Bolsonaro está no limite e realmente pode tentar se socorrer com as Forças Armadas

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Jair Bolsonaro continua dizendo que fala “em nome” das Forças Armadas

Merval Pereira
O Globo

Por mais que o Exército faça para se distanciar de Bolsonaro, o presidente faz questão de incluí-lo em suas ameaças, voltando a confrontos institucionais que já o colocaram em desacordo anteriormente com o ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva e o ex-comandante do Exército e general Edson Pujol.

Voltou a chamar de “meu Exército” os militares que, segundo ele, podem sair às ruas para proteger o direito de ir e vir em caso de lockdown. E nenhum juiz ousará contestar essa decisão, garantiu em sua retórica abusiva.

EXPLICAÇÃO CLARA – A convocação do ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello pela CPI quase se transformou em princípio de crise, não fosse a iniciativa do senador Omar Aziz, presidente da CPI, de ligar ao novo comandante do Exército, general Paulo Sérgio, para esclarecer que Pazuello era convocado na qualidade de ministro civil, e não de general da ativa.

O novo comandante era chefe do Departamento do Pessoal do Exército, encarregado da logística de combate à Covid-19 dentro da corporação, e agiu de acordo com as orientações médicas. Por isso, Pujol certa vez deu o cotovelo para Bolsonaro, que lhe estendia a mão e ficou irritado.

O próprio general Paulo Sérgio deu entrevista em que se rejubilava pelo fato de a pandemia, no Exército, estar sendo muito menos letal entre os seus do que na média brasileira, justamente por seguirem orientações científicas. A entrevista, que também provocou a ira de Bolsonaro, não impediu que a antiguidade se impusesse na escolha do novo comandante do Exército e mostra bem a diferença de visão entre os dois.

BOLSONARO ACUADO – O presidente está claramente a perigo, se sentindo acuado pelos relatos que estão surgindo na CPI da Covid. Mais uma vez está escalando a retórica que domina, a da ameaça e do extremismo, para tentar criar uma situação crítica que obrigue as Forças Armadas a se posicionar.

Aproveitando um discurso em cerimônia do Palácio do Planalto sobre a tecnologia 5G — que nada tem com o tema que abordou —, Bolsonaro deu um jeito de voltar a criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir a autonomia de governadores e prefeitos na definição de medidas restritivas durante a pandemia, que ele considera uma “excrescência”, por ter dado “competências esdrúxulas” a eles.

O ex-ministro Pazuello se preparava justamente para atacar o Supremo em seu depoimento na CPI, que acabou adiado por incapacidade do convocado de postar-se minimamente bem diante de seus arguidores.

ATO EXTREMO – Bolsonaro é capaz de fazer um ato extremo, como ameaçou, com o objetivo de criar uma situação-limite e confrontar instituições como o STF para testar sua força popular. As manifestações do fim de semana a seu favor, em várias capitais, devem tê-lo convencido de que ainda é capaz de acionar multidões para reforçá-lo no poder.

Trata-se de movimento perigoso porque, estando acuado, é capaz de transpor a linha da legalidade.

Pode ser só uma bazófia, mas pode perfeitamente se transformar em realidade diante dos fatos, que estão sempre contra ele nos últimos tempos. Com essas bravatas, é possível acelerar um processo de impeachment, que está latente na CPI.

PRESIDENTE DESEQUILIBRADO -Está protegido pela pandemia, que impede as pessoas de ir à rua. Mas, nesse ritmo, provoca ações de seus seguidores e dos contrários. E, se isso acontecer, as instituições terão que funcionar, inclusive o Exército, que terá de dizer se está do lado da democracia ou de um presidente claramente desequilibrado, que tenta fazer tudo para criar um ambiente político que facilite o autoritarismo.

A sorte é que, aparentemente, ele é minoria. A questão é saber se irá até o final, se testará nas ruas sua força. O mais grave, diante da falta de vacinas e do tamanho da tragédia que vivemos, é voltar a pensar alto besteiras como uma guerra biológica da China, que teria “inventado” o vírus da Covid-19 para poder crescer economicamente e superar seus competidores ocidentais.

São os ecos ainda da visão conspiratória do ex-ministro Ernesto Araújo, que ficou no inconsciente dos remanescentes do governo e levaram o ministro Paulo Guedes a repetir a besteira numa reunião que era transmitida ao vivo.

15 thoughts on “Bolsonaro está no limite e realmente pode tentar se socorrer com as Forças Armadas

    • Bolsonaro está nas cordas, e ainda não jogou a toalha porque não a encontrou.

      Porém, a toalha de Bolsonaro é outra que ele chama de “meu exército” , e os generais legalistas não querem saber dele, nem para ganhar aumento.

      Bolsonaro já era, caiu de burro que é, quanto mais cedo se mandar menos vai lhe custar.

      Ele é uma espécie de flamengo que vai até o STF, e perde algo que nem lutou, mas se acha no direito, mas não cuida nem das crianças sob sua responsabilidade.

      Quem não entendeu, lembre da história do Clube de Regatas Vasco da Gama que já deveria estar nos currículos escolares para que nossas crianças aprendam a honrar o Brasil pelo exemplo, ao menos, de um clube.

  1. Por falar em limite

    Algúem viu o que aconteceu no Estado do Brizolaquistão hoje.?
    Aliás, os “encastelados” nos Palácios, Apart-Mansões do Leblon e da Vila Madalena ,não estão percebendo no que vai dar este País de miséria, pobreza, desemprego e com MUITA VIOLÊNCIA..
    O Caldo está fervendo……

    • “No dia em que eles descerem os morros do Rio, famintos e desnorteados, como soldados abandonados por seus generais, eles tomarão conta da cidade, da zona sul, e as classes médias e ricas serão prisioneiras de suas próprias avarezas e descuidos com os mais pobres. Será como um exército de centuriões romanos, de olhos arregalados, famélicos, entorpecidos e desesperados, tentando a última conquista antes da morte..

      Mário Henrique Simonsen

        • Bingo.
          Sr. Paulo, lá pelos idos do ano 2000 quando comecei a frequentar os grupos de discussão na rede, já cantava a bola de que o Brasil estava á caminho da “Africanização”.,
          O negócio vai ferver e quero ver o que vão dizer nossas ‘autoridades” e o que fazer.??
          A miséria e pobreza é vista bem na cara de todos, mas alguns fingem não ver e acreditar……

    • Brizola sempre honrou a posição que alcançou pelo voto, e não se tem provas de algo que ele tenha se apropriado , ao contrário de Luiz Inácio, que levou onze caminhões cheios de coisas que pertencia ao estado brasileiro.

  2. Merval, na condição de cronista político, deveria ter uma visão mais ampla sobre a situação brasileira neste momento.

    Independente do estado mental que se encontra Bolsonaro, e sua tendência clara para um regime autoritário, dificilmente as FFAA deixarão de apoiá-lo, se for necessário.

    Derrubar um presidente civil, mesmo eleito democraticamente, é muito diferente que se fazer o mesmo com um presidente ex-oficial do Exército, igualmente eleito pela maioria do povo.

    Se Bolsonaro já comprometeu uma boa parte do conceito que gozava o militar com a população, permitir, agora, que um “deles” seja deposto mesmo legalmente – impeachment-, o furo é mais embaixo.

    Aliás, Merval deixou de analisar o mais importante:
    Fala-se muito contra o congresso e o STF, merecidamente.
    O presidente vem alardeando que o Supremo é seu inimigo; que o congresso impede que ponha em execução seus projetos, mesmo que ambos os presidentes do antro de venais estejam nas mãos de Bolsonaro.

    Para fechar esses dois poderes, mesmo que temporariamente, só através de um golpe de Estado.
    Se Bolsonaro estiver mesmo na berlinda para ser degolado pelo congresso, mediante impedimento, as FFAA não permitirão que o ex-militar não só passe por esta vergonha, como mais ainda a imagem do militar seja desgastada.

    Bolsonaro fala com convicção, enquanto a mídia interpreta como sem o apoio do generalato.
    Erro até infantil, em interpretar que as FFAA deixarão correr o curso normal da democracia, mesmo sendo essa nossa uma dissimulação, falsa, mentirosa, enganadora.

    Aliás, impedir que o presidente seja deposto, e aproveitar a chance de impor o fechamento do congresso e do Supremo como danosos e prejudiciais ao país, é exatamente a oportunidade que o militar aguarda e com parte da população apoiando, conforme se viu neste último fim de semana!

    A CPI da pandemia poderá ser o fim deste Legislativo.
    Imersos no sonho de impedir Bolsonaro, o parlamento esqueceu de quem se trata o alvo que querem acertar.
    A CPI, indiretamente, e de acordo com seus resultados, engana-se redondamente se pensa que irá tirar o presidente do Planalto!

    Mais fácil os deputados e senadores serem alijados de suas funções outorgadas pelos eleitores, que o cidadão ver Bolsonaro ir para casa e colocar pijama!

    Jango foi deposto porque tinha contra si as FFAA, inicialmente;
    Depois, com a passeata civil pedindo a destituição do presidente, mais o apoio de entidades civis e eclesiásticas sendo corroboradas pelos Estados Unidos, foi moleza.

    Agora não.
    O Exército permanecerá ao lado de Bolsonaro;
    O presidente ainda tem um apoio popular importante;
    Da mesma forma, possui parlamentares que são a sua base política.

    Os que estão isolados e não se deram conta são o STF e Legislativo porque sem apoio popular, pelo contrário, e pelo comportamento absolutamente contrário à sociedade nacional.

    O parlamento tá doido, se imagina que a CPI vai imprensar Bolsonaro e que haverá o impeachment, destituindo-o do poder.
    Se, a intenção, é afastar o presidente da próxima eleição, ficando a disputa entre Lula e o surgimento de uma terceira via, o erro estratégico é patético, pois vai ser revertido contra os próprios acusadores facilmente.

    As FFAA NÃO QUEREM lula disputando o Planalto. Foram claras neste aspecto. A decisão do STF anulando os processos contra o petista foi um soco na cara dos militares, que assimilaram bem o jab. Pode-se afirmar que haverá o contra-ataque:
    Fechamento do Supremo e do Legislativo, caso impedirem Bolsonaro de continuar presidente até o fim do seu mandato.

    Mais:
    Se Lula for mesmo candidato, conforme a sua colocação nas pesquisas, Bolsonaro adia as eleições – já escrevi a respeito -, alegando como causa a pandemia.
    Ficaria mais 4 anos, quando terá tempo de ou melhorar o seu governo ou enterrar de vez o povo e o Brasil!

    Lula jamais voltará ser presidente desta República.

  3. Bolsonaro fica usando as Forças Armadas, do mesmo modo que gays de cidades provincianas, onde o preconceito era ferrenho, forçavam para sujar a barra dos rapazes.
    Depois de conseguir aproximar-se de um bofe, que ele assediava há muito tempo, o homossexual punha o broto, na garupa duma moto, e saía a rodar pela cidade. O bimba mal-intencionado, sabia que o garoto estava sendo visto, junto dele, por moças e país da cidade inteira. Após a exposição, o carona ficaria “estragado” e ninguém mais queria um “love” com ele. “Queimado”, depois de “cantar” tantas garotas, em vão, ele mesmo, autoconvenvido da rejeição geral, chegava à conclusão de que, ali, naquela praça, só lhe restava uma saída: assumir o seu romance homoafetivo publicamente. Resultado que coincidia, exatamente, tal como o boiola tramou

  4. Por ele não ter sido expulso do exército pelo conjunto da obra na época e exaltação de torturador depois de eleito, mostra que existe uma parte que o apoia e esta parte tem bastante força.

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