Barroso denuncia como se processa a atual campanha para desmoralizar a Lava Jato

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Eventuais excessos não inviabilizam a Lava Jato, diz Barroso

Merval Pereira
O Globo

Uma entrevista do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso ao historiador Marco Antonio Villa está viralizando nas redes sociais, como contraponto à campanha de tentativa de desmoralizar a Operação Lava-Jato, com o objetivo de anular a condenação do ex-presidente Lula pelo então juiz Sergio Moro por parcialidade no processo do triplex do Guarujá, sentença que foi confirmada no Tribunal Regional Federal em Porto Alegre e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília.

Segundo Barroso, há uma “operação abafa” em curso, por meio da aliança de todos os setores para enterrar ações de combate à corrupção.

FALSO ARGUMENTO – Ele já havia abordado esse tema, entre outros, no livro “Sem data venia”, publicado pelo selo História Real, coordenado por Roberto Feith na editora Intrínseca. Para Barroso, referindo-se às mensagens roubadas dos celulares de procuradores de Curitiba, o problema não é “alguém ter dito uma frase inconveniente ou não. É que estão usando esse fundamento pra tentar destruir tudo que foi feito, como se não tivesse havido corrupção”.

No livro, Barroso desenvolve a tese de que há em curso no Brasil “um esforço imenso para capturar a narrativa do que aconteceu no país”, fazendo uso “de provas ilícitas, produzidas por criminosos, Deus sabe a soldo de quem”.

Ele classifica esse como um “processo de tentativa de reescrever a História, com tinturas stalinistas”, e ironiza: “Só falta a criação de um Ministério da Verdade, como na obra ‘1984’, de George Orwell, que vivia de reescrever a história a cada tempo, modificando os fatos”.

FATOS CONCRETOS – No livro, e também na entrevista a Marco Antonio Villa, Barroso relata os fatos, “para que não se perca a memória do país”:

a) Eu ouvi o áudio do senador pedindo propina ao empresário e indicando quem iria recebê-la, bem como vi o vídeo do dinheiro sendo entregue;

b) eu vi o inquérito em que altos dignitários recebiam propina para atos de ofício, abriam offshores por interpostas pessoas e, sem declará-las à Receita, subcontratavam empresas de fundo de quintal e tinham todas as despesas pagas por terceiros;

c) eu vi o deputado correndo pela rua com uma mala de dinheiro com a propina recebida, numa cena que bem serve como símbolo de uma era;

d) todos vimos o apartamento repleto com 51 milhões de reais, com as impressões digitais do ex-secretário de Governo da Presidência da República no dinheiro;

e) eu vi, ninguém me contou, o inquérito em que o senador recebia propina para liberação dos pagamentos à empreiteira pela construção de estádio;

f) todos vimos o diretor da empresa estatal que devolveu a bagatela de R$ 182 milhões; e

g) todos vimos a usina que foi comprada por US$ 1,2 bilhão e revendida por menos da metade do preço.

IGUAL Á ITÁLIA – Barroso compara o que está acontecendo aqui com o que aconteceu na Itália, na Operação Mãos Limpas, que acabou sendo neutralizada por ações do governo e do Congresso.

 “Como seria de esperar, o enfrentamento à corrupção tem encontrado resistências diversas, ostensivas ou dissimuladas. Em primeiro lugar, as denúncias, processos e condenações têm atingido pessoas que historicamente não eram alcançadas pelo direito penal. (…) Tem-se, assim, a segunda situação: muitas dessas pessoas, ocupantes de cargos relevantes na estrutura de poder vigente, querem escapar de qualquer tipo de responsabilização penal”.

Para Barroso, “a articulação para derrubar a possibilidade de execução das condenações criminais após a segunda instância foi o momento mais contundente da reação, logrando obter a mudança de posição de dois ministros do Supremo que, antes, haviam sido enfaticamente favoráveis à medida”.

VISÃO REALISTA – Barroso, no entanto, mantém uma visão otimista do processo — ele se diz “realista” —, acreditando que é menos provável que aconteça aqui o que aconteceu na Itália, por várias razões que elenca no livro:

“Sociedade mais consciente e mobilizada; imprensa livre e plural; e Judiciário independente e sem laços políticos, ao menos na primeira e na segunda instâncias (apesar de ainda ser extremamente lento e ineficiente)”.

5 thoughts on “Barroso denuncia como se processa a atual campanha para desmoralizar a Lava Jato

  1. Deputado que fez vídeo com apologia ao AI-5 e defendeu fechar o STF passa a noite detido na PF no Rio
    No vídeo, Daniel Silveira faz apologia ao AI-5, mais duro instrumento de repressão da ditadura militar, e defende o fechamento do Supremo Tribunal Federal, o que é inconstitucional.
    Por Bom Dia Rio — Brasília e Rio de Janeiro

    17/02/2021 06h38 Atualizado há 35 minutos

    https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/02/17/deputado-que-fez-video-com-apologia-ao-ai-5-e-defendeu-fechar-o-stf-passa-a-noite-detido-na-pf-no-rio.ghtml

  2. A Lava Jato se suicidou. Não tem como ressuscitar. A todo dia aparecem mais e mais provas e testemunhos (Não confundir com delações) das suas reais intenções ao condenar Lula SEM prova.

  3. “ATIRARAM NA CABEÇA DO LULA”, mas o que acertaram mesmo, em cheio, foi o coração da república, que já vinha ferido de algum tempo e que~com o tiro fatal da Lava Jato, tipo bala de prata, só agravou ainda mais o ferimento e a sangria, agora desatada. Eis a questão. O fato é que não conseguiram acertar a cabeça do Lula, mas, com certeza, acertaram o coração da república, à moda atiraram no que vieram e acertaram o que não viram, e a bichinha, coitadinha, que de inocente tb não tinha nada, infelizmente, ferida de morte, continua sangrando em praça pública, tipo sangria desatada, e assim está entrando em colapso anunciado e vai acabar morrendo esvaída em todos os sentidos, principalmente no aspecto moral. E, enquanto fábrica de corruptos, não há dez medidas nenhuma contra a corrupção que de jeito na dita-cuja corrupção senão como mais sofismas, mais fake news, mais mentiras, mais enganações e mais estelionatos eleitorais, ou golpistas ditatoriais, porque o caso é de fechamento da fábrica de corruptos que há muito tempo já transpirava decadência terminal por todos os seus poros e que agora já agoniza em praça pública, infeliz e desgraçadamente. E agora, a pergunta que não quer calar desde Junho de 2013 é o que fazer com o Brasil, doravante, de modo a torná-lo melhor para todos e todas, pergunta essa que, “data venia”, tem sido respondida a contento apenas pela RPL-PNBC-DD-ME, o megaprojeto novo e alternativo de política e de nação, o novo caminho para o novo Brasil de verdade, porque evoluir é preciso e, sobretudo, porque o resto é tudo mais dos me$mo$, com prazo de validade vencido há muito tempo, digo, mais continuísmo da mesmice, raso e seco, que conforme já Ayres Britto, ex-STF, é golpe. https://www.brasil247.com/blog/e-preciso-acertar-a-cabeca-do-lula-desmascarada-lava-jato-da-os-ultimos-suspiros?fbclid=IwAR28X5OfftIjmu7mgOdaTucjl1S–qGnNK8XI1Ybas_uJfVTC3-tTyFRNOwe.

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