André Mendonça imita Kássio Nunes e inventa ter concluído cursos jurídicos no exterior

André Mendonça é como Kassio Nunes: terrivelmente enganador

Carlos Newton

O advogado-geral da União, André Luiz de Almeida Mendonça, de 48 anos, que foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar a vaga de ministro da Suprema Corte, deixada pelo então ministro Marco Aurélio de Mello, por motivo de aposentadoria, poderá enfrentar dificuldades no Senado Federal, onde será sabatinado.

Não porque seja “terrivelmente evangélico”, mas por ter de explicar as tremendamente mentirosas inconsistências presentes em seu sintético currículo acadêmico, isto, salvo melhor juízo.

FRAUDE NO CURRÍCULO – Segundo apurado e divulgado, André Mendonça, nascido em Santos, formou-se em direito na Instituição Toledo de Ensino, situada em Bauru (SP), em 1993 e, a partir de 2000, passou a integrar o quadro de funcionários da Advocacia Geral da União, onde desde 2019, no governo Bolsonaro, ocupa o cargo de advogado-geral da União, com rápida e tumultuada passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo o artigo 101 da Constituição Federal, os ministros do STF devem ser escolhidos dentre cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada. É uma exigência constitucional incontornável, mas que o tempo tem se encarregado de menosprezá-la ou de mitigar sua relevância.

André Mendonça, objetivando provar seu “notório saber jurídico”, fez questão de destacar em seu currículo que, entre 2013 e 2018, foi aluno da Universidade de Salamanca, na Espanha, onde teria obtido o título de doutor e de mestre.

SALAMANCADAS –  Coincidentemente, Mendonça teria estudado na mesma universidade de Salamanca, onde o hoje ministro do STF, Kassio Nunes, também diz ter se doutorado ao mesmo tempo, que desempenhava a elevada função de desembargador do TRF1, além de ter mestrado e pós-doutorado, na Itália e em Portugal, em fraudes que estão sendo investigadas pela Procuradoria-Geral da República em inquérito no Supremo.

Nesse quadro, depois de agradecer Bolsonaro pela confiança, Mendonça informou que já está à disposição do Senado e que buscará contato com todos os membros, que deverão avaliar o seu nome, e é bom que André Mendonça já se prepare para responder a algumas dúvidas que só ele poderá esclarecer.

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PERGUNTAS QUE NÃO QUEREM CALAR

1 – considerando os cursos apontados como frequentados e concluídos pelo AGU, em universidade situada a mais de 10 mil km de Brasília, tendo no Brasil universidades melhor avaliadas no ranking mundial, como entender tal opção, com consequentes elevados gastos e jornadas acadêmicas tão cansativas?

2 – como foi possível compatibilizar o cumprimento obrigatório de carga horária semanal de trabalho na AGU, de 40 horas, e a presença física no distante país da Europa para obter os créditos indispensáveis para a apresentação de dissertação de mestrado e defesa de tese no doutorado?

3 – em que período frequentou a Universidade de Salamanca onde teria obtido o título de mestre? O curso teve aulas presenciais ou só foi implementado à distância?

4 – para obter o título de doutor pela Universidade de Salamanca quantos anos de aula frequentou o AGU para, cumpridos os créditos, defender tese? Como se dava o relacionamento com os orientadores desses trabalhos acadêmicos? 

5 – o governo federal e a AGU colaboraram de alguma forma para a cobertura dos gastos com a Universidade, viagens e estadia na Europa ou tudo foi pago pelo próprio indicado ao STF?

6 – no Brasil, de acordo com educadores e professores universitários, na melhor das hipóteses, para a obtenção desses títulos universitários, com dedicação exclusiva, nada se concretizaria em menos de seis anos de estudos e pesquisas. Um servidor público federal com jornada integral de trabalho como poderia cumprir as exigências universitárias em país tão distante e ao mesmo tempo não faltar a algumas de suas obrigações no exercício de função pública?

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P.S.-
Certamente, o doutor André Mendonça não precisaria desses títulos para justificar sua indicação para a Suprema Corte. Para quem o escolheu, o que importava mesmo era ser terrivelmente evangélico, circunstância que nem consta de seu currículo. Porém, para a sociedade brasileira, importa, sim, que os esclarecimentos sejam cobrados e prestados, e que Deus proteja nosso País da ação nefasta desses enganadores, sejam evangélicos ou não. (C.N.)

16 thoughts on “André Mendonça imita Kássio Nunes e inventa ter concluído cursos jurídicos no exterior

    • Estes cursos, feitos por esta figura, são academicamente terrivelmente mal conceituados, sendo conhecidos como cursos caça niqueis, se prestando apenas para títulos que atestam a pulsilanimidade de quem os ostenta. Uma vergonha nacional.

      • É importante que o juiz do STF seja criativo para embasar decisóes esdrúxulas com roupagem de legalidade e constitucionalidade sem denotar que se trata de algo particular para servir o padrinho ou amigo.

  1. “Um servidor público federal com jornada integral de trabalho como poderia cumprir as exigências universitárias em país tão distante e ao mesmo tempo não faltar a algumas de suas obrigações no exercício de função pública?”

    Boa pergunta.
    Mostra, porém, o pensamento de muitos que o serviço público tenha que ser um sacerdócio.
    Existe para certas categorias do funcionalismo público (juízes, procuradores, auditores, delegados, defensores públicos) facilidades de se afastarem por um período, renovável, para frequentar cursos, alguns inclusive pagos pela instituição.

    Infelizmente nem sempre no interesse público. E sim mais na evolução da carreira.

    Já outros funcionários públicos “subordinados” àqueles existe a escravidão.

  2. E tem um problema gra´vissimo desse Advogado de Porta de Cadeia.
    Ele é abiguinho dos petralhas, fez até um livro em homenagem á um deles.
    Aliás, não tem carreira de Juiz, um dos requisitos para ser Ministro.
    Mas vai entender a mente do BolsoMinto.

  3. Se falta razão pelo qual o sistema de escolha para ministros do STF feito pelo presidente da República precisa ser modificado, eis mais uma:
    outro ministro estelionatário ou falsidade ideológica!

    Mais um pouco, e o STF vai competir com o parlamento em termos de falcatruas, desonestidades, corrupção, trampa, adulteração de documentos … antro de sem vergonhas!

    Que moral terá Mendonça para julgar?
    Que moral tem Nunes para julgar?
    Que moral tem Toffoli, Lewandowski, Mendes, Cármen Lúcia para exercerem com ética e isenção suas funções?!
    Nenhuma!

    Bolsonaro tem como intenção desprezar o Supremo, e percebeu existir uma fórmula eficiente à sua disposição:
    escolher quem jamais poderia ser guindado para este tribunal superior.

    Para o congresso, quanto pior for o ministro, mais fácil de manipulá-lo, de modo a obter a impunidade sempre almejada, então a “sabatina” no senado é mais fria que bunda de pinguim!

    Agora, se o paraíso para os corruptos é Paris, para os fraudadores de cursos de extensão ficou sendo a Universidade de Salamanca!
    As investigações precisariam ser feitas com a direção daquele estabelecimento de Ensino, e quem vende os tais diplomas tão fáceis de ser obtidos.

    Logo, iriam para a prisão os dois ministros de Bolsonaro, o vendedor e o cúmplice na Universidade, fornecedor dos documentos ilegítimos.

    Por fim, Mendonça como pastor, porém adulterando documentos em benefício próprio, comprova mesmo que Deus não é aquele quem propaga, pois este seria para incultos e incautos.
    O dele, do pastor e ministro, é o poder, o dinheiro, e conseguir uma posição social elevada.

    Tá feia a coisa, muito feia.

    • Pelo menos o livro curso de Direito Constitucional do Gilmar Mendes é muito bom.
      Já o do Alexandre de Moraes cai muito bem para os universitários do primeiro ano.

  4. Rankings para a Univ de Salamanca:
    mundialmente #671.
    na Espanha é # 20

    A de Bauru não aparece entre as universidades brasileiras, talvez por ser uma Instituição de Ensino.

    De qualquer forma o que conta é a fé! (e o jumento que tem o poder de fazer a escolha).

  5. Sr Carlos Newton. Poderia dar-me um link , onde o sr criticou o saber jurídico do ilibado Dias Toffoli? Caso contrário, não tens moral para tratar do assunto! Saudações.

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