Ainda lembrando nosso mestre em Economia, Flávio José Bortolotto, que realmente amava o Brasil

Mensagem de Luto com a frase "Quem amamos nunca morre, apenas parte antes de nós."Fernando Soster Bortolotto

Estava em Florianópolis, em sua casa no bairro Ingleses, em isolamento, mas ainda vinha me ver, exceto após meados mês de março e abril, no escritório que montaram há dois anos, no bairro da Trindade, no dia da feira e na sexta para levar a sra. Vilma para fazer a faxina lá no norte da Ilha. Morreu em decorrência de complicações da Covid-19, aos 70 anos completos, mais os 9 meses, como contam os japoneses.

Depois em Porto Alegre, também ele foi convidado a se juntar em Brasília, e sendo reformado, tratou de impulsionar o setor imobiliário nesta capital.

EMPREENDEDOR – Homem de capital parco, contando no início com o salário poupado durante a caserna, tendo ido a Porto Alegre para concluir os estudos no ginásio, onde recebeu envios por correio da serraria (as duas primeiras) e depois teve a ajuda de um filho do proprietário da casa, que trabalhava no banco – os judeus de Porto Alegre – onde dividia residência com alguns primos e amigos de colônia, para abrir uma conta antes da maioridade.

A serraria que seu pai fundou, descreveu-a em “Impressões Pessoais”. Obra que eu participei da montagem ainda muito novo, apenas separando as páginas em capítulos para depois amarrar e colocar a capa. Meu irmão mais velho foi o editor. Morávamos em casa de madeira pré-fabricada, em cima de boa propriedade.

Construiu sob seu nome empresarial depois de encerrar uma sociedade lucrativa com o Sr. Álvaro, de família materna ilhoa. Deu certo até a década de 90, tendo depois atuado como comerciante de combustíveis em um posto pequeno no triângulo entre a Hercílio Luz e a rua que sobe para a Câmara Municipal. A empresa veio a falir, gostava de repetir que faliu três vezes.

NOS IDOS DE 64 – Falou-me muito de Victor Fontana, de Helio Fernandes. Recebeu no exército a experiência dos mais condecorados quanto à violência do depois signatário do Tratado de Lisboa, Leonel (na verdade era outro o nome que teve de nascimento) Brizola.

Nesses tempos da revolução era ainda um guri. Os antigos falavam do terrível medo que causava, tal o radicalismo. Agitou muito até que foi feita a revolução. Jango consentiu que a estocada não lhe furasse o orgulho dos pais da pátria portugueses, a colônia que passou a Império, entre um pai e um filho.

O progresso que hoje nos tomam as potências estrangeiras é a tônica (nota ou sílaba que mais repete) dessa terra. Os italianos vieram aqui maravilhados com o fato de nascer salame em árvores na época da fome no Nordeste da Itália, com a República do Vittorio Emanuelle. (isso é uma piada)

POUCO AMBICIOSO – Falou de Militinski. Professor de Engenharia estrutural. Elogiou as autoridades civis do município em que construiu dois galpões, lá.

Era um pouco ambicioso em relação a pessoas e isso nublava seu pensamento do momento econômico – a tal conjuntura ou tendência, na mente cartesiana. Observava o código canonicamente, como era comum, na época em que os homens amavam suas mulheres de longe, com um fuzil em mãos.

Gostava do Lula. Certa vez, universitário, caí na besteira de fazer ele ler o tal “livro do príncipe”. O pai gostou, quase enviou uma carta pra ele. Como eu tenho a carta que escreveu ao Lula na sua pastinha.

QUEDA DE DILMA – Como dissesse que ele fora a favor do impeachment da presidente Dilma, de quem ele brincava que vira pelo campus na época da faculdade (ela a fazer não se sabe o que), deixou de fazê-lo ao não enviar o email, pois via em si alguém que não gostaria de dar esse passo. Seria apoiar o paulista em campanha (vai entender, por que não o Rio?) em lugar de respeitar a derrotada.

Amou o Brasil e rendeu a nossas letras uma prosa de bom economês, o seguinte livro “Impressões Pessoais: Brasileiro com o mais justo orguho…”

Tive a sorte de pedir para deixar um livro no sebo perto do Posto da Ilha e poder declarar na outra visita, a pretexto de namorar alguns números da família Pato, que o livro havia sumido da prateleira. Recorde de vendas. Tempo em que o ponteiro do litro subia mais rápido que o da gasolina, álcool ou óleo diesel.

Dizia que uma Skol largada nas bombas ia sumir bem rápido se deixada em cima das bombas, mas a Bíblia de Gutemberg poderia ficar o fim de semana inteiro no pátio que não roubariam.

8 thoughts on “Ainda lembrando nosso mestre em Economia, Flávio José Bortolotto, que realmente amava o Brasil

  1. Agradeço. Enviei esse email ao blog do helio fernandes dia 08/04 mas pelo visto o Newton só ficou sabendo depois do Mathias avisar. Poderia fazer algum reparo quanto a pouco ambicioso, em relação às pessoas quis dizer que ele enxergava mais do que elas valiam. Não sendo orgulhoso, mas era o que me parecia. Obrigado por pinxarem esse pequeno comentário na página de entrada. Espero que os comentaristas amigos do pai se pilchem nas japona e mateiem muito, enquanto não conseguem realizar as vacinações e as devidas responsabilizações em questão de bioética concernentes a essa pandemia.

    • Caro Sr. Fernando Bortolotto,

      Ainda triste com a notícia, vi ontem essa belíssima homenagem que o Sr. fez ao seu pai, o mestre Flávio Bortolotto: parabéns!!!

      De fato, o mestre Bortolotto via as pessoas de modo muito generoso, além de ser um verdadeiro lorde. Características dignas de quem “enxergava mais do que” as pessoas valem e tem o “coração de ouro”, conforme ressaltaram brilhantemente o Sr. e o Sr. Erdtmann (12:18).

      Muito boa a notícia que o mestre Bortolotto tenha formalizado algumas de suas teses, fato que eu desconhecia, além do que fora publicado na antiga Tribuna da Imprensa e nessa TI. Certamente, um legado expressivo e que não tem preço, às atuais e futuras gerações!!!

      Peço licença para acompanhar também os Srs. J. Vidal (10:07) F. Bendl (12:38).

      Paz e Bem ao Sr., familiares e amigos do mestre Bortolotto! Que o Bom Jesus e a Mãe da Soledade confortem a todos!

      Fraterno Abraço,
      Cordialmente,
      Christian.

      PS: parabenizo e agradeço, também, à editoria da TI por merecidamente publicar a homenagem do Sr. Fernando Bortolotto.

  2. “Venham para o sorteio do bife!”. Chamava Flávio, que havia preparado bifes na chapa no fogão a lenha, com polenta também na chapa. A frase remetia a um tempo onde a família era mais numerosa, e os bifes mais escassos. Obviamente não teríamos que sortear bife. Tinha um bife gigante para cada um, e mais um extra ainda se a fome fosse grande. Os três filhos de Bortolotto e eu largávamos o ping pong jogado na mesa fabricada a partir de compensado de obra, sobre cavaletes de obra e íamos, felizes, para a ceia. Bortolotto com seu sorriso imensamente sincero serve a todos e conta mais umas duas ou três histórias ao longo do almoço. “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura, jamás!”, brincava ele, fingindo que a carne estava dura (não estava). Fazem 30 anos. É uma das minhas memórias mais vívidas de Bortolotto. Com coração de ouro, enxergava o melhor nas pessoas e, para discordar do amigo Fernando, acho que ele avaliava as pessoas corretamente. Era um cristão de corpo e alma, e amava o próximo de forma sincera, algo que nós, mais amargos, jamais conseguimos, pois acabamos procurando o mal que existem em todas as pessoas. Acreditava, sobretudo, no Brasil: o Brasil composto por essas pessoas maravilhosas, que irmanavam nosso fantástico e eterno Amigo Flávio Bortolotto, muito amado por sua família e amigos.

  3. Belas passagens da vida de Bortolotto.

    Merece ser lembrado pelo que fez de bom, útil e proveitoso aos seus e à sociedade.

    O mestre deixará uma lacuna imensa neste blog, que será difícil ser preenchida.

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