Afinal, por que o Supremo está segurando tanto o inevitável impeachment de Jair Bolsonaro?

Este foi o primeiro teste à nova formação do colegiado sob a presidência de Luiz Fux/Rosinei Coutinho/SCO/STF

Fux precisa marcar logo os julgamentos que envolvem Bolsonaro

Carlos Newton

Na política mundial, nunca houve um presidente tão sujeito a impeachment como Jair Bolsonaro, Já foram protocolados na Mesa da Câmara dos Deputados mais de 100 pedidos, algo jamais visto, recorde absoluto. Além disso, o Congresso abre a CPI da Covid e no Supremo diversas ações para provocar o afastamento do presidente, e essa possibilidade pode ser concretizar a qualquer momento – hipoteticamente, claro, porque tudo depende de vontade política, responsabilidade institucional e determinação moral por parte dos relatores e do presidente do Supremo Tribunal Federal.

Em tradução simultânea, pode-se dizer, sem medo de errar, que o impeachment de Jair Bolsonaro depende não só da disposição e do espírito público dos relatores Alexandre Moraes, Cármen Lúcia e Marco Aurélio Mello, mas também do apoio do presidente Luiz Fux, a quem cabe marcar o julgamento das denúncias contra Bolsonaro.

AS PRINCIPAIS AÇÕES – Alexandre de Moraes está relatando três ações que atingem o presidente Bolsonaro – fake news, atos antidemocráticos e interferência na Polícia Federal (caso Sérgio Moro).

Carmén Lúcia relata duas denúncias. Uma sobre o envolvimento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na defesa do senador Flávio Bolsonaro e a outra sobre descaso nos cuidados com as tribos indígenas na pandemia.

Há muitas outras ações contra Bolosnaro, como a relatada pelo ministro Marco Aurélio Mello, que denuncia o presidente por omissão no caso da pandemia e o obriga a instituir uma comissão independente para coordenar o combate à Covid-19.

NA MESA DE FUX – As ações relatadas por Alexandre Moraes são pesadíssimas e qualquer uma delas pode causar o afastamento do presidente por 180 dias, para se defender. Fake news e atos antidemocráticos levam a assinatura do “gabinete do ódio”, que funciona no terceiro andar do Planalto, ao lado da sala do presidente. E o caso da denúncia de Moro (interferência na Polícia Federal) nem tem defesa, pois Bolsonaro é réu confesso. Mesmo assim, Moraes está sentado sobre as ações, sem concluir as investigações.

Cármen Lúcia continua travando o caso da ação da Abin para blindar Flávio Bolsonaro, mas já pediu do presidente Fux que leve a julgamento em plenário a denúncia do descaso de Bolsonaro com as tribos indígenas na pandemia.

Marco Aurélio Mello, no sábado, dia 24, também encaminhou ao presidente Fux a ação sobre as omissões de Bolsonaro no combate à pandemia.

PROVAS ABUNDANTES – Qualquer uma dessas denúncias que for a julgamento tem provas suficientes para incriminar Jair Bolsonaro. Ou seja, se o plenário juntar seis votos contra o presidente, ele estará automaticamente afastado, por 180 dias, para se defender na Câmara dos Deputados, como acontecer com Dilma Rousseff. E depois que é afastado, não volta nunca mais, na tradição republicana internacional.

A decisão é de convocar julgamento é de apenas uma pessoa, chamada Luiz Fux. Talvez ele lembre da mensagem do almirante Francisco Barroso e saiba que o Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.  

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P.S. – O jurista Jorge Béja me avisa que a ministra Cármen Lúcia tem em mãos também uma queixa-crime do Delegado Alexandre Saraiva, da Polícia Federal, contra o ministro Ricardo Salles. O delegado acusa Salles de proteger criminosos de extração de madeira.  O Dr. Béja aposta, sem medo de errar, porque é pule de 10, que a ministra vai surpreender. Dentro em breve ela vai conceder liminar de ofício determinando o afastamento temporário do ministro do cargo enquanto durar a investigação. Motivo: a permanência dele no exercício do cargo dificultará o inquérito para apuração do crime. (C.N .)

15 thoughts on “Afinal, por que o Supremo está segurando tanto o inevitável impeachment de Jair Bolsonaro?

  1. Não acontece e não acontecerá por um único motivo: o presidente tem amplo apoio popular. E será reeleito em 2022 para limpar esse STF vergonhoso que Lula e Dilma deixaram de herança.

  2. Bom dia, Newton! O problema de segurando essas ações é que virá mais uma indicação de ministro pelo Presidente. E que não deve se declarar suspeito. Como espertalhão. A fim de favorecer de alguma forma. Um pedido de vista …

  3. 60% da população não quer Lula e nem Bolsonaro. Me incluo nesses 60% pois reconheço, por fatos, e não por falacias que fomos traídos, tanto lá, como agora. O jogo de interesses é gigantesco lá naquelas esferas e esta acima dos interesses do Brasil e de seu povo. Só não vê quem não quer ou vive numa bolha de fumaça, propositadamente.

  4. Bolsonaro tem sido um desastre.
    Porém para o impeachment e há a necessidade de CRIME.
    Não podemos aceitar o argumento usado para o impeachment de Dilma. Tasso Jereissati fala em “conjunto da obra”, nada mais vago do que isso.
    Na realidade Bolsonaro sempre foi um falastrão enganador.
    E assim mesmo foi eleito. Qq ação contra seu mandato será mais um golpe, e golpes não resolvem nada.

  5. Pior que a situação de Bolsonaro, somente a Maria e a Isabel.

    Diálogo ouvido entre duas mulheres numa lancheria, em famoso shopping:

    – Maria, somos muito amigas, desde o colégio.
    – Sim, é verdade, Isabel.
    – Me responde, por favor, como é o teu marido … lá … quero dizer … fazendo sexo, isso daí?
    – Maria, vou te dizer: mesmo após trinta e cinco anos de casada com o João, ele é um vulcão na cama!
    – Um vulcão? Que maravilha, então …
    – Calma, não te precipites. Quero dizer que ele é um vulcão inativado e só solta gases!
    Tá, falei do meu, e o teu marido?
    – Isabel, o meu marido é um avião na cama.
    – Um avião, mulher, que espetáculo, então ele te leva às alturas?
    – Não é assim como estás imaginando.
    – Então como é o dito avião?
    – Ele ronca e tem asa!

  6. ‘O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever’.

    Bonito, né? Disse o Almirante Barroso na Batalha Naval do Riachuelo, em 11/06/1865. Será que essa frase teria hoje o efeito que teve naquela batalha, decisiva e vitoriosa, na Guerra da Tríplice Aliança, entre 1864 e 1870? Não creio.

    Não posso crer pois naqueles idos tempos (1865) o Brasil vivia sob a direção de um chefe de Estado honrado, culto, respeitado, incorruptível e sua capital era no Rio de Janeiro, perto do povo. Havia vergonha na cara de todos seus dirigentes.

    Hoje o Brasil vive, há muitas décadas, sob a direção de chefes de Estado que acumulam as funções de chefes de Governo, sem qualquer odor de honra, incultos, que não respeitam os cidadãos nem são por eles respeitados, corruptos e a capital do é em Brasília, construída para ficar longe do povo e omissa para com suas necessidades. E a vergonha na cara faleceu desde as obras superfaturadas de sua construção, porém sua alma penada continua agindo e cada vez com maior operosidade.

    Prova disso? As decisões da maioria dos membros do Supremo tribunal Federal favoráveis a corrupção, a manter impunes os corruptos e a condenar os que combateram a corrupção.

    O Brasil, o “País do Futuro” de Stefan Zweig, jamais terá futuro pois está em acelerado estado de putrefação. Está desmanchando.

  7. Apenas um lembrete: Renan Calheiros ainda responde a oito processos no Supremo Tribunal Federal, mas dos 17 originais, nove já foram enviados ao arquivo.

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