Bolsonaro ataca Barroso, do Supremo, e amplia crise contra o seu próprio governo

Bolsonaro evidenciará os trabalhos da CPI que desejava evitar

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro dirigiu ontem um forte ataque contra o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), porque este concedeu medida liminar determinando ao Senado que a abertura de  CPI da Pandemia para investigar a atuação do governo e apurar eventuais omissões no enfrentamento à Covid-19.

O pedido de criação da CPI foi protocolado em 15 de janeiro pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO). O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, dizia aguardar momento que fosse mais oportuno para atender a iniciativa dos senadores, porém no último mês chegou a declarar que a instalação de uma CPI no momento “seria algo contraproducente”.  

CRISE – Por fim, a  bancada da oposição conseguiu reunir trinta e uma assinaturas para que a CPI comece a funcionar, o que tanto incomodou o presidente da República,. A atitude de Bolsonaro agrava a crise que se desenvolve contra o seu próprio governo na medida em que ao criticar o ministro, o presidente da República leva o STF a se solidarizar com Luís Roberto Barroso, garantindo assim  o despacho e fortalecendo ainda mais a iniciativa contra o Executivo.

Bolsonaro cometeu um erro duplo: vai ocasionar uma decisão em bloco do STF e colocará em maior destaque os trabalhos da CPI que ele desejava evitar. Por que evitar a CPI se ele tem a certeza de sua atuação contra a Covid-19 ? Querendo obstruir uma medida oposicionista acabou por ampliar a repercussão dos fatos.
 
“MEU EXÉRCITO” – A crise do governo ganha maior dimensão do que aquela que já apresentava, sobretudo porque Bolsonaro voltou a se referir ao “meu Exército”, frase que deu margem a reações contrárias por parte dos militares. O general Fernando Azevedo foi exonerado por Bolsonaro e em solidariedade ao ex-ministro, os comandantes do Exército, da Marinha e Aeronáutica também renunciaram.

O general Edson Pujol fez afirmações contrárias a qualquer manifestação política fora do texto constitucional e isso causou mal estar no Planalto. O general Braga Netto assumiu o ministério da Defesa e os representantes da Forças militares também se pronunciaram a favor da legalidade, o que era esperado.

Bolsonaro ficou mais isolado no Planalto e a crise deve ganhar ritmo mais intenso do que já vinha pontuando o panorama político brasileiro. A impressão que se tem é que dias ainda mais difíceis ocorram já a partir deste fim de semana para o presidente da República.Nada política deixa de ter consequências , portanto as afirmações de Bolsonaro acarretarão outros desdobramentos.

IMPASSE DO ORÇAMENTO – Reportagem de Julia Chaib, Gustavo Uribe  e Bernardo Caram, Folha de São Paulo, revela que problema do Orçamento para 2021 também está causando desgaste e inquietação, uma vez que os deputados do Centrão e setores militares buscam desmembrar o Ministério da Economina.

Os que são a favor da desacumulação de funções argumentam que ninguém pode ser ministro da Fazenda, do Planejamento, do Trabalho e da Previdência Social, além de coordenar a privatização e empresas estatais, a exemplo da Petrobras e do Banco do Brasil. Assim, parte dos deputados que apoiam o governo desejam poder influir no preenchimento dos cargos que surgiriam em consequência do desdobramento.

JANTAR COM EMPRESÁRIOS – De outro lado, o presidente Jair Bolsonaro foi a um jantar na residência do empresário Washington Cinel, da companhia de segurança Gocil, em São Paulo, onde disparou ataques ao governador João Doria, tanto em função do programa de vacinas, e também em virtude do seu comportamento político. Bolsonaro chamou o governador de São Paulo de “vagabundo”, acrescentando um palavrão.

Não foi um lance inteligente, pois vai ampliar a reação de João Doria e acarretará choques ainda mais profundos entre o Planalto e o Palácio dos Bandeirantes. As afirmações feitas por Bolsonaro causaram perplexidade pelo conteúdo e pelo caráter ofensivo. Estiveram presentes na comitiva Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Marcelo Queiroga (Saúde), e Fábio Faria (Comunicação), além do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do general Augusto Heleno (chefe do Gabinete de Segurança Institucional)

ESTRATÉGIA DE LULA – Matéria de Paulo Capelli, O Globo, destaca que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu uma comunicação aos dirigentes do PT no sentido de que o partido, salvo casos excepcionais, abra mão de candidaturas dos governos nos estados em 2022, o que tem por objetivo de facilitar a sua caminhada às urnas na sucessão presidencial. Liberando acordos com partidos contrários, Lula acena com a possibilidade de aceitarem alianças com o PT em nível nacional.

O lance é plausível e revela que Lula está aprofundando as articulações para a sua candidatura. O objetivo é criar uma rede de apoio em nível nacional para combater Jair Bolsonaro na sucessão presidencial no próximo ano.

15 thoughts on “Bolsonaro ataca Barroso, do Supremo, e amplia crise contra o seu próprio governo

  1. Se cassarem esse pé-pra-trás, pelo amor do santo guarda não mantenham os seus privilégios como fizeram com a Dilma.
    Hoje, por causa da gratidão devida ao Lula pelo Lewandowsky e a falta de retidão moral do Renan, a Dilma tem motorista, assessor, guarda-costas e carro pago pelo Tesouro Nacional, em detrimento do povo pobre que passa fome.
    Cassem tudo, até ás calças!

    • Estou convencido de que o eleitor deve sofrer as consequências do seu voto. Caso contrário não vai aprender a votar nunca. Sempre vai na onda, sempre vai acreditar em mentiras. Além do que Bolsonaro está sendo um péssimo presidente, tal como sempre foi um péssimo parlamentar. E mesmo assim foi eleito.

  2. Folha de S.Paulo
    Sábado, 10 de abril de 2021

    Pacheco critica negacionismo de Bolsonaro e diz que não moverá 1 milímetro para atrapalhar a CPI

    O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirma que não mexerá “um milímetro” para impedir a atuação da CPI da Covid, embora diga ser contrário à sua instalação neste momento.​

    “Uma vez instalada, vou permitir todas as condições que funcione bem e chegue às conclusões necessárias”, afirmou. “Aliás é muito importante que ela cumpra sua finalidade na apuração de responsabilidades”​, disse.​

    À Folha, Pacheco disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro “não contribui” com seu discurso negacionista. “Para bom entendedor, um pingo é letra. Quando ele [Bolsonaro] prega qualquer tipo de negacionismo, eu vou criticar o negacionismo e consequentemente estou criticando a fala dele”, disse.

    Pacheco nega que o Congresso esteja sendo omisso em relação à atuação do governo Bolsonaro na pandemia e aponta o que considera “erros praticados até agora”.

  3. como os senadores da oposição não tem nenhum projeto adequado ao país, só lhe restam tecer picuinhas e montar baboseiras.
    sabem que nada irá emplacar mas os petistas, socialistas e comunistas vivem nesta miséria “nonsense”.
    porque não tumultuar continuamente em desfavor do sofrido Povo?

    • Relação das “picuinhas” que os “senadores de esquerda, petistas, socialistas e comunistas” na interpretação de José Roberto, que estão contidas na CPI da Covid que será implantada no Senado a mando do STF, e que segundo percebe José Roberto foi peticionada por “partidos de esquerda, petistas ou socialistas ou comunistas” (a relação desses “comunistas” segue abaixo) com suas siglas partidárias. Pergunto: Serão mesmo todos esses senadores ligados à esquerda ? Estas são algumas das “picuinhas” – A conferir:

      1. A ausência absoluta de Jair Bolsonaro em sua função constitucional de liderar o SUS, já que o SUS é tripartite, ou mesmo jamais ter se pronunciado sobre o tratamento da Covid-19 segundo os ditames dos infectologistas nacionais, internacionais e mesmo da OMS, mantendo seu negacionismo, que o fez ser contrário ao isolamento social, ou o fato de ter impedido em 2019 a compra das vacinas da Pfizer oferecidas ao Brasil, bem como obstacularizou a compra de outras vacinas.

      2. A nomeação do general Pazuello por mais de um ano, em sua administração desastrosa como Ministro da Saúde, defenestrando Mandetta e Teich por não concordarem com o kit cloroquina entre outros desmandos danosos à saúde e ao combate do Covid.

      3. O estímulo de Jair Bolsonaro a seus adeptos e ao público em geral, em suas aparições públicas, dando exemplo contra o isolamento social, contra o uso de máscaras, inclusive provocando reiteradamente aglomerações sem máscara em eventos dentro e fora do Palácio do Planalto.

      4. A manutenção por mais de um ano de Ernesto Araújo como “Ministro das Relações Exteriores”, que não fez diplomacia, mas , ao contrário, ofendeu a China, a Rússia, e com isso inviabilizou a aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde.

      5. A falta de insumos para intubação de pacientes e UTI.

      6. A falta de empatia e solidariedade com as vítimas fatais, por Bolsonaro, que nunca se manifestou com pesar pela perda de milhares de brasileiros.

      7. A crise de oxigênio em Manaus, embora o Ministro da Saúde tenha sido avisado com antecedência, mas não foi atendida, e a defesa de seu Ministro da Saúde por ter levado para Manaus o Kit cloroquina e não oxigênio, na qual amazonenses morreram por asfixia.

      São os seguintes os “senadores petistas, socialistas e comunistas” assim considerados por José Roberto que assinaram a petição da CPI do Covid ao STF e junto suas siglas partidárias. Será ?

      1. Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
      2. Jean Paul Prates (PT-RN)
      3. Alessandro Vieira (Cidadania-SE)
      4. Jorge Kajuru (Cidadania-GO)
      5. Fabiano Contarato (Rede-ES)
      6. Alvaro Dias (Podemos-PR)
      7. Mara Gabrilli (PSDB-SP)
      8. Plínio Valério (PSDB-AM)
      9. Reguffe (Podemos-DF)
      10. Leila Barros (PSB-DF)
      11. Humberto Costa (PT-PE)
      12. Cid Gomes (PDT-CE)
      13. Eliziane Gama (Cidadania-MA)
      14. Omar Aziz (PSD-AM)
      15. Paulo Paim (PT-RS)
      16. Rose de Freitas
      17. José Serra (PSDB-SP)
      18. Weverton Rocha (PDT-MA)
      19. Simone Tebet (MDB-MS)
      20. Tasso Jereissati (PSDB-CE)
      21. Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)
      22. Jarbas Vasconcelos (MDB-PE)
      23. Rogério Carvalho (PT-SE)
      24. Otto Alencar (PSD-BA)
      25. Renan Calheiros (MDB-AL)
      26. Eduardo Braga (MDB-AM)
      27. Rodrigo Cunha (PSDB-AL)
      28. Lasier Martins (Podemos-RS)
      29. Zenaide Maia (Pros-RN)
      30. Paulo Rocha (PT-PA)
      31. Styvenson Valentim (Podemos-RN)
      32. Acir Gurgacz (PDT-RO)

      Falecido no mês passado em decorrência da covid-19, o senador Major Olimpio (PSL-SP) também havia assinado o requerimento pela criação da CPI.

      • Que resposta maravilhosa mestre Ednei Freitas. Simplesmente irrespondivel. Isso é um comentário que agrega valor, no qual aprendemos sobre a matéria. Diferentemente, de comentários na linha ideológica, sem sentido algum, sem eira nem beira. Os comunistas no Brasil se conta nos dedos da mão.

  4. O Medonho está ficando sem oxigênio, como suas vítimas… Que se sufoque logo e seja chutado exemplar e merecidamente da Presidência deste País decadente e bagaçado. Da sossego infeliz! Vaza assombração!!! Credo!

  5. O mito deveria agarrar com unhas e dentes esta oportunidade de outro que o Lulu boca de veludo lhe concedeu, mas burro como é vai acabar quebrando o pote. Esta CPI se bem usada pelo mito é a chance de ouro dele provar que não foi omisso, coisa difícil de fazer mas não impossível. De se livrar da fama de genocida, provando que com a vacinação em massa do povo está preocupado com a saúde dele. Porém duvido muito que o mito faça isto, ele prefere continuar neste clima de Nós Contra Eles do que mostrar para o povo que está realmente empenhado em nos livrar desta praga, não dos lockdowns, mas sim do Coronavírus. Mas burro e teimoso como é ….

  6. Olha.. Eu confesso que nesse caso nem estou a fazer crítica contra Bolsonaro. Não conheço e nem parei para ler as regras para instauração de CPI. Estudei mais processo legislativo estadual quando fiz concurso para o legislativo que não foi o Federal (uma pena porque ganha mais!)

  7. Gozado não é! Quando Bolsonaro pediu CPI do Apagão Aéreo, quando pediu CPI do Apagão da Eletricidade, quando impeachment da Dilma, apoiou junto com Gustavo Bebiano a greve dos caminhoneiros no governo Temer e ainda, quando deu força para as passeatas juvenis de 2013 contra a Dilma estava tudo certo não é,!
    Agora, vem Bolsonaro e o general Mourão reclamar da decisão do ministro Luiz Roberto Barroso, sobre a abertura da CPI da Pandemia.
    Que mi, mi, mi é esse? Estão com medo de que? Será que sabem o que fizeram no verão passado?
    Aqui se faz, aqui se paga. Essa lei ou dito popular atinge todo mundo.
    Não adianta Bolsonaro, o Mourão e o general Eduardo Ramos espernear, gritar, ameaçar. Chegou a hora do vamos ver. Vocês riram, torceram e trabalharam pela desgraça alheia, para assumirem o Poder. Chegaram até aqui. Tudo bem. Estão melhorando o país, ajudando a combater o vírus, gerando emprego? Será que está faltando vergonha na cara? Todos acima de 60 anos e atrapalhando o Brasil, retrocedendo a nação e transformando ela em Paria Pandemica.
    O Brasil não merecia isso.
    Vergonha nacional.

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