e a tratamento de bordo também de qualidade especial. O governador Agnelo Queiroz justifica a iniciativa pela necessidade da obrigação de ter de viajar pelo país, dadas as dimensões nacionais, de modo rápido e seguro. Não se sabe que obrigações serão essas já que Agnelo Queiroz é governador do Distrito Federal.

Imagine se os demais vinte e seis governadores alegarem as mesmas razões para seguir o exemplo e adquirirem ou contratarem aviões para se locomover de um estado para outro, ou de uma localidade para outra. No caso do governo de Brasília, os voos podem até ser internacionais, com o mínimo de escalas possível.
PODER E SEDUÇÃO

Tudo por conta do mundo mágico do poder e da sedução de que se reveste. Este lado é tão forte, no plano psicológico quanto a despesa que acarreta no plano financeiro. È um deslumbramento, péssimo exemplo ético para a população que escolhe seus governantes para administrar e não para que se deslumbrem no universo da autoafirmação – falsa autoafirmação na verdade. Porque o governador de Brasília não pode se transportar por via rodoviária dentro da cidade ou através de voos comerciais como fazem todos? Não há razão explícita além de um exemplo de fascinação, como na valsa famosa. Isso de um lado.

De outro não se explica à luz da lógica quais os motivos que incluem viagens internacionais na agenda do governador. Eles podem ocorrer, mas de maneira pouco frequente, que podem ser atendidos pelo uso das linhas comerciais regulares que levam rapidamente de um ponto a outro do planeta.


A população não paga impostos, cada vez mais pesados, para isso. Se o governador precisar viajar, basta requisitar as passagens e diárias. Se deseja convidar outras pessoas não incluídas em sua equipe, use seus recursos próprios para tal. Não recursos públicos. São gastos assim que, multiplicados, levam à perda sensível de parte das receitas, diminuindo a capacidade do poder público de investir mais em saúde e educação e também realizar os investimentos reprodutivos de que o país exige e a população espera. Espera e, habitualmente, de quatro em quatro anos, ouve a repetição das promessas. Os eleitores vão às urnas  em busca de esperança. A que se volta para a realização dos compromissos de campanha. Não para que os que pediram seus votos, ontem, amanhã os utilizem para uso pessoal do poder, transformando-o de instrumento de ação social e econômica coletiva numa ponte  pessoal para o luxo e a ostentação.

É preciso colocar uma barreira concreta e efetiva entre os dois polos da questão. O poder não existe para satisfação individual e deslumbrada dos que o ocupam. Sua finalidade é outra, muito diferente: melhorar os níveis de vida da população e melhorar as estruturas da sociedade. Mas os exemplos nada dignificantes se repetem. Acumulam prejuízos enormes, incluindo a queda da credibilidade do poder público. Isso é extremamente negativo para os políticos, para a política, para o próprio país.

8 thoughts on “A sedução do poder viaja a jato no mundo mágico de governantes

  1. A dívida pública se expande cada vez mais.

    O resultado primário, isto é, o resultado entre as receitas e despesas da União contabilizadas pelo Tesouro Nacional este ano estão decepcionantes.

    Até setembro, por dois meses (fevereiro e setembro) ocorreram déficits primários. Isto é, as despesas foram maiores que as receitas, antes mesmo de serem contabilizados os juros da dívida pública.

    Veja os resultados do Tesouro Nacional em 2013:

    Janeiro: R$26,3 bilhões (superávit primário)

    Fevereiro: – R$6,6 bilhões (déficit primário)

    Março: R$291 milhões (superávit primário)

    Abril: R$7,3 bilhões (superávit primário)

    Maio: R$6,0 bilhões (superávit primário)

    Junho: R$1,3 bilhão (superávit primário)

    Julho: R$3,8 bilhões (superávit primário)

    Agosto: R$100 milhões (superávit primário)

    Setembro: – R$10,5 bilhões (déficit primário)

    Fonte: Tesouro Nacional

    No acumulado até setembro o superávit primário chegou a apenas R$27,9 bilhões (38,2% do total da meta do Governo Central que é de R$73 bilhões para o ano de 2013).

    A meta geral para fazer superávit é de R$108 bilhões (2,3% do PIB), divididos assim: R$73 bilhões como meta para a União e R$35 bilhões como meta para os Estados e Municípios.

    Tanto o Ministro da Fazenda – Guido Mantega – quanto o Secretário do Tesouro Nacional – Arno Augustin – garantem que da parte da União (Governo Central) a meta será atingida; entretanto, ponderam a respeito dos Estados e dos Municípios. Até setembro, os governos estaduais e municipais conseguiram superávit de apenas R$18 bilhões.

    Somados os números das três esferas de governo tem-se um superávit acumulado de R$45,9 bilhões até setembro. Restam apenas três meses para o final do ano (outubro, novembro e dezembro), para que os governos consigam o restante do superávit prometido: R$62,1 bilhões.

    Da parte da União faltam (R$73,0 bilhões – 27,9bilhões) R$45,1 bilhões. Destes, estão garantidos R$15 bilhões que virão do leilão de libra ainda neste mês de novembro, faltando (R$45,1 bilhões– R$15 bilhões) R$30,1 bilhões.

    Divididos os R$30,1 bilhões pelos três últimos meses, tem-se pouco mais de R$10 bilhões de superávit necessário em cada um dos meses que restam em 2013. É possível que o Governo Central consiga. Mas, e da parte dos governos estaduais e municipais?

    Em 2012 o superávit do Governo Central foi maior (R$86,086 bilhões) do que o prometido para este ano (R$73,0 bilhões). Ainda assim, os juros nominais da dívida pública federal alcançaram R$147,268 bilhões, dando como resultado um déficit nominal ou a necessidade de financiamento do setor público federal de (R$147,268 bilhões – R$86,086 bilhões ) R$61,182 bilhões. Este déficit foi coberto com a emissão de novos títulos pelo Tesouro Nacional em operação de expansão da dívida pública.

    Este ano os juros da dívida até agosto já atingiram R$126,235 bilhões, e como resultado um déficit nominal de R$88,794 bilhões já em agosto. Tudo indica que o ano de 2013 será pior que 2012 para a contabilidade pública.

  2. Todo brasileiro de mediana inteligência sabe muito
    bem onde é o lugar de Agnelo Queiroz, mas…..

    Tudo isto nos mostra uma foto exata do que é o nosso Brasil.

  3. Cercado de bajuladores petistas e peemedebistas, Agnelo é mal assessorado. Porque se houvesse um bom assessor de imprensa, dele ouviria: “governador, estamos a menos de 12 meses das eleições e não pega bem alugar um avião para viagens que podem ser feitas na aviação comercial”. Agnelo não será reeleito e voltará de onde não deveria ter saído: o anonimato.

  4. Estamos atravessando uma grande tormenta no Brasil: chama-se credibilidade do Poder Público. As pessoas vivem uma situação de insegurança total. Não se respeita os mais velhos, isto por falta da educação dos mais novos, ou por maus exemplos dos mais velhos. Maus Policiais matam inocentes e bons policiais morrem. A política virou um caos no território nacional: ganha quem tiver mais dinheiro para comprar votos de eleitores nocivos à sociedade. Por isso os políticos acham que não têm responsabilidade com a população. “É preciso colocar uma barreira concreta e efetiva entre os dois polos da questão. O poder não existe para satisfação individual e deslumbrada dos que o ocupam. Sua finalidade é outra, muito diferente: melhorar os níveis de vida da população e melhorar as estruturas da sociedade.” Nem o vota como mercadoria de troca, mas um direito inegociável do cidadão para fazer valer os seus direitos.

  5. Pena que o sr Pedro Couto é muito delicado com esse grosseirāo, pretencioso ratasqueiro governador do DF imitador do governador guardanapo Sergio cabral. Aero nave própria para atender compromissos internacionais, isso é esculhambar com seus proprios eleitores. Deveriam promover uma passeata para proibirem esta compra.

    J G Borges
    Tubarāo, SC

  6. É o fim da picada esse desgovernador querer alugar um avião para levá-lo aonde o Sérgio Cabral costuma ir às nossas custas. Espero que Agnelo não seja reeleito. Chega de petistas sem compromisso com a seriedade.

  7. Político é como cachorro que come ovelha,só matando. Infelizmente, no Brasil, qualquer pessoa honesta que se eleja, automaticamente fica desonesta e aí, é como cachorro que come ovelha…..

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