Bolsonaristas não debatem fatos e montam blindagem para o presidente nas redes sociais

Charge do Bira Dantas (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Patrícia Campos Mello, em reportagem de página inteira na edição da Folha de São Paulo deste sábado, revela que bolsonaristas estão montando uma ofensiva nas redes sociais da internet para tentar blindar as manifestações contrárias ao governo e ao presidente veiculadas no universo eletrônico.

Observa-se que a preocupação dos apoiadores do presidente da República representa a aceitação tácita de que os ataques são mais fortes do que a capacidade de defesa do governo. Quem blinda é porque está sentindo a necessidade de defesa, logo deseja evitar o destaque que fatos contrários sejam veiculados. Isso de um lado.

PROJETO DE LEI – De outro, os mesmos apoiadores propõem um projeto de lei que impeça as decisões do Facebook, do Twitter , do Instagram e do Youtube de remover  conteúdos que julguem inadequados. Uma verdadeira surpresa. Como é possível existir um regulamento que garanta a impossibilidade de retirada de textos e imagens de qualquer tipo? Tal retirada representa um direito do respectivo canal em veicular o que considere concreto e pertinente aos fatos.

Não se pode exigir de qualquer publicação, seja jornal, emissoras de televisão, rádio e redes sociais de não poderem gerir os seus próprios espaços sem levar em conta a veracidade e a autenticidade. Não se trata de liberdade de expressão. Os editores existem para selecionar as publicações capazes de despertar reações diversas dentro de limites que somente podem ser fixados após uma exame do que eles representam e apresentam em seus conteúdos.

DIREITO DE RESPOSTA – O importante na questão não é discutir as manifestações. Trata-se de rebater aquelas que mereçam respostas. Sempre digo que em matéria de redes sociais, os atingidos deveriam exigir sempre o direito de resposta, com o mesmo destaque com que foram veiculadas, ponto fundamental da Lei de Imprensa.

Afinal, o direito de expressão não livra o acusador das consequências legais que possam existir. Estão sujeitos aos inquéritos, processos judiciais e isso não tem a ver com censura prévia. Se alguém publica nas redes sociais matérias capazes de gerar complicações imediatas, é direito de quem edita verificar a veracidade de tais fatos anunciados. Imunidade não significa irresponsabilidade.

IBGE REBATE INFORMAÇÕES – Na quinta-feira, o Ministério da Economia com base em dados da Caged, destacou que no período de janeiro a abril deste ano o mercado de trabalho, com carteira assinada, preencheu 190 mil vagas, reduzindo assim o desemprego. Entretanto, Daniela Amorim, do Estado de São Paulo de sexta-feira, com base nas estatísticas do IBGE, revelou que o desemprego subiu nos meses citados pelo Ministério da Economia.

O desemprego, segundo o IBGE, apresenta um índice de 14,7% e atingiu o recorde de 14,8 milhões de brasileiros desempregados. Afinal, quem está errado, o IBGE, em sua pesquisa nacional por amostra de domicílios contínua, ou o Caged e o MInistério da Economia? Assim, acentua Daniela Amorim, o mercado de trabalho continua enfraquecido e não apresentou este ano sinal de recuo.

DADOS REAIS – A contradição deve partir, na melhor das hipóteses, num sistema de cálculo do IBGE ou da Caged. Portanto, verifica-se que não adianta apenas divulgar matérias, mas sim divulgá-las consolidadas por dados reais. A repetição das mesmas informações, por si, não transforma o vazio da repetição no preenchimento de fatos concretos.

Já se disse através da história que a mentira pode se transformar em verdade. Não é fato. A mentira sempre é derrubada pela realidade e não há maneira de se enfrentar a realidade a não ser anunciar qualquer iniciativa capaz de transformar o que ocorreu na verdade. Assim é a imprensa. Assim é a própria vida humana.

8 thoughts on “Bolsonaristas não debatem fatos e montam blindagem para o presidente nas redes sociais

  1. A direita sempre se caracterizou pela intolerância e pela violência.
    Enquanto as manifestações pró Bolsonaro foram pacíficas, já as contra Bolsonaro houve violência.
    É sempre assim.

  2. Jair Messias Bolsonaro caiu… Na gargalhada… Os atos “Fora, Bolsonaro” de sábado foram um fracasso retumbante de público, na maioria das cidades, exceto Brasília e São Paulo, onde houve algumas “aglomerações”. Nada próximo das que vêm sendo organizadas por apoiadores do Presidente mais covardemente atacado da história desse País. Resumindo: os adversários e inimigos comprovaram sua incompetência política na arte de mobilizar pessoas. Por isso, fica impossível acreditar nas enquetes que apontam Lula “favorito” – a não ser para “presidiário”, e não Presidente.

    A esquerdopatia se superou no Rio de Janeiro. A manifestação “pacífica” de “Ódio do Bem” aconteceu na Cinelândia, no “triângulo das bermudas” entre o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e a Câmara Municipal. A cena dantesca é de radicalóides chutando a cabeça gigante de um “boneco-bozo” e entoando o mantra: “Uh, Bolsonaro vai morrer”… Certamente, as SS (Schutzstaffel) nazistas de Adolf Hitler morreriam de inveja do “bate-bola”… Verdadeira catarse de idiotas, inconsequentes e criminosos. Pura barbárie e violência em praça pública. Tudo fotografado e filmado pela delirante e psicopata extrema mídia, para exibição, como troféu de estupidez, nas redes sociais.
    (J.Serrao)

  3. Graças ao uso abusivo e ao que se esconde por trás, cuja intenção já é manjada para muita gente; diversos “remendos midiáticos” estão tornando-se mais podres do que própria roupa furada. Produzindo, assim, uma eficácia frustrantes ao marketing embusteiro.
    Percebe-se que, a grande maioria dos protestantes, doutrinados ou, simplesmente, movidos pelo instinto de defesa do rebanho, diante duma situação, onde as suas doutrinas sofram narrativas desfavoráveis. Individual ou coletivamente, os séquitos partem logo para anteocupação, contra-ataque ou desconstrução. Quer dizer, atualmente, com a proliferação e malbarateamento do marqueting e demarketing, ser idôneo ou desqualificado resumiu-se apenas a um monte de ciladas argumentivas, torcidas, com aparências convincentes.
    Por ser falacioso tal artificio, seu tempo de prevalência também será efêmero, só enquanto a “verdade abafada”, cada vez mais tênue, não vier à tona.

  4. Como é do conhecimento de todos, quando o Bozo deixar o poder ainda vai ser chamado de comunista por esses mesmos bolsonaretes que agora o defendem.

  5. Que papo mais furado é este de “blindagem nas redes sociais”, tirou ideia tão estapafúrdia de onde? Até a derrocada da Dilmanta as redes sociais era quase que uma exclusividade pestista. Depois que a grana secou, ou seja, os “apoiadores” deixaram de receber o jabaculê mensal. Hoje as redes sociais passaram e a ser ocupada por gente que antes não precisa ser financiada para se manifestar. Sim, sei que muita gente ainda é financiada por dinheiro público para defender o mito, o que é uma tragédia mas achar que só existe isto é um absurdo.

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